quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Dezoito.

   Abriu os olhos e ali estava novamente a cena de Bruna. O medo de ter estragado tudo gritava em sua mente. Era a hora de extravasar os sentimentos na pessoa que realmente merecia, na culpada de tudo. Bateu com força na porta pra chamar a atenção. Sentiu Jorge lhe puxando pela blusa, mas o ódio lhe fazia passar pelo exército de Titãs. Os grandes olhos azuis de Bruna arregalaram-se ao ver o ex-marido entrando pela porta. Pulou do colo do amante e enrolou-se rapidamente no lençol, sentindo o rubor nas bochechas ao deparar-se também com Jorge.

   - O q-que… (Bruna sussurrou)
   - Mande-o sair daqui, por favor! (Lucas exclamou num tom calmo)
   - Por que eu deveria? O que você está fazendo aqui? (Bruna perguntou num tom soberbo)
   - Mande-o sair daqui, AGORA! (Lucas esbravejou)
   - Eu vou, eu vou. Não precisa falar duas vezes. (Amante)

   Jorge o observou pegar as roupas caídas no chão e se vestir rapidamente. E na mesma fração de segundo que ele saiu pela porta, escutou o estalo do tapa que Lucas deu no rosto de Bruna.

   - Lucas! (Jorge exclamou assustado, aproximando-se do filho)

   A loira estava caída no chão, não havia suportado o peso da agressão de Lucas. Os olhos exibiam um misto de susto e ódio.

   - DESGRAÇADO! (Bruna gritou apalpando a bochecha esquerda, enquanto lágrimas brotavam de seus olhos)
   - Você arruinou a minha vida, sua vagabunda! (Lucas exclamou mexendo inconstantemente as mãos)
   - Filho, vamos embora. Por favor! (Jorge sussurrou angustiado, puxando o braço de Lucas)
   - Me solta, pai. (Lucas)
   - Você é um covarde! Só se garante batendo em mulher. Frouxo! (Bruna provocou)
   - Enquanto você estava aqui com seu amante, sabe-se lá por quantos dias, seu filho estava sendo enterrado. E SABE POR QUÊ? PORQUE VOCÊ NÃO PASSA DE UMA DROGADA, VAGABUNDA! (Lucas gritou agarrando o braço dela e obrigando-a a levantar-se)
   - NUNCA SENTI NADA POR ELE E NÃO IRIA FINGIR ISSO EM SEU LEITO DE MORTE, ASSIM COMO VOCÊ FEZ. QUER ENGANAR QUEM? O MAIOR ALÍVIO DA SUA VIDA FOI ESSA CRIANÇA TER MORRIDO. ASSIM VOCÊ NÃO TERIA MAIS VÍNCULO ALGUM COMIGO! (Bruna)

   Foi o suficiente para um segundo tapa.

   - Meu Deus! (Jorge exclamou horrorizado)

   O peito de Lucas arfava e se escutasse mais alguma coisa do tipo, poderia chegar a um ataque cardíaco.

   - Você não tem moral pra falar sobre os meus sentimentos. Você não faz ideia do quanto eu sofri pela morte dele, o quanto estou sofrendo. Você não passa de uma prostituta barata! (Lucas)
   - PROSTITUTA IGUAL A SUA NAMORADINHA QUE SE CAMUFLA NUMA BURCA PRA DIZER QUE É SANTA! (Bruna)

   Lucas calou-se, um silêncio que lhe doía a alma.

   - Ficou quietinho por que? Ih, acho que alguém não bateu apenas em uma mulher! É ISSO QUE FEZ NÃO É? TAMBÉM HUMILHOU A DOCE MUÇULMANA! Aposto, porque você é um otário que acreditava em qualquer baboseira. (Bruna)

   Ele apoiou-se ao pé da cama, sentindo a culpa lhe invadir a corrente sanguínea. Não havia batido, mas…


   - Quer saber de tudo? Eu não caí de escada nenhuma e aquele número do celular era da sua prostitutazinha sim, mas não foi ela que ligou. Foi aquele imbecil que você demitiu, ele deu um jeito de roubar o celular dela e me ajudar com isso tudo. E sabe por que fiz isso? Porque eu queria acabar com a sua vida. E sim, me droguei antes daquele moleque resolver nascer, foi a brisa mais alucinante que já tive na vida (exclamou entre gargalhadas) e somada a sua
cara de decepção com a imaculada do Egito, me fez sentir a mulher mais feliz do mundo. E óbvio que eu iria comemorar isso tudo com sexo, e o melhor sexo. Porque nem pra isso você presta. (Bruna despejou cruelmente)
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Dezessete.

   - Lucas, vamos embora! (Jorge murmurou puxando o colarinho da blusa do filho)

   Estavam em frente ao antigo apartamento de Lucas, o qual ele viveu com Bruna quando eram casados. Jorge tinha o acompanhado, pois o estado do filho ao sair de casa era presságio de uma nova tragédia.


