quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Oito.

   - Dormiu bem? (Lucas sussurrou)
   - Dormi e você? (Yasmin)
   - Otimamente bem. (Lucas falou sorrindo e observando o dia)

   Yasmin ficou calada. Observando. Tendo uma crise de autismo, mas na verdade era como se ela sentisse um peso em suas costas. O que sempre iria lhe atingir, ele ser casado e em breve ser pai.

   - Por que ficou quietinha? (Lucas)
   - Nada. (Yasmin)
   - Não acredito que seja nada, alguns dizem que quando paramos pra pensar em algo, aquela coisa nos preocupa. Entende o que eu digo? (Lucas)
   - Sim. (Yasmin)
   - Então me fala. (Lucas)


   Yasmin virou pra ele e abaixou a cabeça. Era inevitável sentir-se envergonhada, ainda mais depois do que acontecera.

   - Eu me sinto mal pelo o que aconteceu. (Yasmin confessou)
   - Pela sua religião? (Lucas)
   - Não. (Yasmin respondeu tirando a franja dos olhos, Lucas sorriu)
   - Então o que? (Lucas)
   - Por um lado é pela religião, por mais forte que eu tente ser, eu tenho medo do julgamento das pessoas. E os islâmicos não poupam uma mulher nessas circunstâncias. Mas não é isso, até porque não tem nenhum homem de minha família por perto e também nem são radicais, mas os ensinamentos que eu aprendi me fazem ter culpa por eu ter perdido a virgindade antes do casamento e pior, com um homem comprometido pelos laços de Alá. (Yasmin desabafou)
   - Eu não vou questionar os ensinamentos de sua religião, eu respeito e acho lindo uma pessoa ser dedicada a isso. Mas quanto ao comprometido você sabe que vou questionar, até porque eu já te expliquei como funciona a minha relação com a Bruna, você presenciou e achou que eu estivesse mentido, mas acredito que isso você já mudou o pensamento. (Lucas)
   - Mudei. (Yasmin)
   - Min, eu só quero que se sinta bem. Que esteja feliz. O que de verdade me preocupa é saber se eu te machuquei e se você gostou não sei… Primeira vez que rolou com uma garota inexperiente. Uma garota pura. (Lucas falou sorrindo)
   - Não machucou e eu… (Yasmin interrompeu ao sentir vergonha)
   - Pode falar, não sinta vergonha de mim. (Lucas)
   - Eu gostei e definitivamente isso é motivo pra mais de oitenta mil chibatadas. (Yasmin afirmou rindo)

   Lucas sorriu e deu um beijinho na testa dela.

   - Min, depois de tanto tempo eu estou me sentindo feliz. Você é uma pessoa que me fez ter vontade de largar tudo. (Lucas confessou)

   Yasmin sentiu a boca ficar seca. O coração acelerou.

   - Eu largo tudo por você. (Lucas)
   - Não fale isso, por favor, você vai ter um filho com ela… (Yasmin)
   - Essa é a minha única ligação com a Bruna, e quando ele nascer eu me divorcio. (Lucas)
   - Lucas… (Yasmin)
   - Posso te propor uma coisa? (Lucas)
   - O que? (Yasmin)
   - Eu não quero ir embora do Egito não tendo algo sério com você. Eu já refleti e de verdade quero ficar com você. (Lucas)
   - Eu não estou entendendo o que quer dizer com isso… (Yasmin)
   - Yasmin, eu quero manter uma relação com você. (Lucas)
   - Lucas, você é casado. (Yasmin)
   - Não se sinta ofendida, por favor, não seremos amantes até porque eu não tenho nada com a Bruna. (Lucas)
   - Então como? (Yasmin)
   - Eu assumi um compromisso com uma pessoa na qual eu não estava apaixonado. Por que eu não assumiria compromisso com uma em que estou apaixonado… (Lucas confessou)
   - O que? (Yasmin perguntou arregalando os olhos)
   - Eu to apaixonado por você! (Lucas sussurrou)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Sete.

