quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Dez.

   Mas acreditava que mudaria com Bruna, mas com seus repetitivos esquecimentos em se proteger nas relações sexuais que tinha com a loira, a camisinha foi esquecida e o inevitável aconteceu, Bruna engravidou, porém a pulga atrás da orelha em Lucas continuou, pois Bruna afirmava que tomava pílulas e uma mentira o deixou ainda mais desconfiado.
   Ela alegava estar grávida de um mês, mas em seus exames, constatavam exatamente dois meses e meio de gestação.

   “Claro, ela gritou primeiro pro meu pai, daí vocês já sabem…
Se não casar seria um desgosto pra família…
Nem me importo com toda essa droga de família, mas somente uma pessoa eu não desagradaria jamais, minha mãe, sim ela era acima de tudo a pessoa que eu mais prezava na vida, isso geralmente é coisa de meninas com o pai, mas a minha mãe é a minha heroína, sinto um amor enorme por ela e jamais a desapontaria, mesmo que isso me causasse um dano irreparável… mas minha vida já é um erro, então o que mais de ruim aconteceria?”

   - Gostaria de fazer um brinde ao casal! (Jorge, pai de Lucas, levantou erguendo a taça, em meio a todos os convidados)

   Bruna sorridente levantou-se, Lucas colocando em seu rosto um falso sorriso, teve que fazer o mesmo.

   - Estou muito feliz com esse casamento, acho que finalmente meu filho tomou juízo! (Jorge alegou rindo e fazendo com que todos os convidados o acompanhassem na risada, irritando ainda mais o filho) Espero que a chegada desse bebê, aumente ainda mais, a felicidade que já vejo estampada no rosto de meu filho! (Jorge conclui tomando o champanhe e sendo aplaudido)
A Dança dos Sete Véus
Nove.

   A explicação para ter se guardado foi decepção, quando ia praticar a Dança dos Sete Véus e abrir mão de sua virgindade com quem ela julgara ser o Sheik de sua vida, teve o desprazer de vê-lo com outra.
   Talvez o destino que não tenha deixado a jovem escancarar sua maior arma de sedução!
   Yasmin desde esse instante fechou o coração para o amor, não acreditando mais que um dia um Sheik encantado fosse aparecer em sua vida.

   “Aprendi muito com meu herói e sei que ele está ao lado de Ala guiando os meus passos e me levantando a cada tropeço que dou na vida…"

   Lucas não suportava mais ser cumprimentado. Os convidados achavam que ele estava feliz, mas o que menos ele queria, era estar ali, ainda mais que nem tinha certeza se era o pai da criança que Bruna estava esperando.
   Em um dos instantes que não era mais incomodado pelos convidados, lembrou de toda sua juventude.
   Aos 19 anos já tinha um grande currículo de mulheres em sua vida, as mordomias de ser da classe alta e a beleza que tinha, o faziam ser um garanhão.
   Quando conheceu Bruna, se encantou já que a jovem é linda e loira, sua preferência em mulheres, o pai insistiu para que ele a namorasse e Bruna não se fez de rogada ao atirar-se pra cima dele.
   Talvez Lucas buscasse nela, o amor que fora perdido há alguns anos.
   Bem do típico o garanhão que se apaixona pela mulher mais vadia, via claramente o amor de sua vida desfilar com diversos homens em sua frente, inclusive seus amigos.
   Fechou-se para qualquer sentimento relacionado ao amor, não se permitia entregar de coração a mais nenhuma mulher.
   Tornou-se ainda mais garanhão e sem juízo algum.
A Dança dos Sete Véus
Oito.

