segunda-feira, 26 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Sete.

   Dizem que quando viramos a página de um acontecimento, talvez novas coisas e novos ares surjam.

   Alguns dias depois...

    Lucas olhava pela janela do carro àquelas construções, abobalhado. Eram de uma modernidade absoluta e de uma engenharia impecável. Era surreal olhar aquilo tudo de perto. Sem sombra de dúvidas, a pessoa responsável pelo projeto de tudo àquilo é um gênio. Saiu do táxi com seu pai à frente de um belíssimo e luxuoso hotel. Assim como tudo que tinha em Dubai. Haviam chegado naquela mesma tarde, Jorge iria negociar um contrato com uma empresa dos Emirados Árabes pra uma nova instalação de seus hotéis ali. Seria um grande passo na carreira de empresário dele, mais um de muitos que ele já havia dado. Mas ter um hotel em Dubai seria alcançar grandes conquistas, afinal o ícone do luxo em lugar, seria ali sem dúvida.

   - To impressionado com tudo desse local. (Jorge sussurrou)
   - Eu também. Parece que é uma maquete gigante, sei lá. É muito fora do normal! (Lucas)
   - Demais! (Jorge)

   Enquanto entravam no hotel e resolviam sobre a hospedagem na recepção, Lucas ia lembrando da séria conversa que havia tido com Bruna, depois que ela recuperou-se no hospital.


   Bruna demonstrava uma frieza total ao submeter-se a uma ultra-sonografia que mostraria o sexo do bebê. Também pra terem certeza de que tudo estava bem depois do ocorrido. Lucas observava tudo do lado, de cara fechada, mas com uma emoção fora do normal ao ver o bebê.

   - Hoje ele facilitou a nossa vida! Vejam aqui… (o médico falou sorridente enquanto apontava onde apareciam as imagens do bebê)

   Lucas aproximou-se e seguiu com os olhos até onde o médico apontava. Sentiu o coração acelerar ao perceber o que era aquilo.

   - Isso é…? (Lucas perguntou emocionado)
   - Sim… É um órgão sexual masculino. É um menino, parabéns! (o médico)

   Lucas sentiu uma felicidade fora do normal. Seu filho seria um menino, uma miniatura dele. Deus, não se agüentava de tanta alegria. Mas ao olhar pra Bruna, pareceu que em segundos sua felicidade broxou. Ela olhava as unhas e pra janela… Sem ânimo algum ao descobrir o sexo de seu filho. Coisa que preenchia de emoção todas as mulheres que descobriam. O médico os deixou a sós, achava que o jovem casal iria comemorar tal coisa, mesmo depois da tal tentativa de suicídio. Mal sabia a crise por qual eles passavam…

   - Não vai demonstrar nem um pouquinho de felicidade. Sei lá, tenta um sorriso falso. (Lucas disparou)

   Já estava com ela entalada pela garganta. Não estava se importando nem um pouco com o fato dela estar em cima de uma cama de hospital, pálida feito um fantasma e com todo quadro que havia apresentado. Ele sabia que aquilo era mais uma tentativa dela de manipulá-lo.

   - Quer que eu dê um sorrisinho falso? (Bruna perguntou em tom de ironia)
   - Ok, vejo que já está bem. Então podemos conversar sobre toda essa situação. (Lucas)
   - Pode falar. (Bruna)
   - Não vai me fazer mudar de idéia com essa tentativa de suicídio, ou sabe-se lá o que tentou… Cansei das pessoas me manipularem, cansei de tudo. Chegou a hora de eu provar que sou homem e não o banana que tantas vezes você me jogou na cara. Não vou voltar pra essa farsa de casamento e se você tentar mais alguma coisa, eu vou à polícia e na justiça. Porque você fazendo isso prejudica a vida do meu filho, se você não se importa com ele, eu me importo. (Lucas despejou)

   - Ah claro se importa muito, tanto que deu uma de “o macho do século” e quis provar que tem atitude. Faça-me o favor… Vai até quando com essa de que ninguém mais te manipula? Até um cara vir e te peitar, pra você correr pra barra da saia da mamãe ou pro seu papai contratar matadores de aluguel e acabar com a raça desse cara? Agora me diz, o que te fez mudar tanto? Hein? (Bruna falou com sarcasmo)
   - A primeira coisa que me fez acordar foi casar com um lixo de pessoa, isso me fez cair na real e sentir nojo de seres humanos assim como você. (Lucas)
   - Ah isso é a primeira coisa… Então significa que tem uma segunda coisa, me deixa pensar, uma mulher? (Bruna)
   - Te garanto que até uma prostituta tem mais valor que você, porque elas ainda fazem isso pra sustentar família e tal… Então se for mulher, é bem mais digna que você. (Lucas)
   - Ah então é uma mulher! (Bruna sorriu debochada)
   - Já sabe, tenta fazer mais alguma coisa e vai direto pro tribunal. (Lucas falou virando as costas e saindo do quarto enquanto escutava os gritos histéricos de Bruna)

   Lucas suspirou, saiu dali com um peso a menos nas costas, mas ainda tinha medo do que ela poderia ser capaz de fazer contra seu filho.

   - Vamos subindo? (Jorge perguntou quando terminaram de fazer o check-in na recepção)
   - Vamos. (Lucas)

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Seis.

   Gravidez? Helen?

   - Espere aí? Helen grávida? (Jorge perguntou arregalando os olhos também)
   - Depois pai, por favor… (Lucas)
   - Ok! (Jorge falou sem ação e andando feito um robô com o filho)

   Fátima olhava Helen desmaiada sem ação. Grávida? E ao ver o filho e o marido saindo pela porta, acordou de seus pensamentos e caiu em si de que Helen estava desmaiada ainda!

   - SILVANA, ME AJUDE AQUI! (Fátima gritou entrando em desespero)

   Não demorou muito até que os dois chegassem ao hospital. Correram até a recepção pedindo informações sobre Bruna. Quando subiram ao andar em que ela encontrava-se internada, encontraram os pais de Bruna completamente passados. Pálidos também, feito dois fantasmas. E com os olhares angustiados. Lucas mal sabia o que falar, apenas sentia que seu coração havia sido picado em mil pedaços. Um pensamento lhe veio à mente… Havia se precipitado ao separar-se de Bruna? Havia esclarecido as coisas com Yasmin e não teria problema continuar amargando aquele casamento… Mentira! Havia muitos problemas e não somente uma relação amorosa com outra pessoa, mas também o seu orgulho, o seu sentimento. As pessoas em volta falavam com ele e mal entendia, até se deparar com um médico a sua frente e ele conversando coisas com Lucas a respeito de Bruna.

   - Como está meu filho? (Lucas perguntou angustiado)


 Parecia egoísmo perguntar somente do filho, mas Bruna não fazia a menor diferença pra ele. Ele se assustava com isso, mas era a realidade e ele não poderia se enganar.

   - Nada houve com ele, apesar de termos encontrado alguns comprimidos de calmante no organismo dela. (o médico)
   - Mas espere aí, ela não cortou os pulsos? (Lucas perguntou sem entender)
   - Ela tentou das duas maneiras, felizmente não conseguiu, mas afirmo que se tentou uma vez, tentará outras. Só pessoas transtornadas psicologicamente chegam a esse extremo. Muitas infelizmente conseguem chegar ao objetivo, e aqueles que não conseguem, cabe aos que estão ao seu redor, tentarem amenizar esses problemas, às vezes com tratamentos e na maioria das vezes e talvez a mais certeira, com amor. (o médico)

   O inferno não tinha acabado de começar. O inferno havia dado as caras uma vez mais. Lucas saiu desiludido da sala. Todo seu esforço sobrenatural pra ter uma atitude na vida, havia escorrido por água abaixo. Bruna estava transtornada e a culpa era dele? Por Deus! Ela não o amava e isso era bem claro aos olhos de Lucas. Pra que insistir nesse jogo estúpido de tentativas baixas pra poder segurá-lo em uma relação fracassada. Isso o fazia sentir mais nojo de Bruna. Ela era desprezível e o que mais lamentava no momento era ter prometido coisas pra uma jovem que ele de verdade se apaixonara.  Seria impossível ele conseguir cumprir, com Bruna em seu pé. No mesmo instante, como uma conexão entre ambos, o celular de Lucas vibrou e mostrava-lhe que tinha uma mensagem… Ele sentiu o coração explodir ao ver de quem era.

   "
Sabe quando você acorda com uma sensação de que algo não vai bem? Quando você sente que alguém que você quer bem está em apuros? Pode ser alguma coisa sobrenatural, ou talvez bobagens… Mas sempre que me senti assim, algo de verdade estava fora do lugar. Eu só sentia isso em relação ao meu pai e a minha mãe… Depois que ele morreu, foi só com a minha mãe, mas desde que tudo aconteceu, automaticamente me vem você na mente. Desculpa estar escrevendo essa mensagem que já deve estar na quinta página, mas eu precisava falar algumas coisas pra você. Mesmo que eu esteja enganada e tudo esteja bem, sei lá, pode servir como palavras de incentivo, de carinho… Estou há milhares de quilômetros de você, mas te sinto perto e quero que saiba que pode ter essa mesma sensação, estou aí do seu lado e sempre vai ser assim… Estou com você e isso já é algo concreto em minha vida! Não tema as coisas, elas são obstáculos que devemos seguir de cabeça em pé… Não fraqueje perante nada… Eu confio em você!

   Obrigada pelo lenço!
   Saudades! Yasmin."