   - Helen, espera! (Taylor exclamou levantando-se e puxando-a pelo braço)
   - Me solta. (Helen retrucou)
   - Não vou soltar. Tudo foi um mal entendido e precisamos conversar. (Taylor)
   - Já falei tudo o que eu tinha pra falar. (Helen)
   - Mas eu não. (Taylor)
   - Problema seu. (Helen)

  - Não é assim que as coisas funcionam. Você disparou tudo, tem seu direito, agora eu também tenho o direito de me defender. (Taylor)
   - Se defender? Por favor, não me faça rir. O que a gente vê diz mais do que mil palavras. Eu vi você beijando a Letícia, ninguém me contou, eu vi. (Helen)
   - Te juro que não foi intencional, foi um mal entendido. Eu não queria. (Taylor defendeu-se)
   - Não queria, mas beijou. Não me venha com essa de que não foi intencional. Eu já fui traída outras vezes e sei que isso é uma grande balela. (Helen)
   - Helen, se você quiser, eu chamo a Letícia aqui e conversamos. (Taylor)
   - Eu não tenho nada pra conversar com ela e nem com você. Já te disse que entre nós dois não há possibilidade de ter nada. (Helen)
   - Isso você sempre deixou bem claro, mesmo antes de ver esse beijo. (Taylor rebateu)
   - Ah, então quer dizer que foi uma vingança? (Helen)
   - Não bote palavras em minha boca, não falei nada disso, apenas que você nunca quis assumir nada sério comigo, então não venha colocar a culpa nesse beijo. (Taylor)
   - Então pronto. Fim de conversa, se estando comigo você já era solteiro, agora mais ainda. Aproveite e seja muito feliz. (Helen)
   - Helen, podemos ter uma conversa de adultos ou é difícil? (Taylor)
   - Prefiro ter uma conversa infantil a escutar suas mentiras. Pra mim foi uma traição, aliás, duas. E eu não vou mais ficar remoendo essa história, porque eu não quero voltar a sentir o que eu já senti anteriormente. (Helen)
   - Eu nunca quis te magoar, eu errei, mas pra mim não teve nenhuma importância aquele beijo. Eu quero você, quero ficar com você. Você sabe que eu sempre te amei. (Taylor)
   - Suas palavras não me comovem. Desculpe! (Helen)

   Foram essas palavras de Helen, antes que ela saísse pela porta da sala de reuniões, mas antes de atravessá-la, acabou esbarrando em Letícia.

   - Helenzita, bom dia! (Letícia afirmou sorrindo)

   Helen soltou uma expressiva gargalhada e segurou a fúria.

   - Aconteceu alguma coisa? (Letícia perguntou ao estranhar a atitude de Helen)
   - Aconteceu. (Taylor)
   - O que houve? (Letícia perguntou preocupada)
   - Ela viu o beijo. (Taylor)
   - Meu Deus! (Letícia exclamou arregalando seus belos olhos)

   Não queria isso. Definitivamente!

   - Bom dia, amiga. (Helen falou ressaltando a palavra amiga e saindo dali)

   Demonstrando uma classe e uma superação. Pois a vontade dela era trucidar Letícia e Taylor.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Seis.

   Yasmin esfregou os olhos e abriu um deles ao perceber que já havia amanhecido. Sorriu ao sentir que estava com a cabeça sobre o peito quente e macio de Lucas. Não havia sonhado, era realidade. Levantou a cabeça e com o indicador, percorreu toda a face de bebê que ele tinha. E pelo mesmo caminho, dava pequenos beijinhos. Sem contar que velava um pouco o pesado sono que ele tinha. Achava bonitinho vê-lo suspirar. Respirou fundo e levantou-se. Envergonhou-se ao se ver nua, mas uma sensação boa invadia sua mente. Havia feito duas coisas que eram especiais na vida de uma mulher, bem, pra ela. Primeiro ter a primeira noite de amor com uma pessoa especial e segundo, dançar a velha e tradicional Dança dos Sete Véus. Pra ela isso era como a concretização de um sonho. Um passo novo em sua vida. Pegou uma camisola curta que estava perto da cama e colocou sua calcinha. Ia pra cozinha, mas o nascer do Sol era como um oásis perante seus olhos.