   - Nem sob tortura. Cheguei aqui e vou resolver de uma vez por todas… chega de tentar tapar o sol com a peneira. Quero saber de todos os detalhes pela boca dessa vagabunda.
(Lucas esbravejou encaixando a chave do apartamento na fechadura)


   Jorge respirou fundo e entrou ao lado do filho. Seus batimentos cardíacos estavam acelerados, por saber que ali aconteceria uma conversa pesada e que em partes era culpa dele. Sua consciência nunca esteve tão pesada e se estava ali, era pra tentar se redimir perante suas atitudes autoritárias. E sabia mais do que ninguém que Lucas sempre precisou de um ombro amigo, um ombro de pai. A sala estava silenciosa. Todos os móveis modernos
espalhados harmoniosamente pelo local, mas não tinham mais a alegria que pareciam ter na presença de Lucas. Apesar de ele nunca ter sido feliz enquanto vivia por ali.

   - Acho que não tem ninguém, filho. (Jorge)
   - Tem, eu sei que tem. (Lucas falou observando algo por trás do sofá)

   Seu sangue pareceu ferver e ele disparou pelo corredor do apartamento. Jorge em surpresa com a corrida repentina do filho, andou rápido pelo mesmo caminho traçado por ele e parou ao ver a expressão de Lucas em frente à porta do quarto. Era de um ódio que talvez ele nunca tivesse visto o filho sentir. Bruna estava sentada sobre as pernas de um homem que Lucas desconhecia. Ambos estavam nus e fumavam entre gargalhadas. Quem visse a expressão dele ao observar tal cena, pensaria que talvez fosse ciúme. Mas nunca houve amor
naquela relação, ciúme seria uma conseqüência inexistente desse fato. Era um rancor, uma raiva e talvez certa decepção por perceber que uma mãe que recentemente havia perdido
o prematuro filho, parecia não se importar. Aquilo doía, assim como os pensamentos que lhe vinham à mente.

   "O tumulo da família de seu pai era estranhamente belo, já que apesar de bonito, carregava a tristeza fúnebre. As flores recentes, com seus cheiros desagradáveis
de cemitério e a angústia. Uma lágrima não havia sido derrubada por ele em momento algum. O choque estava estampado em seus olhos. Tantas coisas haviam acontecido num
período tão curto que sua cabeça parecia tombar, de tão cheia que estava.

   - Lucas?

   Era como se sua mente tivesse recebido um choque instantâneo. Virou lentamente o rosto e lá estava ela. Tão acanhada com os olhos levemente preocupados.

   - Lu, Eu sinto muito! (Yasmin exclamou ajoelhando na frente dele)

   Sentia-se tão estúpido, mas ao vê-la ali parada em sua frente, era como se o freio de suas emoções tivesse rompido e o nó na garganta o sufocado ao extremo. As lágrimas brotaram em seus olhos e ele lutava pra que elas não caíssem. Era homem, isso ultrapassava as barreiras de seu orgulho. E na frente dela… depois de tudo. Ela parecia sentir essa luta mental que ele travava.

   - Não segura, p-por favor… Estou aqui pra te c-consolar. (Yasmin murmurou com a voz embargada enquanto traçava uma linha com os dedos, embaixo dos olhos dele)

   Ele piscou os olhos e o filete de lágrimas escorreu. Nunca havia sentido tanto ódio de si.
Desse estúpido amor que o fazia fraqueja em frente a ela. 

   - Logo que fiquei sabendo, fiz o possível pra vir. Foi difícil por ter que atravessar um oceano, mas eu faria o impossível p-por você. Cheguei no final, mas p-precisava estar ao seu lado. (Yasmin)

   Um silêncio mortal por parte de Lucas, mas ela sabia que era a dor lhe consumindo qualquer palavra que pudesse sair de seus lábios. E seus olhos já cheios de lágrimas,
transbordaram ainda mais ao ver que ele estava com o Alcorão que ela havia lhe
presenteado.


   - L-lucas, diz alguma coisa. P-por favor. (Yasmin sussurrou)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Dezesseis.

   Jorge abriu a boca completamente pasmo. Agora a bola de neve estava sobre a cabeça dele e a culpa gritava em sua mente. Ele havia obrigado Lucas a se casar com Bruna por uma gravidez que nem havia sido provocada por ele. Se arrependimento matasse, ele no mínimo estaria a sete palmos do chão. Lucas havia sido infeliz por alguns meses e no momento, por sua atitude patética. Ele, Lucas, estava parado tentando assimilar tudo. Todas as palavras despejadas sobre a mesa. Tudo que havia acontecido com ele. Um rodamoinho de informações que o faziam sentir enjoo e tontura. Era provação do Divino, era uma seqüência insuportável de bofetadas.