   Lucas respirou fundo sentindo o coração ainda mais acelerado. Tinha como fraquejar depois dessas palavras? Enfrentaria o inferno, mas sabia que valeria a pena no final!

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Cinco.

   Ao entrar em casa, Fátima e Jorge estavam sentados no grande sofá da sala de estar com as faces transtornadas, respectivamente. Lucas sentiu-se estremecer e sua boca secou mesmo sem ele saber do que se tratava.

   - O que houve? (Lucas perguntou assustado)

   Fátima e Jorge que só perceberam a presença dele no instante em que falara, se olharam temerosos e angustiados.

   - Sente-se, querido. (Fátima afirmou com a voz baixa)
   - O que foi? Que caras são essas? (Lucas perguntou temeroso, sentando no sofá)

   Helen entrou na casa devagar. Sorriu pra tia que retribuiu de maneira fraca, fazendo com que Helen percebesse que algo sério estava no ar.

   - Oi querida. (Fátima falou cumprimentando a sobrinha)
   - Oi tia! Oi tio! (Helen)
   - Oi. (Jorge falou sorrindo)
   - Me falem logo, por favor! (Lucas exigiu)
   - Ok! Vamos falar. (Fátima)
   - Antes eu queria dar umas palavrinhas sobre essa conseqüência. (Jorge)
   - Seja mais claro, por favor. (Lucas)
   - Sabe quando tentamos proteger alguém que amamos e somos julgados errados? Então é isso, te protegi e só tomei na cabeça e agora essa conseqüência. (Jorge)
   - Eu não estou entendendo nada. (Lucas)
   
   Helen observava quieta.

   - Filho, a Bruna tentou cometer o suicídio! (Jorge falou, já que Fátima estava pálida feito cera ao ter que dizer algo dessa maneira ao filho)
   - O que? (Lucas perguntou com os olhos arregalados e levantando-se abruptamente do sofá)


   Helen arregalou os olhos e levou a mão à boca, tamanho o espanto. Suicídio? Aquilo era sério demais.

   - ELA NÃO PÔDE TER FEITO ISSO, ELA ESTÁ GRÁVIDA! COMO PODE FAZER ALGO DESSA MANEIRA CONTRA A VIDA E ATACANDO O FILHO? (Helen disparou aos berros sem se controlar)

   Segundo demonstração materna. Os três a olharam assustados.

   - Me i-ignorem. (Helen gaguejou)

   Lucas sentou-se novamente no sofá sentindo as pernas moles. Havia parado de raciocinar.

   - F-filho… (Fátima sussurrou com a voz embargada)
   - C-como assim suicídio? (Lucas perguntou com a voz fraca)
   - Ela cortou os pulsos… A sorte foi que a mãe dela chegou a tempo de algo mais grave acontecer. Bruna foi hospitalizada. (Jorge)
   - E o meu filho? (Lucas)
   - Ao que tudo indica nada aconteceu com ele, mas estão fazendo exames para confirmar. (Jorge)
   - E por que suicídio? (Lucas perguntou já sabendo a resposta)
   - Por causa da separação! (Jorge)

   Lucas respirou fundo ao mesmo tempo em que fechou os olhos. O inferno acabara de começar!

   - É UMA VAGABUNDA! EU ODEIO ESSA BRUNA! ODEIO! ELA FAZ ISSO PRA ATORMENTAR A VIDA DO MEU PRIMO. DESGRAÇADA! (Helen deu outro piti)

   Mas dessa vez, o ataque a fez sentir a visão escurecer. Sentou rapidamente no sofá, completamente pálida.

   - Helen, o que houve? (Fátima perguntou correndo até a sobrinha)
   - Gritei demais, f-faltou o ar… (Helen sussurrou respirando fundo)
   - Helen, vai pra casa! (Lucas afirmou sério)
   - De jeito algum, acha que vou te deixar sozinho depois de mais uma da Bruna? JAMAIS! (Helen falou forte levantando-se, mas mais uma vez sentou-se ao sentir uma tontura)
   - Vai embora pra casa! (Lucas falou sem paciência)
   - NÃO VOU. (Helen)
   - O que está acontecendo entre vocês? (Jorge)
   - Eu vou para o hospital e essa louca não pode ir junto. (Lucas)
   - Quem é você pra falar se posso ou se não posso? (Helen)
   - Helen... (Lucas)
   - Acho bom a Helen ir conosco, ela sempre te dá apoio em tudo querido! (Fátima)
   - Não vejo mal nela ir Lucas, com tanto que não tente matar a Bruna de verdade. (Jorge)
   - Tia obrigada por me defender e tio, obrigada pela idéia. Vamos sim. (Helen)
   - NÃO ENTENDEM QUE VAMOS A UM HOSPITAL VER UMA MULHER QUE TENTOU SE MATAR E A HELEN NÃO PODE FICAR PERTO DESSAS COISAS SENÃO PODE PEGAR UMA BACTÉRIA E O QUE MAIS ELA DEVE FAZER NO MOMENTO É PRESERVAR O BEBÊ? (Lucas deu um ataque aos berros, sem lembrar de vírgulas em sua gritaria e soltando tudo de uma vez)

   Helen ficou incrédula ao ver o que ele acabara de falar. E num deslize, toda a sala sumiu e Helen caiu desmaiada no sofá.

   - Puta que pariu! PUTA QUE PARIU! Mãe fica com ela, sim ela está grávida e não arregale os olhos. Não contem nada a ninguém e pai vamos comigo? (Lucas)
   - Vamos! (Jorge respondeu ainda estático por saber da gravidez da sobrinha)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Quatro.

   Lucas saiu do hospital cantando pneus. Fazendo Helen dar mais um de seus pitis.

   - Não se esqueça que aqui dentro desse carro tem UMA MULHER GRÁVIDA! SE MATAR MEU FILHO NO SUSTO, EU TE MATO! (Helen berrou na orelha de Lucas)

   Ao invés de parar o carro e encher a cara de Helen de tapas, ele olhou-a sorrindo. Primeira demonstração de carinho materno. Helen arregalou os olhos percebendo o que tinha falado e sentiu-se estranha. Baqueada, claro, mas também emocionada.

   - Ok, me ignora. (Helen)

   Lucas balançou a cabeça rindo e diminuiu a velocidade do carro. Estava nervoso e ansioso pra saber o que era urgente, mas não mataria a prima e muito menos o bebê que ela carregava ainda mais que ele já sentia que aquele pequenino seria seu xodó. Junto com seu filho, claro. Estacionou o carro de qualquer jeito e correu pra dentro da casa. Esquecendo Helen no carro.

   - Nossa como você é cavalheiro, querido primo! (Helen resmungou saindo do carro e batendo com força a porta)

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Três.

   A mãe de Bruna entrou desesperada no apartamento. A porta estava destrancada. Foi andando ao mesmo tempo em que respirava fundo. Sabia que a filha era louca, mas tirar a própria vida era demais. Bruna havia surtado e precisava urgentemente de tratamento médico. Seus olhos arregalaram-se ao ver a filha caída no chão, desacordada e com os pulsos dilacerados. O sangue formava um caminho pelo banheiro.

   - NÃO! (ela gritou horrorizada)




   Helen soluçava incessantemente na lanchonete do hospital. Havia recebido a notícia como uma bomba. Aonde buscaria sentimento de felicidade numa gravidez que foi formada por um casal que não era um casal? Uma relação sem estrutura nenhuma, que não passara de um caso. Ok havia sentimentos antigos, mas que não davam frutos a nada, apenas a um bebê. A um bebê? Cada vez que lembrava do bebê, eram mais lágrimas derramadas. Lucas já não sabia mais o que fazer.

   - Não sei o que fazer com você. (Lucas sussurrou cansado)
   - M-me deixa c-chorar… (Helen sussurrou aos soluços)
   - Mas você está chorando há mais de uma hora! (Lucas)
   - Q-quero chorar minha v-vida inteira, d-daqui pra frente. (Helen)
   - Helen, você tem que estar feliz. Tem uma vida gerando no seu ventre. (Lucas)
   - V-você fica feliz porque é n-no meu e não n-no seu, desgraçado… (Helen atacou)
   - Ok, não precisa agredir! (Lucas)
   - E-eu to ferrada na maior potência da m-matemática… M-mãe solteira, vou tomar um tapa n-na cara do meu p-pai, outra d-da minha mãe e d-de quebra um chute na b-bunda do pai da criança, ops, j-já levei e ainda c-com um chifre g-gigantesco na cabeça. Parabéns H-helen… Você se fudeu! (Helen resmungou chorando)
   - Helen, você é muito negativa! (Lucas resmungou assoprando o cabelo da prima)
   - P-para de assoprar, porra! Não venha m-me jugar, v-você deu um piti q-quando descobriu sobre a B-bruna. (Helen disparou)
   - Ok, não está mais aqui quem falou! (Lucas)



   Lucas apoiou os cotovelos na mesa e segurou o rosto com uma mão, a outra ele tamborilava impaciente. Helen não parava de chorar! Choro e palavrões, misturados com resmungos e mais choro. Estava dando pena vê-la daquele jeito, mas ao mesmo tempo, ela estava fazendo tempestade em um copo de água. Os pais dela, claro, iriam ficar surpresos com a notícia, mas com certeza todas as inseguranças seriam substituídas pela felicidade do primeiro neto. E quanto a Taylor? Óbvio que ele teria um ataque igual ou pior ao de Helen quando descobrisse, mas pelo que conhecia do amigo, jamais a desampararia e ainda isso seria o grande pretexto pra ele se reaproximar, já que sabia que as intenções dele com ela, eram sérias, apesar do incidente com Letícia. Conclusão de tudo: Ele que estava sendo o coitado ao ter que agüentar o piti da prima! Riu sozinho com suas conclusões.