   Trabalhava em algo que talvez faria seus parentes a julgarem ainda mais, mas como filha de egípcio, muçulmana e desde pequena admiradora da arte de mexer o ventre, tornou-se uma dançarina de Dança do Ventre.
   Podemos nomeá-la de Odalisca, apesar de tal palavra não ter o melhor significado, já que dizem que Odaliscas no Oriente Médio, são prostitutas.
   Mas os tempos mudaram, e Yasmin jamais aceitou se prostituir para aqueles que a viam dançar.
   Esse era o maior prazer da brasileira com coração de egípcia, dançar e encantar a todos, era dedicada e perfeita em seus movimentos, praticava com amor e tinha em troca, seu sustento!
   Desde criança se encantava ao ver as mulheres de sua família, dançarem com véus e requebrarem os quadris.
   A lei das mulheres de sua família era saber dançar a Dança do Ventre, pra encantar e seduzir seus maridos, porém guardavam uma em especial em segredo, a “Dança dos Sete Véus”, somente os que queriam de verdade seduzir e aqueles que moravam em seus corações, tinham o prazer de se deparar com tal dança.
   E todos que viram essa dança, se renderam aos encantos de suas parentes...
   Yasmin também sabia, mas nunca havia dançado pra ninguém, somente para seu espeho.
  Yasmin não seguia exatamente seu lado muçulmana em questão de maridos e namorados, já teve relacionamentos amorosos, porém ainda guardava o que é mais sagrado para os radicais islâmicos, a pureza, precisamente, a virgindade! Não pela religião, mas por seus princípios próprios!
A Dança dos Sete Véus
Sete.

   Roberto, depois de tal acontecido, se sentiu dono de tudo e de todos os familiares, Yasmin ficou temerosa, já que seu herói não estava mais ali para lhe proteger.
   Um dia, estava sozinha em sua casa, dormia tranqüilamente, quando sentiu mãos fortes acariciando com força suas coxas.
   Quando abriu os olhos, deparou-se com o sorriso diabólico de seu tio, sentindo toda sua corrente sangüínea gelar.
   Tentou gritar em vão, já que Roberto, astuto, subiu por cima dela e tampou sua boca.

   “O desespero tomou conta de mim, comecei a chorar ao sentir as suas mãos tentarem tirar minha roupa, eu me debatia ao sentir que ele me tocava, que ele conseguiria chegar até o fim, já que ninguém estava em casa, olhei pro teto e só lembrei de meu ab e de Ala!”

   Talvez sendo escutada, Guilherme, um dos primos de Yasmin, e Cláudio, um tio que a tinha como filha, entraram na casa e salvaram a jovem das garras de Roberto. A ira tomou conta dele, espalhou para toda a família que Yasmin cometera Haran o seduzindo, que ela havia infringido todas as leis de Maomé e de Ala.
   Mesmo Guilherme e Cláudio a defendendo, a família se revoltou contra Yasmin, a considerando uma vagabunda.
   Com o acontecido, Yasmin protegendo a mãe e a irmã de tal acontecido, partiu aos 16 anos pro Cairo, capital do Egito.
   Há dois anos reside lá, ajudando financeiramente a mãe, já que a irmã já era independente e casada, mas também ajudava Regina, que por sorte nunca mais ouviu falar do cunhado.
A Dança dos Sete Véus
Seis.

   Há 18 anos atrás, Yasmin Rosa nasceu na cidade de Curitiba, filha de mãe brasileira e pai egípcio. Com o casamento, Regina, mãe de Yasmin, se converteu à religião Islâmica. Sua família, nunca fora de muçulmanos radicais e seguidores assíduos da religião, por estarem no Brasil, só respeitavam alguns preceitos e dedicavam suas rezas a Ala, mas nada que passasse dos limites. Somente um de seus tios, Roberto Abul, casado com sete mulheres. As obrigava a usar a ‘burca’, peça que cobre por completo as mulheres muçulmanas, e praticar dos piores castigos caso elas o desrespeitassem... Yasmin, um dia se deparou com ele batendo em uma delas depois de violentá-la. A morena, que sempre teve gênio e personalidade forte, não aguentou e pôs-se a defender a tia, partindo pra agressão física e de palavras. Roberto sempre viu Yasmin como a ovelha negra da família, a difamava para todos os parentes e depois desse dia jurou vingança à sobrinha e ao irmão, já que o pai de Yasmin a defendeu mesmo não aceitando o tipo de atitude da filha, mas sabia das barbaridades cometidas por seu irmão! Iniciou-se uma enorme briga em família, todos ficaram contra Roberto, ele ameaçava Yasmin com castigos muçulmanos, como chibatadas em meio a Medina. Mas o pai sempre a defendia, e isso a fazia ter mais orgulho, Yasmin o considerava o homem de sua vida, seu herói! Mas com tal briga, Luiz Abul, teve sérios problemas de coração, e o que Yasmin jamais esperava, aconteceu.