   Levantou-se de um pulo e abriu a porta do escritório de uma maneira que Jorge pensou que seria espatifada no meio. Helen e Fátima levantaram assustadas pela maneira brusca de Lucas ao sair do escritório, e pelo jeito apressado dele ao subir as escadas. Parecia um raio.

   - O que houve? (Fátima perguntou aflita ao ver Jorge e o médico saírem do escritório)
   - Eu já lhe explico… (Jorge falou fazendo menção de subir às escadas)

   Mas ele já aparecia novamente por ali, descendo a escada da mesma maneira apressada como subiu.

   - Aonde você vai? (Jorge)
   - Eu vou matar a Bruna! (Lucas exclamou entre dentes)
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Quinze.

   Ok, Lucas sabia do envolvimento dela com drogas, mas ela havia garantido pra ele que durante a gestação não tinha ingerido nenhum entorpecente. Deus, ela era uma inconsequente.

   - Cocaína? (Jorge perguntou perplexo)
  - E no dia da queda fictícia, foi encontrado no organismo dela uma quantia razoável de ecstasy. (Doutor Simões)

   Cada coisa falada pelo médico parecia aumentar a bola de neve que estava estacionada sobre a cabeça de Lucas. Ele havia errado, piorou a coisa e muito.

   - Então a morte dele foi por culpa da Bruna? (Jorge perguntou com um tom de voz chateado)
   - Não posso afirmar se foi intencional, já que o usuário de drogas sofre por esse vício. Não sei a que ponto ela tentou se livrar disso na gestação, mas sim… Intencional ou não, ela foi a culpada. (Doutor Simões)

   Lucas deu um longo suspiro.

   - Tem outra coisa… (Doutor Simões)
   - Mais? (Jorge)
   - Infelizmente… estou me sentindo péssimo por ser porta-voz de coisas tão tristes, mas eu acho que o Lucas tem o direito de saber disso. (Doutor Simões)
   - Pode falar. Nada mais me choca. (Lucas)

   Mais uma ilusão.

   - Quando ele nasceu, foi preciso sangue e você foi o primeiro doador. Se tratando do caso em questão, precisávamos saber o nível de compatibilidade entre vocês. E foi descoberto que… (Doutor Simões)
   - Que? (Lucas)
   - Ele não era seu filho. (Doutor Simões)
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Quatorze.

   - Tudo havia se agravado? Mas não foi apenas por isso? (Jorge perguntou intrigado)
   - Não foi por isso. Aliás, duvido até do tombo… (Doutor Simões afirmou com sinceridade)
   - Como assim? (Lucas)
   - A Bruna não teve uma fratura no corpo. A escada que ela supostamente rolou provocaria ossos quebrados e muitos hematomas. (Doutor Simões)

   - Bruna, o que houve? Me fala, PELO AMOR DE DEUS. (Lucas)
   - E-eu caí… (Bruna choramingou com a mão no ventre)
   - COMO? COMO? (Lucas perguntou desesperado)
   - O-olha… meu c-celular. (Bruna falou num fio de voz)

   Os flashes insistiam em voltar e Lucas tentava entender tudo o que o médico falava, e associava com as imagens que tinha visto.

   - Mas… (Jorge)
  - Sei que tudo parece muito estranho, mas pra nós também não tem explicação uma mentira dessas… mas… (Doutor Simões)
   - Fala tudo de uma vez, Doutor. Por favor… (Lucas implorou temendo coisas mais graves)
  - Tombo descartado. Aí vocês com certeza vão me perguntar a causa dos problemas do bebê e da morte. (Doutor Simões)
   - Certamente. (Jorge afirmou com certa perplexidade no rosto)
  - Ele sofria de Cardiomegalia, que é o aumento anormal do coração. Mas isso tem cura e não seria nossa maior dor de cabeça… mas existiam tantas complicações como falta de oxigênio no cérebro e também anomalias no sistema urinário. (Doutor Simões)
   - É algum problema genético? (Jorge)
  - Não… (dando uma pausa) é provocado pelo uso de entorpecentes, mais precisamente cocaína. (Doutor Simões)

   Jorge e Lucas arregalaram os olhos.
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Treze.

   No dia seguinte, Lucas desceu as escadas parecendo um zumbi. Tinha um cansaço mental tão grande, que era difícil conseguir andar sem sentir vontade de deitar no chão. Adentrou na sala de jantar e uma mesa farta para o café da manhã. Helen, Fátima e Jorge degustavam calados o desjejum, mas algo intrigou Lucas. O médico que cuidou de seu filho estava ali.


   - Bom dia! (Lucas exclamou com um fio de voz rouca)
   - Bom dia! (Todos)

   Ele sentou-se ao lado da prima, que carinhosa o beijou na bochecha.