   - Ta r-rindo da minha d-desgraça por quê? (Helen murmurou)
   - Helen, não surte, por favor! (Lucas)
   - Como não s-surte? Já viu a m-minha situação? (Helen)



   E mais uma vez toda a ladainha do começo ao fim. Os tapas na cara, o chifre. O mundo a julgando como uma garota de doze anos que engravida. Até citou as gordurinhas e as estrias que iriam surgir em seu corpo. Sem contar as fraldas sujas e as noites em claro. As olheiras expressivas e a vida amorosa jogada no lixo. Quando iria escutar pela milionésima vez, seu celular vibrou indicando uma mensagem. Helen ficou calada olhando-o ver a mensagem.

   
"Lucas venha logo pra casa.
   É urgente!

   Beijos, mamãe."


   - O que foi? (Helen perguntou não chorando mais)
   - Não sei, mas não senti algo bom nessa mensagem. (Lucas)
   - O que diz? (Helen)
   - Veja. (Lucas falou entregando o celular a prima)

   Helen arregalou os olhos, mas tentou ser positiva pelo menos no caso do primo.

   - Se fosse muito grave, ela ligaria não? (Helen)
   - Não, e é isso que me assusta. Minha mãe se esconde pra dar notícias ruins, ela prefere uma mensagem no celular ou um e-mail, do que falar na cara da pessoa ou no telefone. (Lucas sussurrou preocupado)
   - Mais uma notícia ruim, já não basta por hoje Deus? (Helen resmungou levantando-se da cadeira)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Dois.

   Helen tamborilava os dedos no joelho do primo, impaciente. Os minutos passavam e aquela sala de espera parecia engoli-la. Nunca ficou tão ansiosa e tão angustiada em toda a sua vida. Estava uma pilha de nervos. Transtornada. O que faria caso confirmasse a gravidez? Seu pai queria ser avô, sim… Mas quando ela estivesse devidamente casada. Mas ela nem namorando está. Nem estava namorando quando supostamente engravidou. Seu pai ainda deve achar que ela é virgem. E Taylor? Como iria falar pra ele? "Oi e aí, você vai ser pai tudo bem?" Ou então a melhor solução seria esconder que ele era o pai. Ou quem sabe falar que no exame mensal de ginecologia, ela sem querer foi inseminada. Talvez fosse essa a solução…

   - Helenzinha...


   Ou então barriga de aluguel! Ela não estava trabalhando, mesmo… Então resolveu fazer um “bico”. Falar que foi pega pelo boto? Que engordou demais e no nono mês ela acha um bebê na porta de casa e devido ao estresse ela emagrece?

   - Helenzinhaaaaaaa...

   Pensamentos, desesperos… E cadê as soluções?

   - Helen!

   Helen arregalou os olhos voltando do seu pequeno transe. Olhou pra Lucas que a olhava sem entender em qual mundo ela estava.

   - Vamos o médico está te chamando. (Lucas)

   Helen encolheu-se ainda mais no sofá. O que seria pior, a forca ou o parto? Deus do Céu… O parto! As dores… As anestesias. E depois de tantos devaneios e pensamentos loucos… A sentença foi dada Apertando fortemente a mão do primo, a médica deu o veredito!

   - Parabéns, mamãe. Está na quarta semana de gestação! (Médica)

   E depois disso, bem… A vista escureceu.
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Um.

   Fátima olhava Jorge ler o jornal em silêncio. Tentava puxar assunto, mas na hora de falar, acabava travando.

   - O que você quer Fátima? (Jorge perguntou sem desviar a atenção do jornal)
   - Como? (Fátima)
   - Você deve estar olhando pra minha cara, há umas três horas, no mínimo. (Jorge)
   - Impressão sua. (Fátima desconversou)
   - Fátima, fale… (Jorge falou deixando o jornal de lado e olhando para a esposa)
   - Tudo bem… Eu falo. (Fátima)

   Respirou fundo, pois sabia que ia tratar de um assunto complicado: Lucas.

   - Há uma semana que você não toca em nenhum assunto relacionado ao Lucas. Ele simplesmente disse que ia se separar, detalhe, um casamento que você obrigou, e agora você não diz nada. Nem um escândalo… (Fátima)
   - Ok, então a conversa é sobre o Lucas e o casamento dele? (Jorge)
   - Sim, sobre nosso filho. (Fátima)
   - Sabe quando você cansa de ver burrada em cima de burrada? (Jorge)
   - Ele fez algo sensato na vida, aliás, nem deveria ter se casado com essa Bruna. (Fátima)

   - Eu quando engravidei a mãe do Thiago, eu a amava na época. Quando te engravidei, te amava como ainda amo! Agora eu te pergunto, por que o irresponsável do seu filho engravidou a Bruna? (Jorge)
   - Ele errou sim, tem plena consciência disso… Nunca disse que vai desamparar o filho, mas entende que ele não pode manter um relacionamento com uma pessoa que ele não ama? Pior, que nem se dão bem… (Fátima)
   - A vida não se faz de impulsos, se faz de planejamentos… Plantou burrada, colheu burrada. (Jorge)
   - Por isso ele não pode insistir no erro. O casamento pra ele foi um erro e ele está fazendo certo em terminar. (Fátima)
   - Quando eu faço as coisas pelo Lucas, você e ele acham que estou prejudicando-o, mas pelo contrário, estou tentando salvá-lo. E não digo que é pra ter juízo, e sim porque sei bem o tipo da Bruna e… (Jorge)
   - E o que? (Fátima)
   - Tenho medo do que ela possa tentar contra o Lucas, ela não vai deixar barato… Vai atingi-lo de alguma forma e isso está tirando meu sono há uma semana. (Jorge desabafou preocupado)
   - Você está sabendo de alguma coisa? (Fátima perguntou se preocupando)
   - Não, mas sei que ela não vai deixar passar. Estou quieto porque jurei que não ia mais me meter em nada da vida do Lucas, mas estou muito preocupado. (Jorge)

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta.

   Yasmin entrou em casa aflita. Não conseguia raciocinar sobre nada. Estava prestes a cair no mais venenoso ninho de cobras. O que era seu relacionamento com Lucas? Isso foi o que também martelava em sua mente. Namoro? Caso? Romance? Paixão? Amante? Ele era casado, seu patrão e agora seu pior inimigo dentro daquele hotel sabia. Palmas para a boa sorte de Yasmin… Ironia!

   - Calma Yasmin. Respira fundo! (Yasmin falou sozinha e sentando-se no sofá)

   Respirava fundo tentando se controlar, mas nada a fazia parar de pensar no fato de Marcelo saber sobre seu, bem, sobre sua relação com Lucas. Estava ferrada. Já podia ver as intermináveis chantagens… As ironias. Agora sim ele estamparia pra todo o hotel que Yasmin era aquela prostituta que ele havia acusado injustamente, e agora com esse relacionamento com um homem casado, todos acreditariam em Marcelo.

   - Que desespero! (Yasmin sussurrou)


   Tinha que se acalmar. O leite já estava derramado, agora não poderia chorar em cima. Tinha que arranjar alguma solução. Mentir, nomes diferentes, ora. Ou então, uma alma ia sair do purgatório pelo fato de que ele não iria abrir a boca pra falar nada. Pessoas mudam não? Doce ilusão…

   - Droga! (Yasmin)

   E se ela falasse pra Lucas sobre isso? E se tentasse abafar? E se terminasse com toda essa loucura?

   “Só me meto em problemas. Nenhum passo que eu dê na vida dá certo ou me traz alegria… Quando o céu está azul e ensolarado, um raio forte vem cortando toda a harmonia… E em seguida a tempestade termina de vez com meu dia de Sol!"
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Nove.

   Bruna sorriu terminando de ler um papel.

   - Quis se separar, Lucas Moura? Agora sofrerá com as conseqüências! (Bruna murmurou sozinha)

   Havia planejado durante toda a semana dar um pequeno susto em Lucas. Não iria se prejudicar, mas iria fazer um teatro pra que entendessem que ela estaria tentando se suicidar. Havia lido coisas a respeito sobre suicídio. Iria cortar os pulsos de maneira que não morreria, mas iria dar a entender a tentativa. Pegou um remédio que iria apenas dopá-la. Tratou de avisar sua mãe que tentaria se matar, de maneira que alguém viesse rapidamente “socorrê-la”. Sem piedade, pegou a gilete e fez o corte no braço, pouco abaixo do pulso, para que não corresse nenhum risco. Tomou o remédio e deitou-se no chão do banheiro. Em minutos seu plano daria certo!

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Oito.

   Yasmin terminava de se arrumar pra ir embora. Não havia dançado, apenas ajudou Anaíra com a contabilidade.

   - Já vai embora? (Marcelo entrou na sala assustando-a)

   Yasmin emburrou-se e iria ignorá-lo, mas pra evitar problemas.

   - Vou sim! (Yasmin)
   - Ah! (Marcelo)

   Yasmin pegou sua bolsa e ia sair da sala, mas ele impediu-a.

   - Você pode me dar licença? (Yasmin falou impaciente)
   - Não. (Marcelo)
   - E por que não? (Yasmin perguntou cruzando os braços)
   - Porque encontrei outro dia uma coisa sua e vim devolver, só isso… (Marcelo falou entregando o bilhete pra ela)

   Virou as costas e saiu da sala. Yasmin abriu o bilhete e sentiu como suas pernas falharam. Havia procurado por todos os lugares o bilhete e agora havia tomado um choque, praticamente.