   Foi até a pequena varanda de seu quarto e abriu com cuidado para que os raios de Sol não acordassem Lucas. Ficou por minutos admirando o nascer do dia e sua magia. Era uma beleza que somente o Egito possuía. Ver o maior astro despontando por entre as pirâmides, e avistar o colorido do dia invadindo todos os lugares daquela cidade mágica.

   - Bom dia, Odalisca! (Lucas sussurrou em seu ouvido enquanto a abraçava pela cintura)

   Ela suspirou ao senti-lo beijar seu ombro, fora que era prazeroso ouvir aquela voz rouca nas primeiras horas da manhã.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Cinco.

   E sem controlar essa vontade, Helen seguiu-o. Taylor havia entrado em uma das salas de reunião, bateu a porta com força e sentou-se em uma das cadeiras. Helen havia irritado-o logo cedo.

   - Quero falar com você. (Helen falou assustando-o)
   - Não tinha te visto aí. (Taylor falou com a mão no coração)
   - Pode ou não falar comigo? (Helen)
   - Claro que posso, aliás, estou muito curioso pra saber o porquê está tão ignorante comigo. (Taylor)
   - Estou ignorante porque não foi muito agradável ver sua amiga beijando o cara com quem você está tendo uma relação. (Helen)

   Taylor empalideceu!

   - Sabe que isso foi bom, pois eu ia fazer a maior burrada da minha vida ficando aqui. E acabei decidindo rapidinho voltar pro Brasil. E o melhor é que eu vi as máscaras caindo, tanto de um cafajeste que eu pensei que fosse um cara perfeito, como a de uma vadia, quem eu julgava ser minha melhor amiga, mesmo depois de ter tomado na cara da mesma maneira. E quer saber mais? Desejo que vocês fiquem juntos e para sempre, afinal de contas vocês são bem parecidos um com o outro. Casal perfeito! (Helen disparou)
   - H-helenzinha… (Taylor tentou falar algo)
   - Não precisa falar nada, é pior! (Helen)

   Helen respirou fundo sentindo-se um pouco aliviada, mas no fundo estava triste.


   - Espera. (Taylor)
   - Não, preciso terminar meu café e ainda dar umas voltas pelo Egito, perdi mais de um mês com um imbecil e mal aproveitei esse país lindo. Então até amanhã de noite, tenho muito que percorrer. Tchau! (Helen falou empinada e dando as costas pra ele)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Quatro.

   Helen abriu os olhos ao sentir os raios de Sol bater em seu rosto. Esfregou-os e bocejou sentindo todos os músculos de seu corpo doloridos e a forte náusea que se mantinha presente todas às vezes que tinha crises.

   - Bom dia Helen. (Ela murmurou sentando-se na cama)

   As cenas de Letícia e Taylor se beijando gritavam em sua mente. Isso provocava pequenas gotículas de lágrimas em seus olhos, mas não escorriam graças ao grande esforço que Helen fazia pra não chorar. Chegava a sentir a garganta queimando por fazer tal coisa, mas não choraria mais… Menos ainda voltaria a sofrer de esquizofrenia. Isso jamais! Ela havia jurado pra si mesma. Levantou-se sentindo como sua cabeça rodava. Estava tonta. Mais um sintoma pós-crise. Odiava aquela sensação. Odiava saber que havia mais uma vez fraquejado perante aquela praga que havia invadido sua vida. Iria ser mais forte que qualquer decepção amorosa.
Superou coisas piores e não seria isso que a faria ter uma recaída.


   - Força H-helen… Você c-consegue. (Sussurrou com a voz embargada enquanto caminhava em direção ao banheiro)

   Continuava segurando o choro, ao mesmo tempo em que tentava tranqüilizar-se. Ela sabia que em um vacilo sairia quebrando tudo e ameaçando pessoas com uma faca, mas ela seria forte o bastante pra evitar isso. Ela iria mais uma vez guerrear contra essa praga. Mas o que estava preso em sua garganta, não foi evitado ser jogado pra fora. Ajoelhou-se em frente ao vaso sanitário e colocou pra fora aquele nó preso em suas amídalas. E de certa maneira, aquilo foi como um alívio. Arrancou o pijama e entrou embaixo de um banho gelado. Precisava se revigorar e daquele jeito, seria rápido e instantâneo.Esse era um fato marcante na personalidade dela, mesmo na beira do abismo, ela sabia guerrear contra a morte. Ela vencia no final das contas e superava traumas e doenças rapidamente. Mas o ódio, era difícil de ser reprimido, mas aos poucos, ela vencia esse problema!