   - Querido, o Doutor Simões veio até aqui pra conversar com você sobre algumas coisinhas. (Fátima)
   - Sobre o que? (Lucas perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas)
   - Acho melhor vocês tomarem café primeiro. (Jorge)
   - Como vocês preferirem. (Doutor Simões)

   Agora sim, ele estava muito intrigado. Pra que a presença do médico logo cedo em sua casa? Apenas um dia depois do enterro do bebê. Fátima apenas trocava olhares sérios com Jorge. A tensão tomava conta daquela mesa e um silêncio mórbido. O cérebro de Lucas trabalhava tão rapidamente que o choque de pensamentos lhe abatia ainda mais. E uma preocupação que surgira do além, lhe arrepiava a espinha.

   - Pode entrar doutor. (Lucas falou indicando a porta do escritório para o médico)

   Jorge também entrou. Não deixaria o filho sozinho nessa situação. Algo de errado parecia estar presente e tudo se misturava à angústia de um enterro doloroso. De um bebê.

   - Tia, o que será hein? (Helen perguntou sentando no sofá da sala de estar)
   - Acho que deve ser alguma coisa bem grave, pra ele vir aqui hoje. (Fátima)
   - Só problema… (Helen murmurou)
   - Nem me fale querida, nem me fale. (Fátima afirmou aparentemente chateada)

   Não suportava Bruna, mas seu coração estava em frangalhos por ter que enterrar o neto tão prematuramente. No escritório, um clima pesado pairou.

   - O que aconteceu, doutor? (Lucas)
   - Sei que deveria ter esperado algum tempo pra isso, mas acho que têm coisas das quais, você tem que saber. (Doutor Simões)

   Lucas ficou ainda mais sério. Era paulada em cima de paulada, então qualquer coisa que viesse não teria tanta força pra deixá-lo pior. Doce ilusão.

   - Pode começar. (Jorge)

   O médico abriu uma pasta que trouxera e espalhou pela mesa papéis que pareciam exames.

   - Bem, nós não fizemos autópsia a pedido de vocês, mas desde que ele nasceu estávamos fazendo exames para ver do que ele sofria… (Doutor Simões)
    - E quais são os resultados? (Lucas)
   - Bem, o que tínhamos em mente é que tudo havia se agravado pela queda de Milena… (Doutor Simões)

   Rapidamente a lembrança veio à mente de Lucas...


   O celular de Lucas tocava de maneira irritante, enquanto ele tentava se concentrar em seu trabalho.

   - Alô! (Lucas atendeu, sem nem ao menos ver de quem se tratava)
   - S-socorro, Lu… (Bruna gemeu)


  Lucas levantou da cadeira derrubando sem querer um copo de água em sua mesa e saiu feito uma bala de sua sala. Sabia que se tratava das últimas semanas de gravidez de Bruna e agora seu coração estava pulando pela boca. Sua assistente mal conseguiu contê-lo, e na carteira de habilitação, muitas multas, certamente. Abriu o apartamento com um empurrão apenas e encontrou Bruna caída no chão, na beira da escada. (o apartamento atual dela era um duplex) Ela estava acordada e se contorcendo de dor.

   - BRUNA! (Lucas gritou indo na direção dela)

   A loira apenas apontou o celular caído ao lado dela.

   “Maldito celular” – pensou Lucas voltando à realidade.
 A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Doze.

   Helen adentrou no quarto do primo e sentou-se na espaçosa cama. De fundo ela escutava o barulho do chuveiro. Ele precisava revigorar as energias naquele banho, mesmo que aquilo fosse apenas uma tentativa. Ela teria que apoiá-lo, estar ao seu lado, dar carinho de prima. Helen sempre fora o maior colo que Lucas possuía, depois de Fátima, e como amava aquela prima, qualquer coisa que viesse dela, seria um conforto.

   - Bebê, vou dormir aqui hoje. (Helen falou vendo o primo sair do closet)

   A aparência abatida de Lucas foi capaz de expressar apenas um singelo sorriso. Um sorriso sem brilho, vazio.

   - Não precisa se preocupar comigo, Helenzinha. Você no momento só tem de se preocupar com essa princesa. (Lucas falou sentando-se na cama e passando de leve a mão no ventre dela)
   - Não tenho porque me preocupar com ela, ela está ótima! Claro que muito triste por ver o “primo tio” tão pra baixo. (Helen)
   - Vai passar… (Lucas)

   Helen mordeu a unha do dedão pensando se poderia tocar naquele assunto. Bem, sempre fora impulsiva e agora não seria diferente. Claro que com cautela, pra não machucar ainda mais o coração do primo.

   - Onde você estava depois que saímos do…
   - Helen, não quero falar… (Lucas a interrompeu antes mesmo dela terminar a pergunta)
   - Ok, vou te respeitar. (Helen afirmou sem graça)

   Lucas por dentro, queria poder falar tudo. Mas estava tão magoado… tão ressentido! Queria tanto desabafar com Helen, mas o nó dentro de sua garganta o impedia. Ele queria gritar, sair quebrando qualquer objeto que estivesse a sua frente, mas precisava de autocontrole pra poder levantar a cabeça. Pra respirar.