   - N-não pode ser… (Yasmin sussurrou apoiando-se na parede)

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Sete.

   Havia passado uma semana. Helen andava em círculos pelo seu quarto. O nervosismo estava estampado em sua cara. Na noite anterior havia conversado com Letícia pela internet. Haviam brigado, xingaram-se, gritaram, choraram… Tudo pela web cam. Mas no final de toda confusão, as duas conseguiram de uma maneira civilizada voltar a se falar. Isso era o que aliviava Helen. Apesar das mancadas de Letícia, ela não conseguia viver sem sua melhor amiga. Apesar de tudo, a amava demais. E isso também era o sentimento de Letícia.

   Isso não era o que estava tirando Helen do sério, pelo contrário.

   - Cheguei. O que houve? (Lucas)

    Helen virou a cabeça e viu o primo entrando por seu quarto. Respirou fundo sentando-se na cama. Seus olhos automaticamente encheram-se de lágrimas. Estava à beira do desespero.

   - Que foi? (Lucas perguntou se aproximando)
   - U-uma catástrofe! (Helen sussurrou começando a chorar)
   - O que foi Helenzinha? (Lucas)
   - L-lu… (Helen)
   - O que houve? (Lucas perguntou limpando as lágrimas dela)
   - O-olha… (Helen)

   A morena apontou para algo que estava em cima de seu criado-mudo. Lucas levantou-se e olhou a caixa retangular. Olhou pra ela novamente não entendendo.

   - O que é aquilo? (Lucas)

   Helen respirou fundo e o que conseguiu foi chorar ainda mais.

   - Você está me deixando desesperado, Helen. (Lucas)
   - É um t-teste de gravidez… (Helen sussurrou)
   - Como? (Lucas perguntou arregalando os olhos)
   - É isso q-que ouviu… (Helen)
   - M-mas... Helen? (Lucas gaguejou)
   - Deu p-positivo! (Helen confessou aos prantos)

   Lucas arregalou ainda mais os olhos. Helen grávida?

   - Mas, c-como? (Lucas)
   - A minha m-menstruação está atrasada desde a terceira s-semana que estávamos no Egito. E-eu acabei nem percebendo. Enfim, quando voltamos, e-eu não parava de passar mal e n-nada dela vir… Comecei a me t-tocar. (Helen)
   - Meu Deus! (Lucas)
   - E-estou desesperada… (Helen)
   - Helenzinha... (Lucas)
   - É t-teste de farmácia, pode d-dar errado, mas s-sinto que estou mesmo… (Helen)
   - Quer que eu te leve no médico? (Lucas)
   - Q-quero… (Helen)
   - Ok, vamos então, mas antes quero saber o que vai fazer caso seja verdade? (Lucas)
   - E-eu não sei… (Helen)
   - Se for é do Taylor? (Lucas)
   - É! (Helen sussurrou)
   - Vai ter que contar pra ele. (Lucas)
   - E-eu não sei o que fazer… (Helen murmurou ainda chorando)
   - Não pode esconder, ele é o pai. (Lucas)
   - D-depois penso nisso… (Helen)
   - Então vamos. (Lucas)
   - M-meu pai vai me matar… (Helen)
   - Vai nada, o sonho do tio é ter um neto! (Lucas)

   Helen pegou a bolsa e deu um jeito em seu rosto.

   - Posso te falar uma coisa? (Lucas)
   - O que? (Helen)
   - Vou amar te ver barrigudinha! (Lucas afirmou sorrindo e tocando no ventre da prima)
   - Pára! (Helen sussurrou com a voz embargada)
   - Vamos. (Lucas falou sorrindo e beijando-a na testa)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Seis.

   Após pegar o bilhete do chão, Marcelo disfarçadamente colocou-o no bolso. Olhou para os lados e foi encaminhando-se até sua sala. Ao entrar, fechou a porta trancando-a. Não queria ninguém o interrompendo. Sentou-se e sem delongas pegou o bilhete nas mãos.

   - Vejamos… (Marcelo)

   Passou os olhos e leu em silêncio todas as palavras escritas no bilhete. Seus lábios formavam sorrisos irônicos… Cinismo.

   - Lucas M.? (Marcelo perguntou-se)

   A interrogação em sua face, logo foi trocada por uma expressão de deboche. Uma gargalhada alta foi dada, quando encaixou peça por peça.

   - Não é possível? (Marcelo perguntou-se rindo)

   Agora estava tudo explicado! Yasmin não havia apenas conseguido um defensor, e sim um amante.

   - Banca a muçulmana cheia de pudores e sendo amante de um homem casado? E ainda o patrão dela? (Marcelo)


   Ele sentia uma espécie de ódio com sede de vingança. Ódio pela paixão recalcada. Vamos ser realistas, tudo não passava de um fascínio doentio por Yasmin. Paixão fatal. Amor passava longe.

   - Está na minha mão, Odalisca! (Marcelo murmurou)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Cinco.

   O clima na casa dos pais de Lucas não estava nada bom. Jorge havia chegado da viagem.

   - Agora pode me explicando o que faz aqui. (Jorge afirmou sério)
   - Não vou mais ficar casado com a Bruna. (Lucas falou decidido)
   - O que? (Jorge perguntou incrédulo)
   - Isso que o senhor ouviu. Acabou meu casamento, não vou mais aturar essa relação. (Lucas)
   - Você ficou maluco? (Jorge perguntou nervoso)
   - Se acalme Jorge. (Fátima)
   - Eu fiquei maluco no dia em que me propus a se casar com a Bruna. (Lucas)
   - Eu vou ficar maluco, só pode… (Jorge sussurrou sentando-se no sofá)
   - Está passando mal? (Fátima perguntou assustada)
   - Pai… (Lucas)
   - Me responde. O que eu fiz de errado com você? (Jorge)
   - Fizemos, tanto eu como o senhor erramos. O senhor de achar que poderia manipular a minha vida assim como manipula peças de xadrez, e eu, por deixar… (Lucas)

   Jorge engoliu em seco a resposta de Lucas.

   - Daqui alguns dias, tenho um evento em Dubai e depois tenho que ir em uma festa no hotel do Egito, acho que seria bom você ir comigo… (Jorge afirmou sério e levantando-se)

   Não disse mais nada, apenas subiu as escadas calado.

   - Eu não entendo nada… Nada! A louca vem faz escândalo e sai calada, pensei que seu pai fosse quebrar tudo e não fala nada. Eu acho que quem vai enlouquecer de vez sou eu. (Fátima)

   Lucas ficou calado tentando digerir o que o pai havia falado.

   - Você também vai ficar calado? (Fátima)
   - Viu isso? (Lucas)
   - Claro que vi. Seu pai quer me deixar louca. Já estava preparada pra apartar a briga de vocês dois e olhe no que deu. (Fátima)
   - Ele não aceitou, eu sei, mas não estou falando disso. (Lucas)
   - Está falando do que então? (Fátima perguntou sem paciência)
   - Ele me fez um convite pra… (Lucas)
   - Sim, te chamou pra um tal evento em Dubai e uma festa no Egito, pelo amor de Deus, ele ficou doido, faz três dias que você voltou de lá e quer que você vá de novo. (Fátima)

   Lucas abriu a boca e sorriu incrédulo. Voltaria pro Egito?

   - Mãe, eu te amo! (Lucas exclamou sorrindo e abraçando forte a mãe)
   - Eu também te amo, mas o que é isso? (Fátima perguntou incrédula)
   - Eu amo o mundo! (Lucas)

   Saiu correndo pelas escadas.

   - Deus, essa cena não existiu não é mesmo? Foi tudo um fruto da minha imaginação não é? (Fátima)

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Quatro.

   Três dias haviam passado desde que Helen e Lucas foram embora pro Brasil. Pra Yasmin, parecia uma eternidade… As horas empacavam, como se os ponteiros do relógio tivessem sido pregados. Estava sentada na sala de apresentações. Via as outras ensaiarem e ria de algumas coisas que elas faziam.

   - Yasmin?

   Yasmin virou para frente e deparou-se com a bela cabeleira loira. Sorriu tímida pra Letícia que lhe devolveu o sorriso.

   - Oi! (Yasmin)
   - Tudo bem? (Letícia)
   - Sim e você? (Yasmin)
   - Também… Bem nos últimos dois dias eu acabei indo pra outra cidade, sabe como é não é? Estou no Egito então tenho que aproveitar. (Letícia)
   - Tem que aproveitar mesmo, o Egito é lindo. (Yasmin)
   - Lindo demais, diga-se de passagem. Bem, antes de o Lucas ir embora, ele me pediu pra te entregar isso. (Letícia falou entregando a Yasmin uma caixa de presente preta, com um laço dourado fechando-a)
   - Pra mim? (Yasmin perguntou pegando-a)
   - Sim… Vou indo porque tenho que resolver algumas coisinhas. A gente se vê! (Letícia falou sorrindo)
   - Tchau! (Yasmin)

   Yasmin olhou para a caixa e não pôde evitar desenhar em seus lábios um lindo sorriso. Aquilo seria um presente não? Desfez o laço com bastante delicadeza, abriu a caixa e seus olhos brilharam ao recordar-se…

   
Yasmin pegou nas mãos um delicado véu negro, que tinha pequenos bordados no mesmo tom, que intercalavam com pequenas pedrarias douradas. Era deslumbrante. Vendo em sua frente um espelho. Ela não resistiu e colocou-o sobre seu rosto, deixando à mostra somente os olhos.