   “Meu herói foi levado por Ala, confesso que naquele dia vi metade do meu coração indo junto, tive a sensação mais horrível, não desejo de maneira alguma a alguém tudo que senti, toda dor que mesmo adormecida ainda reside em meu coração…”
A Dança dos Sete Véus
Cinco.

   - Sim, eu aceito! (Lucas engolindo em seco, respondeu)
   - Pelo poder que eu exerço na Igreja Católica e em nome de Deus Pai Todo Poderoso, eu os declaro, marido e mulher! (o padre afirmou e uma salva de palmas foi direcionada aos noivos)

   “Agora sim, as algemas foram fechadas e já me encontro no calabouço sem saída!"


   “O ar puro que respiro no meio de toda essa areia pode ser um pouco estranho, inalar areias que pra muitos fazem mal para os pulmões, mas pra mim sempre foram grandes conselheiros e cá eu estou mais uma vez em frente a esse que na minha opinião é a maior beleza do Universo, sinto uma paz enorme nesse lugar, é bom me deparar com beleza e cultura ao mesmo tempo, hoje posso dizer que sou egípcia de coração, minhas raízes estão nesse lugar, mas ao mesmo tempo sinto muita falta de tudo que a vida me tirou…”
   
   Ao Norte do Continente Africano, entre o Mediterrâneo e o extenso Rio Nilo, uma jovem de pele morena e com brilhantes cabelos pretos com alguns reflexos dourados, olhava toda a extensão e beleza das pirâmides de Gizé...
   Freqüentadora assídua de uma das Sete Maravilhas do Mundo, não cansava jamais de ver toda aquela construção faraônica em sua frente!
   Suspirava e mirava todo o Deserto do Saara, ao fundo o Sol que se destacava ao horizonte.
   Sorria admirando e fechava os olhos sentindo toda a emoção que aquele lugar lhe passava, todas as lembranças de sua vida.
A Dança dos Sete Véus
Quatro.

   “Às vezes sentimos que o mundo está para desabar sobre nossas cabeças, talvez estejamos em um lugar fechado onde um grito agudo não seria notado por ninguém…
Besteiras todos nós fazemos, mas ao ponto, de ter que jogar toda a minha felicidade e, toda a minha vida no lixo, realmente foi a pior…
Eu estou com vontade de sair correndo desse lugar, quero fugir pra bem longe e quem sabe talvez ter novamente minha liberdade…”

   Se lamentar, era só o que restava a Lucas, via claramente toda sua liberdade ser arrancada de suas mãos, na frente de um padre que em sua cabeça, era o juiz que declarava a sua sentença de morte, e ao lado de uma bela jovem de longos cabelos loiros, que era a guardiã da chave que o trancava dentro de um gelado e escuro calabouço, da qual jamais seria libertado!
   - Bruna Unzueta, aceita Lucas Rodrigues Moura da Silva como seu legítimo esposo? (o padre perguntou à bela jovem depois de seu sermão)
   - Sim! (Bruna exclamou sorridente e olhando pra Lucas)
   - Lucas Rodrigues Moura da Silva, aceita Bruna Unzueta como sua legítima esposa? (o padre perguntou a Lucas)
 
   Talvez fosse essa a chance de Lucas fugir, correr pra bem longe de todo aquele martírio.
Fora obrigado a casar por seu pai. Engravidou Bruna, filha de um dos diretores da empresa de seu pai, um grande empresário dono de luxuosos hotéis espalhados pelo mundo. Bruna se fez de vítima e criou todo seu teatro em cima de um exame de gravidez que dera positivo, com todas as suas artimanhas conseguiu com que Lucas subisse ao altar com ela. Lucas a conhecia e sabia que no fundo ela não era uma pessoa íntegra e de boa índole, mas teve que aceitar. Ficou em silêncio, queria falar não, mas ao olhar pro altar se deparou com o olhar ríspido de seu pai e teve que fazer o que menos queria em toda sua vida.
A Dança dos Sete Véus
Três.

