sexta-feira, 23 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Três.

   A mãe de Bruna entrou desesperada no apartamento. A porta estava destrancada. Foi andando ao mesmo tempo em que respirava fundo. Sabia que a filha era louca, mas tirar a própria vida era demais. Bruna havia surtado e precisava urgentemente de tratamento médico. Seus olhos arregalaram-se ao ver a filha caída no chão, desacordada e com os pulsos dilacerados. O sangue formava um caminho pelo banheiro.

   - NÃO! (ela gritou horrorizada)




   Helen soluçava incessantemente na lanchonete do hospital. Havia recebido a notícia como uma bomba. Aonde buscaria sentimento de felicidade numa gravidez que foi formada por um casal que não era um casal? Uma relação sem estrutura nenhuma, que não passara de um caso. Ok havia sentimentos antigos, mas que não davam frutos a nada, apenas a um bebê. A um bebê? Cada vez que lembrava do bebê, eram mais lágrimas derramadas. Lucas já não sabia mais o que fazer.

   - Não sei o que fazer com você. (Lucas sussurrou cansado)
   - M-me deixa c-chorar… (Helen sussurrou aos soluços)
   - Mas você está chorando há mais de uma hora! (Lucas)
   - Q-quero chorar minha v-vida inteira, d-daqui pra frente. (Helen)
   - Helen, você tem que estar feliz. Tem uma vida gerando no seu ventre. (Lucas)
   - V-você fica feliz porque é n-no meu e não n-no seu, desgraçado… (Helen atacou)
   - Ok, não precisa agredir! (Lucas)
   - E-eu to ferrada na maior potência da m-matemática… M-mãe solteira, vou tomar um tapa n-na cara do meu p-pai, outra d-da minha mãe e d-de quebra um chute na b-bunda do pai da criança, ops, j-já levei e ainda c-com um chifre g-gigantesco na cabeça. Parabéns H-helen… Você se fudeu! (Helen resmungou chorando)
   - Helen, você é muito negativa! (Lucas resmungou assoprando o cabelo da prima)
   - P-para de assoprar, porra! Não venha m-me jugar, v-você deu um piti q-quando descobriu sobre a B-bruna. (Helen disparou)
   - Ok, não está mais aqui quem falou! (Lucas)



   Lucas apoiou os cotovelos na mesa e segurou o rosto com uma mão, a outra ele tamborilava impaciente. Helen não parava de chorar! Choro e palavrões, misturados com resmungos e mais choro. Estava dando pena vê-la daquele jeito, mas ao mesmo tempo, ela estava fazendo tempestade em um copo de água. Os pais dela, claro, iriam ficar surpresos com a notícia, mas com certeza todas as inseguranças seriam substituídas pela felicidade do primeiro neto. E quanto a Taylor? Óbvio que ele teria um ataque igual ou pior ao de Helen quando descobrisse, mas pelo que conhecia do amigo, jamais a desampararia e ainda isso seria o grande pretexto pra ele se reaproximar, já que sabia que as intenções dele com ela, eram sérias, apesar do incidente com Letícia. Conclusão de tudo: Ele que estava sendo o coitado ao ter que agüentar o piti da prima! Riu sozinho com suas conclusões.

   - Ta r-rindo da minha d-desgraça por quê? (Helen murmurou)
   - Helen, não surte, por favor! (Lucas)
   - Como não s-surte? Já viu a m-minha situação? (Helen)



   E mais uma vez toda a ladainha do começo ao fim. Os tapas na cara, o chifre. O mundo a julgando como uma garota de doze anos que engravida. Até citou as gordurinhas e as estrias que iriam surgir em seu corpo. Sem contar as fraldas sujas e as noites em claro. As olheiras expressivas e a vida amorosa jogada no lixo. Quando iria escutar pela milionésima vez, seu celular vibrou indicando uma mensagem. Helen ficou calada olhando-o ver a mensagem.

   
"Lucas venha logo pra casa.
   É urgente!

   Beijos, mamãe."


   - O que foi? (Helen perguntou não chorando mais)
   - Não sei, mas não senti algo bom nessa mensagem. (Lucas)
   - O que diz? (Helen)
   - Veja. (Lucas falou entregando o celular a prima)

   Helen arregalou os olhos, mas tentou ser positiva pelo menos no caso do primo.

   - Se fosse muito grave, ela ligaria não? (Helen)
   - Não, e é isso que me assusta. Minha mãe se esconde pra dar notícias ruins, ela prefere uma mensagem no celular ou um e-mail, do que falar na cara da pessoa ou no telefone. (Lucas sussurrou preocupado)
   - Mais uma notícia ruim, já não basta por hoje Deus? (Helen resmungou levantando-se da cadeira)

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