   Era o mesmo véu… O que ela havia gostado. Ele tinha comprado pra ela. De presente. Pôde sentir como uma borboleta voava em seu estômago. Seu coração parecia querer saltar pela boca. Tudo isso por apenas um presente. Dele! Entre o véu tinha um pedaço de papel dobrado. Yasmin pegou-o e respirou fundo antes de ler, senão da maneira que se encontrava, ela iria enfartar fácil.

   
"Nada foi mais belo do que te ver dançando…
   Algo mais especial ainda, dançando pra mim.
   E essa será a maior recordação que guardarei ao voltar pro Brasil, lembrar que uma linda Odalisca dos olhos enigmáticos, me fez apaixonar-se somente com sua maneira doce e fatal de bailar.
   Guarda esse véu com carinho e faça o juramento de usá-lo na próxima vez que me ver…

   Lucas M."


   Yasmin sorriu ainda mais. Pra completar ele era carinhoso… Levantou e seguiu correndo para um dos camarins. Ia guardar o véu em suas coisas. Antes de entrar na sala, sentiu alguém lhe puxando pelo braço. Estremeceu ao dar de cara com Marcelo.

   - Me solta! (Yasmin)
   - Sentiu minha falta? (Marcelo perguntou maldoso)
   - Por mim você podia ficar de folga pra sempre… Me solta, por favor? (Yasmin)
   - Mas não fiquei e agora seu protetor foi embora, ou seja, estou aqui e abra seu olho. (Marcelo afirmou sorrindo e soltando-a)

   Yasmin olhou-o com ódio e entrou no camarim. Estava com vontade de matá-lo. Novamente importunando-a? Era demais pra sua cabeça. Mas não percebeu o vacilo que deu ao entrar apressada no camarim. Acabou deixando cair o bilhete e Marcelo astuto pegou-o do chão…

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Três.

   - QUE BILHETE É ESSE? (Bruna gritou jogando o bilhete em cima do sofá)
   - Pare de escândalos. (Lucas afirmou sério)
   - O que faço? (um dos seguranças perguntou à Fátima)
   - Pode voltar pra portaria, não se preocupe querido. (Fátima)
   - Tem certeza, senhora? (o segurança)
   - Sim, pode ir e obrigada! (Fátima completou descendo toda a escada)
   - Qualquer coisa me chame e com licença. (o segurança)

   Dos olhos de Bruna, pareciam sair pequenas faíscas. Estava com ódio, era visível.

   - Olhe o seu estado, isso não é bom para o bebê. (Fátima)
   - CALA A BOCA MALDITA! (Bruna)
   - Não fale dessa maneira com a minha mãe, NÃO ADMITO. (Lucas estourou)
   - Sem gritaria os dois! Bruna o que faz aqui essa hora? E dando escândalos? Volte amanhã e converse de maneira civilizada. (Fátima)
   - NÃO VOU SAIR. (Bruna)
   - Para de gritar aqui na minha casa. (Fátima pediu sem paciência)
   - NÃO PARO DE GRITAR ATÉ QUE ME EXPLIQUE ESSE BILHETE! (Bruna)
   - Explico claro, já tinha te avisado, inclusive quis conversar, mas você me ignorou e saiu, talvez pra encontrar com seu amiguinho da noite passada, enfim, acabou esse ensaio de casamento… (Lucas)


   Nada mais foi dito, Bruna deu as costas e saiu da sala sem pronunciar uma palavra. Lucas e Fátima se olharem incrédulos. Tanto escândalo, gritos, histeria e má educação pra na hora que ela poderia dar um show, simplesmente vira e sai sem falar um pio.

   - Você entendeu alguma coisa? (Fátima perguntou olhando para o filho)
   - Entendi sim. Preferia que ela tivesse a atitude que teve quando chegou, porque agora ela vai me pegar pelas costas, totalmente desprevenido. (Lucas murmurou preocupado)
   - Toda cobra é traiçoeira. (Fátima)
   - Mas seja o que Deus quiser. (Lucas)
   - Vai dar tudo certo, meu amor! (Fátima)
   - Vai dar mãe, eu confio que vai. (Lucas)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Dois.

   Fátima desceu as escadas da grande mansão correndo e ao ver Lucas sentado no sofá, seus olhos encheram-se de lágrimas.

   - Meu bebê. (Fátima)


   Lucas levantou-se sorrindo e ao abraçar a mãe, a rodopiou no ar como sempre fazia, deixando-a ainda mais aos prantos.

   - Que s-saudades… (Fátima sussurrou beijando-o por todo o rosto)
   - Eu também, dona Fátima. (Lucas afirmou sorrindo e plantando um beijo na testa dela)
   - Como você m-me faz falta… (Fátima falou abraçando-o mais ainda)
   - Mas agora voltei. E pra ficar. (Lucas)

   Lucas deu ênfase no ficar, pois ele estava mais do que decidido a ficar ali na casa dos pais, com Jorge berrando ou não. Alexandra parou e olhou-o um pouco confusa e ao olhar pro lado, algumas malas… Voltou a olhar pra ele e agora os mesmos olhos estavam arregalados, pois ela sabia que ele já tinha ido pra casa, ou seja, as malas teriam que estar lá.

   - Cansei! (Lucas)
   - Lucas… L-lu… (Fátima sussurrou limpando os olhos e completamente sem ação)
   - Eu vou ficar aqui e pela primeira vez na vida fazer algo que eu queira, não que seja desejo de meu pai. (Lucas afirmou decidido)
   - Você está me d-dizendo… (Fátima)
   - Não continuo essa farsa ridícula de casamento. (Lucas)
   - Meu D-deus… (Fátima sussurrou assustada e sentando-se no sofá devido ao impacto da situação)

   O rosto de Fátima rapidamente empalideceu e Lucas assustou-se.

   - Mãe… (Lucas falou socorrendo-a)
   - Estou b-bem… (Fátima falou expirando e inspirando rapidamente)
   - O que houve? Foi pressão? (Lucas perguntou preocupado)
   - Foi… Foi susto. Pelo amor de Deus Lucas, o que pretende com isso? (Fátima)
   - Pretendo ser feliz! (Lucas)

   E todo o sermão que estava na ponta da língua de Fátima, desmoronou como a queda de uma cachoeira. O que falar pra um filho quando ele se desfaz de uma coisa porque é infeliz com aquilo? Fátima nunca foi a favor da atitude radical de Jorge, mas também nunca foi a favor de se abandonar e não assumir um filho. Mas amor… Amor! O que mais Fátima prezava em uma relação, isso que sentia por Jorge, e não o que Lucas sentia por Bruna. Lucas infeliz soava pra ela como a morte. Melhor dizendo, uma morte dolorida. E só de pensar nos gritos de Jorge ao saber da “novidade” já lhe faziam doer a cabeça, mas Lucas infeliz… Nunca! Isso pra ela era o fim, definitivamente.

   - Não sei o q-que dizer… Seu pai vai te matar, mas você i-infeliz… (Fátima falou respirando fundo)
   - Meu pai não vai me apoiar e pouco me importa, me importo com o seu apoio, porque sei que vou enfrentar uma barra enorme, ainda mais que… (Lucas)
   - Ainda mais que? (Fátima)
   - Que vou me separar, isso. (Lucas falou engolindo as palavras sobre Yasmin, ainda não era o momento pra revelar)
   - Vai enfrentar uma barra mesmo filho, mas aconteça o que acontecer, estou aqui e do seu lado, não vou me meter na sua atitude porque melhor do que você pra saber o que te faz feliz, não tem ninguém. (Fátima)
   - Eu sabia que a senhora falaria isso. (Lucas sussurrou sorrindo e abraçando a mãe)
   - Eu te amo e tudo que te faça feliz, eu apóio. (Fátima)
   - Também te amo mãe e obrigado! (Lucas falou sorrindo)
   - De nada, meu querido. Mas te aviso pra ter fibra e coragem, vão te bombardear e não quero te ver sofrer. (Fátima)
   - Eu não vou sofrer, sofri antes casando por obrigação, agora é tudo diferente… (Lucas falou com os olhos brilhando)

   Fátima analisou aquele comportamento e ficou com uma interrogação na cabeça. A atitude de Lucas não era normal, em outros tempos, melhor dizendo, até o mês que passou, ele não teria coragem de fazer isso…

   - Você está diferente… (Fátima)
   - Diferente? (Lucas perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas)
   - Alguma coisa aconteceu, algo me diz… (Fátima)

   Lucas apenas sorriu e limitou-se a ficar em silêncio. Aquela velha história de intuição de mãe.

   - Onde está meu pai? Quero acabar logo com isso tudo… (Lucas)
   - Ele teve que ir até a Argentina resolver algumas coisas, volta em dois dias. (Fátima)

   Lucas suspirou, teria que esperar e isso era o que ele menos queria. Queria resolver tudo já. Não podia mais esperar nada!