   - A Yasmin estava lá. Ela teve coragem. (Lucas falou soltando um sorriso irônico)

  Helen voltou a prestar atenção nele, receosa em falar algo. Apenas permaneceu escutando atentamente.

   - Parecia brincadeira vê-la ali, depois de tudo… (Lucas)
   - Lu, eu acho que você está sendo precipitado. (Helen)

   Lucas olhou nos olhos da prima de um jeito frio, algo que assustou Helen. Ele estava transtornado…

   - Precipitada foi a morte de um bebê de quinze dias. (Lucas)
   - L-lucas… (Helen)
   - Quinze dias! Apenas quinze dias meu filho viveu… SÓ QUINZE DIAS! (Lucas esbravejou)

   Os olhos de Helen encheram-se de lágrimas. A situação despedaçava o coração da jovem.
Lucas precisava colocar pra fora toda aquela dor.

   - Eu rejeitei tanto essa gravidez no começo que eu fui castigado. As pessoas costumam morrer quando elas já tiveram uma vida pela frente. Mas me fala Helen, fala se é justo um bebê de quinze dias morrer? ME FALA! (Lucas)
   - E-eu sei o quanto deve estar doendo, querido. (Helen)
   - Eu não sei nem o que eu estou sentindo… se é dor, se é tristeza, se é ódio! Eu perdi duas coisas que eu amava de uma só vez! O mundo tá caindo bem em cima da minha cabeça! Eu não sei o que f-falar… não sei como agir… parece que estou em choque. (Lucas)
   - Você precisa colocar p-pra fora toda essa angústia… E saiba que estamos do seu lado, todos nós. Sua família! (Helen)
   - Eu to me sentindo impotente. Um t-trapo… (Lucas)
   - Deus quis a-assim… infelizmente! Mas de tudo isso temos que tirar uma lição. (Helen)
   - Ele me castigou, por tudo que já fiz na vida… e por ter se enganado com uma… (Lucas)
   - Não fale coisas da qual você se arrependerá depois. (Helen)
   - A única coisa que me arrependo, é ter me envolvido com ela. (Lucas)

   A voz de Lucas ao falar de Yasmin era de uma frieza inexplicável, mas Helen conseguia captar uma forte decepção. Tudo estava tão mal contado. E aquela morte prematura do filho dele. Uma avalanche de tragédias.

A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Onze.

   Regina olhava o choro da filha sem saber o que fazer. Palavras de consolo, apenas. Mas, seria difícil arranjar uma maneira de acabar com toda aquela angústia. Parecia realmente uma provação de Deus e seu coração se despedaçava por saber que sempre a que sofria, era Yasmin. Como queria que Luiz estivesse ali pra consolá-la, como desejava.



   - Tome querida! (Regina exclamou sentando na beira da cama e entregando a Yasmin um analgésico e um copo de leite)
   - N-não quero… (Yasmin murmurou)
   - Mas você precisa. Yasmin, por favor… reaja! (Regina)

   Yasmin engoliu o choro e sentou-se, o rosto visivelmente abatido e os olhos molhados.

   - E-eu preciso voltar pra casa. (Yasmin)
   - De maneira alguma! Chega Yasmin, você insistiu demais com essa loucura em morar fora do seu país. Nunca fiz isso com você e nem com sua irmã, mas a proíbo de voltar para o Egito. (Regina afirmou séria)
   - M-mãe… (Yasmin)
   - Não aguento mais essa situação. Eu sei que pra você é difícil, filha, mas tem que enfrentar tudo de cabeça erguida. Não estou falando com relação ao Lucas, estou falando com relação à sua vida! (Regina)

   Yasmin abaixou a cabeça e partiu ainda mais o coração da mãe.

   - Seu pai infelizmente se foi, querida. Você precisa superar. (Regina)
   - EU NUNCA VOU SUPERAR A MORTE DO MEU PAI, n-nunca… (Yasmin)

   A situação era pior do que Regina imaginava. E ela temia que Yasmin caísse numa profunda depressão. Foi até a sala sem saber o que fazer… tudo parecia tão confuso. Precisava de uma ajuda, antes que Yasmin tivesse um infarto naquele quarto.




   - Mãe, como ela está? (Julia)

   Julia era irmã de Yasmin.