   “Eu nunca pensei que um beijo fosse me fazer ficar com tanta culpa. Um beijo que eu não quis dar, mas acabei dando. Juro que sinto como se tivesse vinte elefantes em minhas costas. Helen não merece isso, mesmo que ela não saiba… Acho que devo ser verdadeiro com ela, sinto que aos poucos a paixão está transformando-se em amor. Mentira… Desde quando a conheci, tão pequena com os cabelos negros e lisos, na casa do Lucas, senti que esse sentimento já gritava em meu peito. Amor de criança? Paixão de verão? Enfim… É amor! E quero ser verdadeiro com ela, mesmo que isso possa custar um namoro que ela nem quer…”

   - Bom dia! (Täylor exclamou para as recepcionistas do hotel)

   Sorriu para alguns hóspedes e encaminhou-se para o restaurante. Estava à procura de Lucas, mas com o olhar percebeu que ele não estava por ali.

   - Aonde ele se meteu? (Taylor perguntou-se coçando o queixo)

   Sentiu o estômago roncar, já que Lucas não estava por ali então lhe restava gozar de um bom café da manhã. Serviu-se de frutas e alguns croissants. Pegou um suco de romã e sentou-se. Estava comendo tranquilamente quando avistou Helen entrando…

   A morena usava uma regata branca com bolinhas pretas, tinham detalhes de renda preta entre o decote e a barra. Uma calça jeans clara, uma sapatilha preta e nos cabelos uma tiara preta. Óculos escuros que a deixavam ainda mais atraente. Helen sabia ser sensual naturalmente… Esse era o maior poder de sedução da morena.
Ele sorriu olhando e pra sua surpresa, ela sentou-se em uma mesa longe dele. Taylor estranhou. Estaria ela de mau humor?

   Ele pegou seu prato e as coisas que estavam em sua mesa, e foi na direção da dela. Helen por baixo dos óculos escuros, apenas o observava. Estava tentando conter a vontade de jogar o prato na cabeça dele.

   - Bom dia, princesa. (Taylor falou sorrindo e se inclinando para beijá-la na boca, mas Helen virou o rosto na hora)

   Taylor continuou estranhando. Sentou-se e olhou-a nos olhos.

   - Aconteceu alguma coisa? (Taylor)
   - Não. (Helen respondeu fria)
   - Aconteceu sim, você não é desse jeito. (Taylor)
   - Sou sim, desde o dia em que nasci. (Helen falou ríspida)
   - Por que está ríspida? (Taylor)
   - Estou normal, eu sou assim. Prazer, sou Helen! (Helen ironizou)
   - É TPM? (Taylor brincou)

   Helen respirou fundo controlando-se.

   - Por que você não sai da minha mesa? Por que veio aqui? Eu não te chamei. (Helen disparou)
   - Eu hein, trocou suas ferraduras é? (Taylor)
   - Taylor, sai daqui. Por favor! (Helen)
   - Ok, e vê se melhora esse seu humor insuportável. (Taylor resmungou irritado e levantando-se)

   "Que vontade de mata-lo."

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Três.

   Lucas deitou-a na cama e projetou seu corpo sobre ela. Ao encostarem sua pele, um calor subiu por ambos. A sensação de prazer dominava-os. A sensação de paixão, instalava-se pela corrente sangüínea, provocando respirações ofegantes e batimentos cardíacos elevados. O que fazer quando um amor proibido bate em sua porta? O que fazer quando tradições religiosas sejam quebradas devido à entrega de corações e sentimentos? Como evitar apaixonar-se? Quando já não tinham mais nenhuma peça de roupa, já não dava mais pra segurar… Caminhar pra trás, somente os caranguejos.