   - Em dois dias você resolver tudo, querido. (Fátima)
   - É o jeito… (Lucas)
   - Estou temerosa, de verdade. Não confio na Bruna. (Fátima murmurou preocupada)

   E aquilo ficou martelando na cabeça de Fátima. O mundo iria cair na cabeça de Lucas e não queria ver isso, não iria suportar ver as pessoas em volta atirando pedras nele. Iria defendê-lo, mas temia que isso enfraquecesse Lucas e que ele iria voltar com Bruna por pura pressão. E ao ver a determinação do filho o que mais ela pôde sentir foi orgulho, pois viu que atrás do pau mandado de Jorge, existia o filho ser humano e valente que ela havia tido com tanto amor. E naquela noite, antes de dormir, Lucas recebeu um agrado igual ao que recebia todas as noites de sua mãe quando morava ali, seu leite quente e aquele beijo na bochecha que não era substituído por nada em seu coração. Eram duas e meia da manhã quando a campainha da mansão tocava intensamente, fazendo Lucas e Fátima pularem da cama. E a gritaria embaixo quando um dos seguranças da casa abriu, se destacava ainda mais. Fátima e Lucas desceram assustados e tomaram um susto ao ver quem era. Lucas respirou fundo…
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Um.

   Helen jogou as malas no chão de seu quarto ao chegar. Respirou fundo ao estar mais uma vez no Brasil, claro que estava feliz, mas ao mesmo tempo sentia um vazio. Não somente por Taylor, mas também por Letícia. Depois de um banho, jantou com seu pai, André, já que sua mãe tinha ido ao shopping.

   - Você me deixou com vontade de conhecer o Egito, filha! (André)
   - É um país lindo, pai. (Helen)
   - Vamos nas férias? (André)
   - Repetir viagem não rola meu querido, quero ir pra Dubai. Pai, paga pra mim? (Helen)
   - Por acaso eu tenho cara de banco ou de cara rico? (André brincou)
   - Tem. (Helen entrou na brincadeira fazendo cara de choro)
   - Ok, vou assaltar um banco essa semana e depois vou traficar alguns baseados, aí você pode ir pra onde você quiser. (André)
   - Fechado, meu gordinho lindo. (Helen afirmou abraçando o pai e em seguida rindo)
   - Depois dessa, você não vai nem pra esquina de casa. (André)
   - É brincadeirinha. (Helen falou apertando as bochechas do pai)

terça-feira, 6 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta.

   Ao sair do banho, Lucas parecia renovado. As horas de vôo o deixavam completamente estafado e nada melhor que refrescar o corpo e principalmente a alma. Mas mais do que isso, era a coragem de acabar com seu casamento de uma vez por todas. Saiu do quarto procurando Bruna. Mais uma frustração, ela havia saído. Parecia brincadeira do destino. Mas uma coisa lhe chamou a atenção: o notebook de Bruna. Ela havia o esquecido aberto, e uma mensagem estava laranja na barra de tarefas. Sentindo-se culpado por invadir a privacidade dela, mas não se contendo, abriu a mensagem e leu atentamente:

   
Linda, ontem nossas horas juntas foram maravilhosas.
   Já estou com saudades.
   Quando nos encontraremos novamente?


   Lucas deu uma sonora gargalhada, rindo da própria desgraça. Deus, sua vida com Bruna era patética. Seu casamento, a situação. Tudo era patético, pra não falar coisas mais pesadas. Depois disso fechou o notebook e seguiu para seu quarto. Não teria conversa nenhuma. Mas naquele apartamento, ele não ficaria mais nenhum segundo

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Nove.

   Yasmin acabara de entrar em sua casa. Tinha chego do trabalho e no Egito já passava das dez da noite. Estava cansada, mas o que mais lhe deixava frustrada é que passou um dia inteiro no hotel e não o viu. Já estava acostumada com aquela rotina e agora seria um pouco difícil acostumar-se novamente sem ele. Largou sua mochila em cima do sofá da sala, pois sua preguiça estava gigante. Havia tomado banho antes de sair do hotel, então precisaria apenas colocar seu pijama. Mas ao entrar no quarto, sentiu seu celular vibrar, o tirou do bolso da calça e o abriu. Era uma mensagem:

   "Cheguei agora a pouco no Brasil.
   Aqui está uma loucura pela tal gripe suína, não sei se viu?
   Está sério mesmo. 
   Enfim, estou mandando essa mensagem pra te dizer que queria estar aí. 

   Se cuida, Odalisca e não esqueça que aqui na América do Sul, tem um ser pensando em outro ser que está aí na África. 
   Beijos e bons sonhos, já que aí é noite não?
   Lucas M."

   Yasmin deu um lindo sorriso ao terminar de ler aquela mensagem. Agora sentia de fato o que era ter mariposas e borboletas voando em seu estômago. Fora que sorria sozinha pelos cantos, ao ponto de Anaíra perceber e questioná-la. Mas Yasmin, por enquanto, não contaria a amiga, uma precaução talvez. Colocou um top branco, um short da mesma cor e uma meia preta que ia até o joelho. Adorava meias assim. Comeu alguma coisa e depois foi pra seu quarto. Deitou-se e ficou assistindo TV, mas sempre se pegava abrindo o celular e lendo novamente a mensagem. E claro, sorrindo feito boba!
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Oito.

   São Paulo.

   Helen e Lucas, assim como todos os passageiros, tiveram que colocar as máscaras de proteção na hora de desembarcarem. Conseqüência da epidemia de Gripe Suína. No saguão Lucas avistou Bruna com uma máscara no rosto e não pôde evitar de olhar pra barriga dela, agora bem saliente. Sentiu um aperto no coração. Estava de volta pra casa e pra sua vida de casado… Bem, vida que ele daria um ponto final!


   Bruna e Lucas seguiram pra casa, já que Helen foi com os pais que também a esperavam no aeroporto. Ao entrar no apartamento, Lucas suspirou pesadamente. Nunca havia ficado tão frustrado ao voltar de uma viagem. Foi arrastando as malas até o quarto. Bruna o seguia sorridente.

   - Há muito tempo está tendo essa gripe? (Lucas)
   - Não viu nos noticiários? (Bruna perguntou espantada)
   - Vi pouca coisa, mas nem prestei atenção direito, não fazia idéia da gravidade. (Lucas)
   - É bem sério. (Bruna)
   - Com você está tudo bem não é? (Lucas)
   - Sim, está. Melhor agora que você voltou. Viu como cresceu? (Bruna falou sorrindo e pegando a mão de Lucas, em seguida colocou no ventre dela)

   Ele engoliu em seco e sentiu o coração acelerado. Tudo iria desmoronar sobre sua cabeça. Tudo!

   - Vi sim, está bem grande já. (Lucas respondeu sorrindo tímido)
   - Tentei descobrir o sexo, mas o bebê estava com a perninha cruzada, então não teve como. (Bruna)

   Lucas sorriu pensativo. Bruna aproximou-se dele e num vacilo, deu um selinho nele. Ia aprofundar o beijo…

   - Me espera, Odalisca que eu vou te fazer feliz… (Lucas)

   No reflexo, Lucas afastou-a.

   - Por que me afastou? (Bruna)
   - Bruna… (Lucas)
   - Vai começar com a história de casamento falido, de aparências e não sei o que mais? (Bruna)
   - Precisamos conversar. (Lucas falou sério)
   - Sobre o que? Sua lamentação de sempre? Sério, estou cansada. Eu tento te receber bem, ser agradável e tentar algo pra salvar nosso casamento, mas você não colabora. (Bruna esbravejou)
   - Por essas razões devemos conversar. (Lucas)
   - Não vou ficar repetindo a conversa de sempre, não mesmo. (Bruna afirmou impaciente)
   - Bruna, por favor… (Lucas pediu)
   - Eu me estressei com você, sério. Prefiro conversar depois. (Bruna)
   - Quero agora! (Lucas falou firme)
  - Eu não. (Bruna murmurou irritada e indo na direção do closet, em seguida entrou no banheiro)

   Lucas suspirou irritado. Dois minutos de conversa civilizada com Bruna, era tempo demais. Mas estava decidido. Aquela conversa seria hoje, pensou durante todas as quase vinte horas de viagem sobre o assunto. Não poderia mais insistir naquele casamento. E mesmo que Bruna ficasse horas dentro do banheiro, ele a esperaria ali sentado na cama, suando frio de nervoso, pois estava prestes a dar um passo importante em sua vida, que o faria feliz, mas ao mesmo tempo, transformaria sua vida em um inferno, mas esse “inferno”, era quase remoto perto do fato de ser casado com Bruna, uma mulher que nunca sequer amou.

   Mas parecia que Bruna queria brincar com a cara dele, ao ponto de deixá-lo cansado. Irritado, arrastou uma de suas malas e seu notebook para outro quarto. Precisava de um banho, precisava relaxar. Não iria desfazer mala alguma, pois sua intenção era sair daquele apartamento o mais rápido possível, mas precisava de alguma roupa. Mas antes de entrar em um banho, pegou sua carteira e de lá tirou um papelzinho. Pegou seu celular e sentou-se na cama.
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Sete.

   A voz de Yasmin ecoou pelo local, chamando a atenção das pessoas que estavam em volta, mais ainda de Helen e Lucas. E quando ele viu quem era, seu coração acelerou.

   - Acho que ela quis vir dar um último tchau, vai lá. (Helen falou sorrindo e empurrando-o, já que ele estava travado)

   Helen acenou pra Yasmin de longe e encostou-se na entrada da sala de embarque. Esperaria pelo primo.

   - Desculpa gritar assim. (Yasmin falou envergonhada quando Lucas chegou até ela)
   - O que houve? (Lucas perguntou não conseguindo deixar de sorrir)
   - Esqueci uma coisa… (Yasmin)
   - O que? (Lucas)
   - Prometi que ia conseguir um Alcorão pra você, me desculpe eu esqueci. Mas tenho uma saída pra isso… (Yasmin)
   - Estou ouvindo. (Lucas)
   - Eu ganhei esse Alcorão do meu pai e quero te dar de presente. (Yasmin falou entendendo o Alcorão pra ele)
   - Do seu pai? Não, ele é seu… Ainda mais sendo um presente dele. (Lucas)
   - Aceite, por favor, é um jeito que me faz saber que você vai estar bem, protegido. Com um pedacinho de mim. (Yasmin sussurrou)


   Yasmin era apaixonante. Isso era um fato. Lucas pegou o Alcorão com todo cuidado do mundo, era mais do que um presente, era como uma prova… De amor!

