A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Nove.
A fina lágrima escorreu pelo canto do olho esquerdo de Yasmin! Decepção. Uma tristeza que gritava fundo dentro de seu ser. Regina acariciava delicadamente as longas madeixas de sua filha, agora eles já não estavam mais com aquela mistura de preto com um tom de loiro. Aliás, há tempos não estavam! A ampulheta havia derramado diversas vezes a areia semelhante a do Saara. Luas se passaram e agora o coração da Odalisca estava aos cacos.
- M-mãe… (Yasmin murmurou com a voz entrecortada)
- Shh… não diga nada, querida! Sei o quanto está triste e decepcionada. Sei o quanto está doendo, mas se isso aconteceu é porque tinha que acontecer. Alá sempre faz o certo!
- N-não aguento mais essas provações, mãe. A-até duvido da existência D-dele nessas horas… (Yasmin choramingou)
- Não diga jamais essas coisas, Yasmin. Por nada! (Regina exclamou brava)
E o choro se prolongou ao mesmo tempo em que flashes vinham em sua mente.
As férias de Yasmin foram algo que ela havia planejado muito e quando realmente aconteceu, passou de uma maneira assustadora. Os vôos iam sendo anunciados, enquanto os belos olhos dela se mareavam. A boina preta delicada estava dando um ar tão charmoso a ela, que Lucas a observava com um sorriso no canto dos lábios.
- E essa carinha triste? (Lucas perguntou tocando o polegar na bochecha direita dela)
- Passou muito r-rápido. (Yasmin murmurou)
- Concordo plenamente. (Lucas)
- Planejei tanto e agora já acabou. Foi tão difícil me despedir novamente de m-minha mãe. (Yasmin falou com a voz embargada)
- Você precisa analisar as coisas, Yasmin. Talvez tenha chegado à hora de você retornar pra seu país. (Lucas)
- Não chegou a hora disso, não m-mesmo. (Yasmin falou passando o polegar nos olhos, impedindo que as lágrimas escorressem)
- Mas aqui tem a sua família e… tem eu! (Lucas)
O silêncio imperou, mas foi quebrado imediatamente pelo anúncio do vôo de Yasmin com destino a Londres.
- L-lucas… (Yasmin murmurou já não segurando mais as lágrimas)
- Vem cá, Odalisca! (Lucas exclamou puxando-a pelo braço)
Apertou-a forte entre seus fortes músculos. Já estava acostumado com a presença dela. Com o cheiro! Com tudo que aquele pequeno corpo lhe oferecia!
- Eu não q-quero ir… (Yasmin sussurrou chorando)
- Não vá, então! (Lucas)
- Eu t-tenho metas… p-preciso concluí-las! (Yasmin)
- Você tem que escolher o que é melhor pra sua felicidade, pequena! (Lucas)
Yasmin secou as lágrimas e uma vez mais o abraço, seguindo de pequenos selinhos.
- Boa viagem, vá com Deus! (Lucas exclamou beijando-a na testa)
Com as passagens e o passaporte nas mãos, Yasmin virou-se e seguiu o caminho em direção a sala de embarque. Mas ela estava com uma galinha entalada na garganta, precisava desafogar antes que seu peito explodisse. Não havia falado nenhuma vez isso pra ele, mas havia chegado a hora… O momento certo era aquele! Deu um passo pra trás e voltou à direção de Lucas. Ele cruzou os braços e estranhou a volta repentina.
- E-eu só preciso dizer uma coisa… antes que meu coração exploda! (Yasmin)
- O que houve Min? Esqueceu algo comigo? (Lucas perguntou mexendo nos bolsos de sua camisa e desviando o olhar dela)
- Eu esqueci de te falar uma coisa… E-eu… (respirou fundo) Eu te amo! (Yasmin exclamou forte)
Lucas paralisou e rapidamente voltou a olhá-la. Seu coração havia acelerado de uma maneira que parecia que ia saltar pela boca. E o sorriso involuntário que surgiu em seus lábios foi automático. Felicidade… era recíproco!
- Eu também te amo, meu amor! (Lucas exclamou abraçando-a novamente e a tirando do chão num rápido giro)
E uma vez mais, ela voltou ao Egito.
Ela soluçou ao se deparar com essa lembrança. Tudo havia sido tão intenso naqueles segundos, que a cena ainda estava viva em sua mente. Primeira de muitas vezes que havia falado… Eu te amo! Solidão.
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