quarta-feira, 7 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Cinquenta e Dois.

   Fátima desceu as escadas da grande mansão correndo e ao ver Lucas sentado no sofá, seus olhos encheram-se de lágrimas.

   - Meu bebê. (Fátima)


   Lucas levantou-se sorrindo e ao abraçar a mãe, a rodopiou no ar como sempre fazia, deixando-a ainda mais aos prantos.

   - Que s-saudades… (Fátima sussurrou beijando-o por todo o rosto)
   - Eu também, dona Fátima. (Lucas afirmou sorrindo e plantando um beijo na testa dela)
   - Como você m-me faz falta… (Fátima falou abraçando-o mais ainda)
   - Mas agora voltei. E pra ficar. (Lucas)

   Lucas deu ênfase no ficar, pois ele estava mais do que decidido a ficar ali na casa dos pais, com Jorge berrando ou não. Alexandra parou e olhou-o um pouco confusa e ao olhar pro lado, algumas malas… Voltou a olhar pra ele e agora os mesmos olhos estavam arregalados, pois ela sabia que ele já tinha ido pra casa, ou seja, as malas teriam que estar lá.

   - Cansei! (Lucas)
   - Lucas… L-lu… (Fátima sussurrou limpando os olhos e completamente sem ação)
   - Eu vou ficar aqui e pela primeira vez na vida fazer algo que eu queira, não que seja desejo de meu pai. (Lucas afirmou decidido)
   - Você está me d-dizendo… (Fátima)
   - Não continuo essa farsa ridícula de casamento. (Lucas)
   - Meu D-deus… (Fátima sussurrou assustada e sentando-se no sofá devido ao impacto da situação)

   O rosto de Fátima rapidamente empalideceu e Lucas assustou-se.

   - Mãe… (Lucas falou socorrendo-a)
   - Estou b-bem… (Fátima falou expirando e inspirando rapidamente)
   - O que houve? Foi pressão? (Lucas perguntou preocupado)
   - Foi… Foi susto. Pelo amor de Deus Lucas, o que pretende com isso? (Fátima)
   - Pretendo ser feliz! (Lucas)

   E todo o sermão que estava na ponta da língua de Fátima, desmoronou como a queda de uma cachoeira. O que falar pra um filho quando ele se desfaz de uma coisa porque é infeliz com aquilo? Fátima nunca foi a favor da atitude radical de Jorge, mas também nunca foi a favor de se abandonar e não assumir um filho. Mas amor… Amor! O que mais Fátima prezava em uma relação, isso que sentia por Jorge, e não o que Lucas sentia por Bruna. Lucas infeliz soava pra ela como a morte. Melhor dizendo, uma morte dolorida. E só de pensar nos gritos de Jorge ao saber da “novidade” já lhe faziam doer a cabeça, mas Lucas infeliz… Nunca! Isso pra ela era o fim, definitivamente.

   - Não sei o q-que dizer… Seu pai vai te matar, mas você i-infeliz… (Fátima falou respirando fundo)
   - Meu pai não vai me apoiar e pouco me importa, me importo com o seu apoio, porque sei que vou enfrentar uma barra enorme, ainda mais que… (Lucas)
   - Ainda mais que? (Fátima)
   - Que vou me separar, isso. (Lucas falou engolindo as palavras sobre Yasmin, ainda não era o momento pra revelar)
   - Vai enfrentar uma barra mesmo filho, mas aconteça o que acontecer, estou aqui e do seu lado, não vou me meter na sua atitude porque melhor do que você pra saber o que te faz feliz, não tem ninguém. (Fátima)
   - Eu sabia que a senhora falaria isso. (Lucas sussurrou sorrindo e abraçando a mãe)
   - Eu te amo e tudo que te faça feliz, eu apóio. (Fátima)
   - Também te amo mãe e obrigado! (Lucas falou sorrindo)
   - De nada, meu querido. Mas te aviso pra ter fibra e coragem, vão te bombardear e não quero te ver sofrer. (Fátima)
   - Eu não vou sofrer, sofri antes casando por obrigação, agora é tudo diferente… (Lucas falou com os olhos brilhando)

   Fátima analisou aquele comportamento e ficou com uma interrogação na cabeça. A atitude de Lucas não era normal, em outros tempos, melhor dizendo, até o mês que passou, ele não teria coragem de fazer isso…

   - Você está diferente… (Fátima)
   - Diferente? (Lucas perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas)
   - Alguma coisa aconteceu, algo me diz… (Fátima)

   Lucas apenas sorriu e limitou-se a ficar em silêncio. Aquela velha história de intuição de mãe.

   - Onde está meu pai? Quero acabar logo com isso tudo… (Lucas)
   - Ele teve que ir até a Argentina resolver algumas coisas, volta em dois dias. (Fátima)

   Lucas suspirou, teria que esperar e isso era o que ele menos queria. Queria resolver tudo já. Não podia mais esperar nada!

   - Em dois dias você resolver tudo, querido. (Fátima)
   - É o jeito… (Lucas)
   - Estou temerosa, de verdade. Não confio na Bruna. (Fátima murmurou preocupada)

   E aquilo ficou martelando na cabeça de Fátima. O mundo iria cair na cabeça de Lucas e não queria ver isso, não iria suportar ver as pessoas em volta atirando pedras nele. Iria defendê-lo, mas temia que isso enfraquecesse Lucas e que ele iria voltar com Bruna por pura pressão. E ao ver a determinação do filho o que mais ela pôde sentir foi orgulho, pois viu que atrás do pau mandado de Jorge, existia o filho ser humano e valente que ela havia tido com tanto amor. E naquela noite, antes de dormir, Lucas recebeu um agrado igual ao que recebia todas as noites de sua mãe quando morava ali, seu leite quente e aquele beijo na bochecha que não era substituído por nada em seu coração. Eram duas e meia da manhã quando a campainha da mansão tocava intensamente, fazendo Lucas e Fátima pularem da cama. E a gritaria embaixo quando um dos seguranças da casa abriu, se destacava ainda mais. Fátima e Lucas desceram assustados e tomaram um susto ao ver quem era. Lucas respirou fundo…

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