   - Tem um pedação gigante de você, aqui… (Lucas sussurrou colocando a mão no coração)
   - Alá vai sempre estar ao seu lado. (Yasmin falou sorrindo)
   - E isso graças a você. E outra coisa, eu também sinto o amor… (Lucas sussurrou)

   Yasmin meditou sobre as palavras dele, enquanto desfrutava mais uma vez de um beijo. As palavras eram as mesmas que ela havia escrito em árabe na mão dele. E mesmo que fosse precipitado e pequeno, assim era a maneira que ela sentia amor por ele e tinha a certeza que no futuro aquela Lua Crescente, se transformaria numa grande e luminosa Lua Cheia. Uma profecia.

   - Me espera, Odalisca, que eu vou te fazer feliz! (Lucas)

   Foram essas as últimas palavras de Lucas antes de entrar na sala de embarque.

   “Foi doloroso vê-lo partir, mas não tenho mais o que fazer. Só me resta esperar e ver o que o destino nos reserva, mas agradeço a Alá e ao meu ab, que com certeza colocaram o Lucas na minha vida pra preencher um lado vazio, pra acender a chama do amor em meu coração. E eu espero que todos os meus sonhos se realizem a partir desse amor, pois o que mais me alegra é não sentir o chão e ter esse friozinho na barriga quando ele está perto de mim. Vou sentir saudades, por enquanto, pois sei que essa história apenas começou…”



   “Nunca pensei que fosse tão ruim ir embora de um lugar… Quer dizer, o lugar. Rico em cultura, em mistérios, em beleza. O país mais bonito que já conheci, o mais encantador e enigmático. Não tenho como descrever a emoção de chegar a um local que abriga as maiores construções e as mais belas do mundo antigo, as mais inexplicáveis. Você já parou pra pensar que na época onde não tinha tecnologia nenhuma, pessoas conseguiram mover pedras gigantescas e as empilharem? Com o detalhe de que foi tudo encaixado com perfeição e sobrevive há milênios. Mas fora toda essa beleza, acho que encontrei a oitava maravilha atrás de um véu… Atrás de um requebrado instigante e de um olhar atraente… A mais bela Odalisca que eu já vi, a mais doce e meiga… A que jogou em cima de mim o feitiço do Oriente… E só devo agradecer a esse país, que de maneira indireta, me deu de presente algo mais especial que o tesouro de um faraó!
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Seis.

   - Tem certeza que vai embora sem nem dar tchau pra ele? (Lucas)
   - Absoluta. Já devíamos ter isso há muito tempo. (Helen falou indiferente)
   - Helen? (Lucas)
   - Vamos embora, por favor? (Helen)
   - Ok! (Lucas)

   Lucas pediu ao motorista para dar partida. Mas claro que eles iriam desviar o caminho, antes de irem ao aeroporto. Yasmin terminava de lavar a louça quando a campainha tocou. Abriu a porta e em troca recebeu o sorriso mais lindo do mundo. O coração de ambos acelerou expressivamente. Estavam apaixonados, completamente apaixonados. Não havia mais como negar. Já era um fato. E mesmo que aquela não fosse uma despedida definitiva, para ambos era como uma pequena tortura. Afinal de contas aquela certeza de poder ver um ao outro todos os dias, agora já era remota.

   - Estou indo. (Lucas sussurrou com um brilho intenso no olhar)

   Brilho no olhar. Algo que há tempos não se via em Lucas, por mais sedutor que fosse com os olhos, esse brilho ele já havia perdido. Mas graças a Yasmin, ele havia recuperado. Sem pensar muito, a jovem o abraçou tão apertado que se Lucas não fosse forte, talvez tivesse sentido o impacto de ir pra trás. Mas era o abraço mais gostoso que ele já havia recebido. Com um toque especial que apenas ela tinha.

   - Eu vou voltar, te juro! (Lucas sussurrou no ouvido dela)
   - Eu acredito. (Yasmin)
   - Qualquer coisa que aconteça, peça ajuda ao Taylor. Ele vai estar a sua disposição. (Lucas)
   - Shokran, habib’e. (Yasmin sussurrou antes de sentir os lábios dele encostando em seus lábios)


   Quando Lucas saiu do apartamento de Yasmin, ela bateu a mão na testa ao ver seu Alcorão. Tentou correr atrás dele, mas este já havia ido embora. Não lhe restava alternativa. Pegou o Alcorão nas mãos e colocou no bolso de sua calça dinheiro e seu documento de identidade. Teria que correr até o aeroporto. Lucas e Helen acabavam de fazer o check-in no balcão da empresa Aero Brasil. Seria uma viagem longa, com escala em Londres, assim como na ida. Os dois apenas aguardavam a hora do vôo ser anunciado pra eles entrarem na sala de embarque.

   - Esse país é lindo não? (Helen)
   - Demais, têm belezas enigmáticas, tem mistério, magia… (Lucas)
   - Tem a Yasmin. (Helen falou sorrindo)
   - Tem o Taylor. (Lucas falou retribuindo o sorriso)
   - Tem a Cleópatra. (Helen brincou)
   - Tem uma galera. (Lucas)
   - Vou sentir saudades daqui, e também do traste do Lautner. (Helen falou fazendo bico)
   - Quero ser padrinho do casamento. (Lucas falou beijando a mão da prima)
   - Nem brinca! (Helen)

   Os dois pararam ao ouvir o anúncio do vôo. Levantaram e Helen automaticamente colocou a mão na boca.

   - Que foi? (Lucas)
   - Pré-avião. Odeio viajar nesse treco que voa, já sinto enjôo antes. (Helen resmungou)
   - Você vai dormir lá dentro e com isso melhora. (Lucas)
   - Espero… (Helen murmurou abraçando-o de lado)

   Quando entravam na sala de embarque.
 
   - LUCAS, ESPERA!

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Cinco.

   No dia seguinte, Lucas havia terminado de colocar as coisas no carro. O motorista do hotel iria levá-los ao aeroporto.

   - Passou rápido, não é? (Taylor falou ao mesmo tempo em que olhava Helen entrando no carro)
   - Muito… (Lucas falou suspirando)
   - Quando chegarem ao Brasil, me ligue avisando. (Taylor)
   - Pode deixar. Tem certeza que não quer ir ao aeroporto com a gente? (Lucas)
   - Tenho. Não quero ficar vendo a Helen e não falando com ela, me sinto mal… (Taylor)
   - Espero que essa fase entre vocês dois passe, de verdade, por mais que não concordo nenhum pouco com o que você e a Let fizeram, eu ainda acho vocês dois um casal perfeito. (Lucas)
   - Obrigado cara… Mas acho que é isso, eu e a Helen como ela mesma disse, apenas no sexo. (Taylor)
   - Não fale isso, ela estava nervosa e falou coisas sem pensar. (Lucas)
   - Magoou, mas deixa pra lá. Antes de te desejar mais uma vez boa viagem eu queria te elogiar. (Taylor)
   - Por quê? (Lucas)
   - Fez um ótimo trabalho, apesar de não gostar da área de administração, você se saiu muito bem. Vou falar pro tio que você está aprovado. (Taylor falou sorrindo)
   - Aqui não foi sozinho, foi a parceria. (Lucas falou pegando na mão do amigo)

   Taylor sorriu e abraçou Lucas.

   - Posso pedir uma coisa? (Lucas falou ao sair do abraço)
   - Pode! (Taylor)
   - Você sabe quanto tempo vai ficar aqui? (Lucas)
   - Não, mas creio que ainda bastante. Aqui é o lugar que mais precisa de mim, os outros hotéis estão estabilizados. (Taylor)
   - É… então… (Lucas)
   - Então? (Taylor)
   - Fique de olho naquele Marcelo com a Yasmin? (Lucas)

   - Que? (Taylor perguntou rindo)
   - É sério, não o deixe atormenta-la. Se ele tentar algo contra ela, mande embora logo. (Lucas)
   - Ok, patrão. (Taylor falou rindo)
   - Vou tentar voltar pra cá, gostei de trabalhar aqui… (Lucas)
   - Sei… (Taylor zombou)
   - É sério, cara… (Lucas)
   - Pode deixar que vou cuidar diretinho da Yasmin Rosa. Nada vai acontecer com ela. (Taylor)
   - Valeu. (Lucas)
   - E depois me conta se ela é boa na cama. (Taylor brincou)
   - Idiota… (Lucas)
   - Brincadeira. Boa viagem cara! (Taylor)
   - Obrigado e mesmo que você esteja segurando, eu cuido da Helen pra você. (Lucas)

   Taylor apenas sorriu e mais uma vez abraçou o amigo. Lucas entrou no carro olhando o hotel… Coisas boas lhe vinham na mente. O lugar que conheceu Yasmin! Sua pequena e tímida Odalisca. A garota mais incrível que já passou por sua vida, a mais linda também, tanto no físico quanto na alma. E parecia que cada segundo que passasse, ele tinha mais forças pra chegar ao Brasil e decidir de uma vez por todas a sua vida. Não tinha Cristo que iria impedi-lo de ser feliz… Agora estava tudo planejado e arquitetado em sua mente, e não era um plano mirabolante pra dominar o mundo, era apenas um plano pra poder ser feliz. E o principal ele tinha, a fé de que isso iria se concretizar.
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Quatro.