   - Péssima! Não sei mais o que fazer com essa menina… (Regina respondeu angustiada)
   - Estou com o coração partido de vê-la assim, coitadinha… Ela está tão apaixonada. (Julia)
   - O problema é bem maior do que a gente pensa. Ela não supera a morte do Luiz, ela treme só de ouvir falar sobre aquele desgraçado do meu ex-cunhado. E ainda quer voltar pro Egito. Filha, estou sem saber o que fazer… (Regina)
   - Se acalme, mãe! Eu vou tentar falar com ela… a Min precisa de carinho de família, ela está carente. (Julia)

   No quarto, somente pensamentos.

   “Eu tentava acreditar que príncipes encantados não existiam, mas você apareceu! Apareceu pra me tampar os olhos e depois friamente me deu uma rasteira. Eu te entreguei a maior tradição do meu sangue, eu te entreguei meu coração e você o jogou ao vento. Você não se transformou em sapo, porque você nunca foi o príncipe.”

   - E-eu preciso sair d-daqui… (Yasmin murmurou enxugando os olhos com as costas da mão direita)
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Dez.

   Lucas passou a mão no rosto molhado e adentrou na sala da mansão de seus pais. Sua aparência estava deplorável e seu ânimo esgotado. O rosto de bebê havia sido tomado por uma angustia interminável.


   - Graças a Deus você chegou, querido! (Fátima exclamou angustiada e levantando do sofá para abraçá-lo)

   Helen estava parada observando a cena, acariciando sua barriga de pouco mais que quatro meses. Estava já com uma saliência visível e feliz por já saber que em seu ventre, carregava uma pequena garotinha. Mas infeliz, pela situação que via seu primo passar.

   - E-eu to tão perdido! (Lucas murmurou sentando no sofá)

   Em outras ocasiões, Fátima gritaria por ele estar sentado em seu sofá, sendo que estava molhado de chuva e com algumas manchas de barro em sua roupa.

   - Estamos aqui do seu lado, meu amor! (Fátima)
   - Estamos t-todos do seu lado, bebê! (Helen exclamou com a voz embargada e sentando ao lado dos dois)
   - Eu só t-tenho você a-agora, pequena! (Lucas sussurrou tocando as mãos na barriga de Helen)

   E como aquele bebê que sempre fora intitulado, Lucas deitou a cabeça no colo da prima e não conseguiu conter o que sempre fora difícil pra ele soltar: as lágrimas.
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Nove.

   A fina lágrima escorreu pelo canto do olho esquerdo de Yasmin! Decepção. Uma tristeza que gritava fundo dentro de seu ser. Regina acariciava delicadamente as longas madeixas de sua filha, agora eles já não estavam mais com aquela mistura de preto com um tom de loiro. Aliás, há tempos não estavam! A ampulheta havia derramado diversas vezes a areia semelhante a do Saara. Luas se passaram e agora o coração da Odalisca estava aos cacos.


   - M-mãe… (Yasmin murmurou com a voz entrecortada)
   - Shh… não diga nada, querida! Sei o quanto está triste e decepcionada. Sei o quanto está doendo, mas se isso aconteceu é porque tinha que acontecer. Alá sempre faz o certo!
   - N-não aguento mais essas provações, mãe. A-até duvido da existência D-dele nessas horas… (Yasmin choramingou)
   - Não diga jamais essas coisas, Yasmin. Por nada! (Regina exclamou brava)

   E o choro se prolongou ao mesmo tempo em que flashes vinham em sua mente.


   As férias de Yasmin foram algo que ela havia planejado muito e quando realmente aconteceu, passou de uma maneira assustadora. Os vôos iam sendo anunciados, enquanto os belos olhos dela se mareavam. A boina preta delicada estava dando um ar tão charmoso a ela, que Lucas a observava com um sorriso no canto dos lábios.


   - E essa carinha triste? (Lucas perguntou tocando o polegar na bochecha direita dela)
   - Passou muito r-rápido. (Yasmin murmurou)
   - Concordo plenamente. (Lucas)
   - Planejei tanto e agora já acabou. Foi tão difícil me despedir novamente de m-minha mãe. (Yasmin falou com a voz embargada)
   - Você precisa analisar as coisas, Yasmin. Talvez tenha chegado à hora de você retornar pra seu país. (Lucas)
   - Não chegou a hora disso, não m-mesmo. (Yasmin falou passando o polegar nos olhos, impedindo que as lágrimas escorressem)
   - Mas aqui tem a sua família e… tem eu! (Lucas)

   O silêncio imperou, mas foi quebrado imediatamente pelo anúncio do vôo de Yasmin com destino a Londres.



   - L-lucas… (Yasmin murmurou já não segurando mais as lágrimas)
   - Vem cá, Odalisca! (Lucas exclamou puxando-a pelo braço)

   Apertou-a forte entre seus fortes músculos. Já estava acostumado com a presença dela. Com o cheiro! Com tudo que aquele pequeno corpo lhe oferecia!