   Outra história conta que uma das interpretações para o significado da Dança dos Sete Véus está em uma lenda babilônica. Durante sua forçada descida ao Inferno, Inanna Deusa do Amor e da Fertilidade, precisou passar pelos Sete Portais dos Sete Tempos. A cada sétimo portão, a Deusa tinha que se desfazer de um de seus “atributos” como riqueza, poder, beleza ou templos para que assim, ela chegasse lá embaixo nua e indefesa, como qualquer mortal quando passa pra outra vida. A Dança dos Sete Véus simboliza os sete portões que Inanna teve que passar, até sua chegada no Inferno, desnudando seu corpo e sua alma…
   A Dança dos Sete Véus foi introduzida nos países árabes pela primeira vez no Antigo Egito, Cleópatra a Rainha do Nilo, depois de esgotar todas as suas artimanhas de conquista, dançou a Dança do Ventre para seduzir Marco Antônio, sendo então a primeira a desvirtuar a dança de seu caráter estritamente religioso, transformando a dança em uma arma de sensualidade na qual mulheres de origem árabe até hoje fazem pra conquistar seus homens e amantes, espalhando por todo o mundo seu encanto e sedução, camuflando a Dança do Ventre e a Dança dos Sete Véus em uma só...
A Dança dos Sete Véus
Dois.

   Toda mulher deixa transbordar sua essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.
   Existem outras histórias referentes ao início e sincretismo da Dança dos Sete Véus! Alguns relatam que tenha nascido no Egito, outros apontam a Babilônia. Mas conta-se à lenda que a primeira vez que a Dança dos Sete Véus deu o ar de sua graça, foi através de Salomé, uma linda princesa que fora enteada do Rei Herodes.
   Este que sempre fora obcecado pela beleza da bela princesa vivia implorando que ela dançasse para ele, mas o coração da bela jovem pertencia ao profeta João Batista, que por ser um homem religioso, evitava qualquer tipo de contato para não cair em tentação!
   A diabólica mãe da princesa aconselhou a filha que se vingasse de seu amor, e assim cedeu ao pedido de Herodes... Totalmente encantado com o doce balanço de seus quadris, aceitou fazer qualquer coisa que ela quisesse e mais uma vez convencida por sua mãe, exigiu a cabeça de João Batista em uma bandeja de prata.
   E assim o fez, mas ao ver a cabeça decapitada de seu grande amor, Salomé extremamente arrependida, percebeu que esta foi, a primeira vez que ele a olhava...
A Dança dos Sete Véus
Um.

   A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia a vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.
   Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas. Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
   Significado das cores:
  • Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor
  • Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira
  • Amarelo: libertação da ambição e do materialismo
  • Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico
  • Azul: encontro da serenidade
  • Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade
  • Branco: pureza, encontro da Luz.
A Dança dos Sete Véus
Prólogo

"Eu poderia tentar descobrir o indecifrável, através daquele olhar negro, que me enfeitiçou desde o primeiro momento! Tantos mistérios que eu certamente descobriria e tentaria abrir seu coração e abrir a minha alma novamente para o amor ... Sei que me apaixonei, me encantei com sua jogada de quadris e véus, suas mãos que me enfeitiçaram, que me chamaram para um caminho que não teria volta ... Ela me seduziu e abriu ainda mais o abismo em que me encontro, mas ela ... Apenas ela tem a chave pra me tirar de lá, somente ela pode me salvar!"

Sejam todos bem vindos / bem vindas!

Fiz esse blog para escrever webs relacionadas à coisas que eu gosto, à sentimentos que levo comigo e que considero que sejam mais fácei de ser despejados para fora através da escrita! Pode ser que muitas pessoas leiam, pode ser que ninguém visite esse blog ou tenha conhecimento! Mas ele sempre ficará guardado, pra que eu sempre leia, meus sentimentos, minhas histórias!