   Lucas e Taylor arregalaram os olhos, ao mesmo tempo em que deram passos em direção a Helen.

   - Pirou? (Lucas)
   - Ficou maluca? (Taylor)
   - Vou contar mesmo. (Helen falou cruzando os braços)
   - Eu te esgano se você falar isso. (Lucas)
   - E eu te mato. (Taylor)
   - Com ele eu até posso falar, mas com você não. (Helen falou brava olhando pra Taylor)
   - Não precisa falar. (Taylor retrucou)
   - Ok, vocês ainda estão no meu quarto, se quiserem discutir relação, vão pra fora. (Lucas)
   - Não estou discutindo relação, até porque não discuto mais nada com ele. (Helen)
   - Eu também não discuto mais nada com você. (Taylor rebateu)
   - Acha que vou discutir com uma pessoa insignificante? (Helen)
   - Eu menos ainda. (Taylor)
   - ENTÃO PORQUE FICA ME RETRUCANDO? (Helen)
   - PORQUE VOCÊ COMEÇOU. (Taylor)
   - E VOCÊ CONTINUOU. (Helen)
   - E VOU CONTINUAR QUANTAS VEZES EU QUISER. (Taylor)

   Lucas tampou os ouvidos revirando os olhos. Começou a contar até dez, até que…

   - CHEGAA! (Lucas gritou pulando na cama)

   Helen e Taylor pararam e olharam pra Lucas. Ambos de braços cruzados e fazendo birra.

   - Depois eu que sou bebê. Parecem duas crianças mimadas. Poupem-me e saíam já daqui, quero dormir e vocês não estão deixando. (Lucas)
   - Que culpa eu tenho se ele resolveu beijar a minha melhor amiga? Ex, quer dizer… (Helen sussurrou chorosa)

   - Helen... (Taylor)
   - Mas sabe que a Letícia me deu uma luz, afinal de contas é nessas horas que você descobre o caráter da pessoa e percebe o quanto ela não presta. Aí você para e pensa que deveria ter te usado mais, sabe aquela história de só aproveitar na hora do sexo? Porque pra mim, de você a única coisa que é boa, é o sexo… (Helen atacou)
   - Helen. (Lucas)
   - Não vou mais falar sobre isso… (Taylor falou pegando a calça jeans que estava sobre a cadeira)
   - É um favor que você me faz. (Helen resmungou indo até a cama e sentando)
   - Não se preocupe que vou fazer esse grande favor pra você, a propósito boa viagem, pois não quero mais olhar pra sua cara. E não é só amanhã, é nunca mais… (Taylor falou sério e abotoando a calça)

   Nem se deu ao trabalho de vestir sua camisa e nem o sapato. Apenas pegou na mão e saiu do quarto batendo a porta com força.

   - Ainda fica bravo, IDIOTA… (Helen gritou levantando da cama com raiva)
   - Não precisava ter falado daquela maneira. (Lucas repreendeu-a)
   - Ele me traiu, d-droga… (Helen falou com os olhos cheios de lágrima)
   - Eu sei, mas não duvide do caráter de um homem como o Taylor, ele errou muito, mas não é um cara ruim. (Lucas falou defendendo Taylor)
   - Você ainda d-defende ele? (Helen falou começando a chorar)
   - Helen, ele errou, mas não é isso que você falou, você mesma sabe disso. (Lucas)
   - E-exagerei não é? (Helen perguntou chorando)
   - Sim, mas não chore. (Lucas falou aproximando-se dela e abraçando-a)
   - N-não duvido do caráter dele, m-mas ele magoou… Muito! (Helen sussurrou apertando o abraço)
   - Dê tempo ao tempo… (Lucas falou beijando a cabeça dela)

   Helen saiu do abraço com uma cara estranha, andando pelo quarto.

   - Aonde vai? (Lucas)
   - No banheiro, to passando m-mal… (Helen falou aos prantos)
   - Ai Helen… (Lucas murmurou seguindo-a)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quarenta e Três.

   - Valeu cara, de verdade! (Taylor falou levantando-se e indo abraçá-lo)
   - Não encoste em mim, antes que eu me arrependa. (Lucas)
   - Você é um baita de um preconceituoso. (Taylor)
   - Não reclama. (Lucas)
   - Tudo bem, vou parar de falar. Me diz, tem uma escova de dente sobrando? Estou com preguiça de ir ao meu quarto. (Taylor)
   - Tem no armário do banheiro, seu folgado. (Lucas)
   - Então ta, vou escovar meu dente e dormir, nem vou tomar banho porque tomei agora a pouco e eu sou cheiroso naturalmente. (Taylor gabou-se sorrindo e indo na direção do banheiro)
   - É demais pra minha cabeça. (Lucas)

   Após alguns minutos, Taylor voltou ao quarto apenas de cueca.

   - O que é isso? (Lucas perguntou indignado)
   - O que? (Taylor perguntou olhando-se)
   - Pode colocar sua roupa de volta, acha que vou dormir no mesmo quarto que você onde você só está usando uma cueca? (Lucas)
   - Não precisa se preocupar, não vou te comer. (Taylor debochou)
   - Imbecil… (Lucas)
   - Agradeça por eu não estar do jeito que ficava quando dormia com a Helen. (Taylor)
   - Nem continua. Você sabe que eu tenho ciúmes. (Lucas murmurou)
   - Quanta ignorância. (Taylor)

   O moreno deitou-se na cama e se cobriu. Lucas olhava a tudo abismado.

   - Boa noite! (Taylor)
   - O que você está fazendo? (Lucas)
   - Como o que? Dando boa noite, ora. (Taylor)
   - Você não vai dormir na minha cama. (Lucas)

   - Eu estava passando mal há poucos minutos, vai ser tão ruim assim? Além do mais se eu dormir no sofá, vou ficar com dor nas costas. (Taylor)
   - Você é folgado demais. Eu não vou dormir no sofá, vou dormir na cama. (Lucas)
   - Ela é grande e eu nem me mexo muito a noite, ou seja, não sou perigo. (Taylor)
   - Não vou dormir na mesma cama que você, me recuso. (Lucas)
   - Então durma no sofá. (Taylor concluiu voltando a cobrir-se e fechando os olhos)
   - Que desaforado! (Lucas retrucou apagando a luz do quarto)

   Contra sua vontade, Lucas que vestia apenas uma calça de pijama, deitou na cama. Estava tão na ponta, que se vacilasse, caía no chão. Mas qualquer coisa era válida, menos encostar-se a um homem na cama. Quando os dois estavam quase adormecidos, bateram na porta. Os dois deram um pulo de susto.

   - Caramba! (Taylor retrucou irritado e voltando a deitar)
   - Que droga! (Lucas murmurou indo em direção da porta, antes acendeu um dos abajures)

   Abriu bem pouco, mas a delicadeza de Helen o fez escancarar a porta.

   - Me deixa dormir com você, por favor? (Helen choramingou sem perceber quem estava na cama)
   - Helen, não dá… (Lucas falou tentando empurrá-la pra fora do quarto)
   - Por favor, estou mal, precisando de carinho. (Helen)
   - Helenzinha, não dá… (Lucas)

   Taylor sem querer acabou espirrando, chamando a atenção da morena. Esta quando viu a cena dele na cama, arregalou os olhos.

   - Meu Deus! (Helen)
   - Helenzinha… (Lucas)
   - Meu Deus! (Helen)
   - Helen… (Lucas falou segurando-a)
   - Já não basta você pegar a minha amiga, AGORA O MEU PRIMO? (Helen estourou)
   - Ficou louca? (Lucas)
   - Pegando seu primo? Não viaja. (Taylor)
   - Você está me traindo, ME TRAINDO. (Helen gritou batendo em Lucas)
   - Para com isso, Helen. (Lucas defendeu-se)
   - Como você EXPLICA ELE NA SUA CAMA? (Helen)
   - PARA DE GRITAR. (Lucas)
   - VOCÊ TAMBÉM ESTÁ GRITANDO. (Helen)
   - E EU TAMBÉM. (Taylor)
   - CHEGA! Ele pediu pra dormir aqui porque passou mal e estava triste, ele é meu amigo, não meu amante. (Lucas falou indignado)
   - Ó senhor alma caridosa. EU VOCÊ NÃO IA DEIXAR DORMIR AQUI, MAS O SEU AMIGO VOCÊ DEIXA? (Helen)
   - Por que você grita tanto? (Taylor perguntou tampando os ouvidos)
   - CALE A BOCA. QUEM VAI DORMIR COM ELE SOU EU, EU SOU FAMÍLIA, VOCÊ NÃO É NADA. (Helen gritou subindo na cama)
   - Helen, pare com isso. (Lucas pediu tentando impedi-la)
   - NÃO O DEFENDA. (Helen)
   - Pare de gritar, pelo amor de Deus. (Taylor retrucou levantando-se da cama)
   - De cueca apenas? (olhando Taylor) VOCÊS NÃO TÊM VERGONHA NA CARA? (Helen)
   - PARA DE GRITAR. (Taylor e Lucas juntos)

   Helen ficou ainda mais indignada.

   - Se você não expulsar ele desse quarto agora, eu conto pra todo mundo da cena que estou presenciando. (Helen)
   - O que? (Lucas perguntou arregalando os olhos)
   - Sim, conto pro hotel todo que peguei vocês dois transando. (Helen)