   - Eu não q-quero ir… (Yasmin sussurrou chorando)
   - Não vá, então! (Lucas)
   - Eu t-tenho metas… p-preciso concluí-las! (Yasmin)
   - Você tem que escolher o que é melhor pra sua felicidade, pequena! (Lucas)

   Yasmin secou as lágrimas e uma vez mais o abraço, seguindo de pequenos selinhos.

   - Boa viagem, vá com Deus! (Lucas exclamou beijando-a na testa)

   Com as passagens e o passaporte nas mãos, Yasmin virou-se e seguiu o caminho em direção a sala de embarque. Mas ela estava com uma galinha entalada na garganta, precisava desafogar antes que seu peito explodisse. Não havia falado nenhuma vez isso pra ele, mas havia chegado a hora… O momento certo era aquele! Deu um passo pra trás e voltou à direção de Lucas. Ele cruzou os braços e estranhou a volta repentina.


   - E-eu só preciso dizer uma coisa… antes que meu coração exploda! (Yasmin)
   - O que houve Min? Esqueceu algo comigo? (Lucas perguntou mexendo nos bolsos de sua camisa e desviando o olhar dela)
   - Eu esqueci de te falar uma coisa… E-eu… (respirou fundo) Eu te amo! (Yasmin exclamou forte)

   Lucas paralisou e rapidamente voltou a olhá-la. Seu coração havia acelerado de uma maneira que parecia que ia saltar pela boca. E o sorriso involuntário que surgiu em seus lábios foi automático. Felicidade… era recíproco!

   - Eu também te amo, meu amor! (Lucas exclamou abraçando-a novamente e a tirando do chão num rápido giro)

   E uma vez mais, ela voltou ao Egito.

   Ela soluçou ao se deparar com essa lembrança. Tudo havia sido tão intenso naqueles segundos, que a cena ainda estava viva em sua mente. Primeira de muitas vezes que havia falado… Eu te amo! Solidão.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Oito.

   No avião, mesmo sem nem decolarem, Jorge já dormia. 


   - O tio capotou. (Taylor)
   - Confesso que logo irei fazer o mesmo. (Lucas)
   - É claro, deve ter se cansado muito nesse final de semana. (Taylor falou rindo)
   - Fique você sabendo que se tem algo que não me cansa, é sexo. E também pare de falar asneiras. (Lucas)


   - Desculpa aê viril man. E nem é preciso falar mais nada, você mesmo se entregou ao falar de sexo, nem estava me referindo a isso. (Taylor)
   - Quem te conhece que te compre, Taylor. (Lucas)
   - Eu né? (Taylor)
   - Cale a boca e comece a refletir sobre sua história com a Helen, não a minha… otário. (Lucas)
   - Com todo respeito à tia Fátima, mas vai apavorar a sua mãe. (Taylor)
   - Bom se apavorar mesmo, ainda mais que daqui a alguns meses você terá que virar o cara mais responsável do mundo. (Lucas)
   - Não sei se você lembra, mas estamos juntos nessa, irmão. E no seu caso, vem antes. (Taylor)
   - Ok, fim de papo. (Lucas)

   Agora voltaria a tudo isso, não no mesmo teto, mas o mesmo inferno de sempre. Seu filho não fazia parte disso, mas enquanto ele estivesse na barriga de Bruna, ele sofreria com efeitos colaterais. De volta a casa…
A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Sete.

   Já era noite e Yasmin assistia televisão deitada em sua cama. No dia seguinte voltaria ao normal e agora não folgaria mais. Longos dez dias de trabalho até suas merecidas e tão esperadas férias. Brasil mais uma vez… tantos encontros e um reencontro, claro. Pra que negar que ela já estava morrendo de saudades? A propósito, ele deveria estar embarcando numa hora dessas. E como se estivesse prevendo, seu celular indicou uma mensagem.


   " Odalisca… embarco daqui a dez minutos e meu pai com o Taylor não param de olhar pra minha cara tentando saber o porquê de eu não parar de teclar no celular. Já estou morrendo de saudades de você se isso for possível… é possível não? Vou enfrentar umas boas horas de viagem e na conexão que vai ter em Londres, eu mando mais uma mensagem… Só pra avisar que estou vivo ainda! Se cuida e qualquer coisa que precisar, pede pra Letícia. O Taylor veio com a gente pra resolver um problema com minha prima, mas ela está ai e já a avisei pra cuidar de você. Ok, sei que deve ter fechado a cara nesse instante pensando “Não sou criança pra que cuidem de mim”, mas juro que fiz isso pra ficar um pouco mais tranqüilo… Você entende, tenho certeza. Passamos dias incríveis e inesquecíveis. Quero repetir em breve! Te espero pequena! Beijos, Lucas."


