quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Vinte e Um.

   Lucas estava em casa quando recebeu um telefonema de Jorge, parecia urgente e pra não ficar adiando tragédias, pois pra ele seria mais uma bomba, em uma hora estaria na mansão dos pais.
   Talvez, a frustração e o trauma que o pai impunha sobre ele, nunca seria superado.
   E tudo isso tenha virado uma grande mágoa, fazendo com que qualquer coisa relacionada a ele, se tornasse algo ruim.
   Possível assunto a ser estudado pelos grandes filósofos e profissionais que analisam o comportamento humano, como os psicoterapeutas.

   Há alguns dias, no hotel em que Yasmin trabalha pediram uma seleção de passos novos de Dança do Ventre.
   A morena até pensou em usar a Dança dos Sete Véus, mas algo em seu interior barrou.
   Nos últimos tempos, ela andava sentindo coisas e até tendo intuições que a faziam mudar de idéia facilmente.

   Ela resolveu apresentar a dança Guedra, tradicional do Nilo Azul.
   Ela toca alguns sininhos que se fundem ao toque dos tambores árabes, mais conhecidos como guedra, e o uso dos véus negros, que ficam entre o rosto e a vestimenta.
   Uma das mais sensuais danças, pois passa um mistério, como se a outra pessoa quisesse descobrir o que há por baixo dos véus.
   E também à parte do prazer no que é proibido, pois não se dança com o rosto exposto e o que mais os homens querem, é arrancar o véu que esconde a identidade da Odalisca.

   Cada dançarina optou por um número diferente, umas usando candelabros com velas acesas, outras espadas e cobras.
   Por não serem em muitas, ninguém repetiu as danças.
   E devido ao fato do dono do hotel ser brasileiro, a maioria era como Yasmin, brasileira e com origens árabes.
   E os outros funcionários também, era até bom pra eles, pois não perdiam a essência brasileira.
   Era como se Brasil e Egito fossem um só lugar.

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