   Yasmin ficou parada uns instantes vendo a mensagem e sorria a cada brincadeira que ele fazia. Ele tinha o dom de fazer um bem tão grande pra ela… a tranquilizava. Era estranho. E como resposta:


   "Hei… Acho que é possível essa saudade, porque também estou sentindo. Em meus momentos de frieza eu diria que isso tudo é tão piegas, mas agora to achando fofo. Confesso. (risos) Boa viagem e me avisa quando chegar a Londres e no Brasil. A viagem será tranquila, tenho certeza! Obrigada pelo final de semana, e me desculpa o ataque repentino de estresse, sou uma idiota de vez em quando. Você não merecia nenhuma palavra que falei. Vamos repetir em breve, tenho certeza. Fica com Deus… (se eu falar Alá, será um pouquinho clichê :D) E obrigada por se preocupar comigo deixando uma pessoa pra me ajudar. Não me ofendi, juro. Fiquei lisonjeada! E obrigada por conseguir me ajudar com superações. Isso eu nunca esquecerei! Beijos, Yasmin."

   Colocou o celular no criado-mudo e sorrindo observou a televisão um pouco hipnotizada. Era uma novela local, onde ela prestava atenção nos tons diversos de cabelos. Etapa nova… e porque não um visual novo? Amava aquele tom de seu cabelo, mas já havia enjoado um pouco de sua imagem. Seria interessante mudar o tom e consequentemente o visual. Isso sempre levanta a auto-estima e revigora… Transforma. Bocejou e sorriu pensando nessa possibilidade, mas claro que ficaria pro dia seguinte, pois no momento a única revitalização que precisava era de uma boa noite de sono.

sábado, 5 de janeiro de 2013

A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Seis.

   Lucas ajudou o motorista a colocar a última mala no carro. Taylor e Jorge já estavam dentro do carro e Letícia se despedia deles…


   - Bebê, to com medo. (Letícia choramingou forçando um bico)
   - Por que medo? (Lucas)
   - Vocês estão me largando nesse lugar cheio de múmias, com esse clima que não favorece em nada pra pessoas com pele oleosa como eu, se eu coloco um decote mais ousado no mínimo vou tomar oitenta chibatas ou arder no tal do inferno que em minha opinião é legal, mas enfim… Cai de gaiato bancando a pantera e agora comandarei isso tudo? É muito para o meu cérebro loiro recém pintado de chocolate. (Letícia)
   - Você foi boa o suficiente pra resolver um caso, ficar por uns dias no lugar do Taylor vai ser fichinha. (Lucas falou sorrindo)
   - Fora que vão achar que transo com algum de vocês, pouco tempo aqui e já mando em tudo. (Letícia)
   - Ninguém vai pensar nisso sua louca. (Lucas)
   - Isso você que pensa, sou mulher e sei bem o que mulheres pensam. (Letícia)
   - Você tem que se sentir privilegiada, essa confiança que o Dom Jorge confiou em você, ele não tem em mim. (Lucas falou rindo)
   - Até parece, foi a época que você era a ovelha negra… Quer dizer, a ovelha moreninha encardida da família. Hoje ele confia em você, dá pra ver isso. (Letícia)
   - Acho que tenho que admitir isso, ele mudou mesmo… Não sei, acho que percebeu que eu não sou um incompetente. (Lucas)
   - Nunca foi e nunca será. (Letícia)
   - Obrigada! (Lucas afirmou sorrindo e apertando o nariz dela)
   - Boa viagem bebê! (Letícia exclamou abraçando-o)
   - Obrigada e juízo hein! (Lucas)


   - Juízo eu tirei há anos no dentista, não sei pra que ter essa porcaria de dente. (Letícia brincou)

   Lucas ia entrando no carro, mas lembrou de um pequeno detalhe. Sabia que ia deixar Letícia cheia de interrogações e desconfiança, mas isso não estava em jogo no momento e ele também já estava pouco se importando caso alguém descobrisse…

   - Let, posso te pedir uma coisa? (Lucas)
   - Claro. (Letícia)
   - Sabe a Yasmin? (Lucas)
   - Sim… (Letícia)
   - Cuida dela. (Lucas)
   - Como assim? Ela está doente? (Letícia)
   - Não. Só cuide, não sei… qualquer coisa que ela precisar, a ajude… Dê auxílio. (Lucas)

   Letícia ergueu uma de suas sobrancelhas e em seguida arregalou os expressivos olhos.

   - Seu pinto é de chocolate, não é possível. (Letícia)

   Lucas sorriu e piscou pra ela.

   - Ok, eu cuido da sua Odalisca. Inclusive a levarei pra algumas baladinhas proibidas daqui, onde as muçulmanas chutam o Alcorão, levantam a burca e dançam La cucaracha atrás de um sexo selvagem com algum sheik. (Letícia)
   - Faz isso que eu te demito. (Lucas)
   - É isso que dá ajudar os amigos. (Letícia)
   - Eu adoro você. Tchau! (Lucas sorriu e beijou-a na bochecha antes de entrar no carro e o motorista dar partida rumo ao aeroporto)