   Agora era possível ver a olhos nus, como aqueles dois jovens tinham o destino entrelaçado. Como a borra de café ou a mensagem do baralho egípcio pareciam tornar-se realidade… Um oásis que surgia entre as areias do Saara e desfazia-se em dois corações. Era o amor, que dava as caras. Era a entrega sem limites…

   - E-eu estou com m-medo… (Yasmin disse num fio de voz)

   Aquela Odalisca sexy, na verdade não passava de uma garotinha inocente. Uma pequena menina, que despertava o sentimento dentro do coração de Lucas. Que o fez enxergar um lado colorido da vida, desconhecido por ele.


   - Não precisa ter medo. Vou fazer da maneira mais especial, te juro que vai ser inesquecível… (Lucas falou entre sussurros)

   Beijou-a passando tranqüilidade e demonstrando que definitivamente, seria inesquecível. Assim já seria por ser a primeira vez de uma mulher, algo que de alguma maneira, torna-se como um tesouro envolvido de pedras preciosas, que fica guardado dentro das melhores memórias. E quando se tem ao lado, o cara perfeito e certo, ficava sem sombra de dúvidas, dentro de um baú fechado a sete chaves. E o baú, é a representação material do coração.

   - Se doer me avisa… (Lucas)

   Por sorte, ele sempre tinha em sua carteira um preservativo. Jamais iria fazer algo com ela sem estar protegido. Sabia que estava saudável, mas não poderia engravidar uma islâmica.
Não se fosse da maneira que estava seguindo, sem serem casados. Não queria denegrir a imagem dela. Acima de tudo, isso era uma demonstração de respeito! Yasmin retorceu seu corpo ao sentir-se invadida. Sentiu os olhos marejarem ao ser dominada pelo desconforto e uma leve dor. Abraçou-o tentando conter aquele choro que despertava através das lágrimas presas em seus olhos. Talvez não fosse apenas pela dor, mas também por perceber que dali pra frente tudo seria diferente. Lucas passou os dedos pelo rosto dela. Olhou-a nos olhos e a fim de acalmá-la e fazê-la sentir junto toda sensação gostosa de amar, beijou-a da maneira mais deliciosa que alguém pode beijar. E projetou seu corpo devagar pra frente, começando com movimentos que fariam os dois levitarem até as nuvens. Nenhuma palavra precisaria ser dita.

   Olhares, toques, beijos… Amor.

   É possível escrever um conto e dizer que um feitiço do Oriente Médio foi lançado. Que a miragem de uma história de amor, começava a traçar suas linhas… Que sete véus foram entregues ao mesmo tempo em que a pureza de uma mulher desabrochou-se… A entrega. Um presente. Não estava em jogo apenas a satisfação da carne. Estava em jogo a felicidade… A união. E até mesmo o gênio do Aladim, decifraria a magia daquele ato no começo de um grande amor… E com toda a certeza do mundo, não era preciso oferecer três desejos. Apenas oferecia a eles um tapete mágico, que faria com que os dois sobrevoassem pelos céus do Egito, embebidos de paixão e envoltos de amor. Era o destino que deixava claro que qualquer obstáculo, seria pequeno perto da intensidade e da grandeza daquele frágil e forte amor. Que mesmo no começo, já tinha mais extensão que todas as pirâmides juntas.

   “Não sei dizer o que será do amanhã, mas tenho certeza que só serei feliz daqui pra frente, se tê-la ao meu lado…”

   "Não sou Jasmine e nem tenho pinta de mulher de faraó, mas posso dizer que meu conto de fadas egípcio, acabou de se iniciar. Não sei dizer se vou sofrer e chorar, se vou me magoar… Mas sei que como Sherazade, eu encontrei um sheik encantado. Não foi nas mil e uma noites. Foi na primeira… Na mais inesquecível. Juro perante as palavras do Alcorão e a memória de meu ab, eu sinto que o amor aflora pelo meu espírito e desabrocha entre meu sangue. Que meu batimentos cardíacos entram em sintonia com as pequenas partículas da paixão. É o oásis que se faz presente… É a magia de uma dança que transformou sete véus, em amor…”
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Dois.

   “A paixão às vezes se desperta em um olhar, em um toque ou em um passo de dança. Nada mais pode ser feito quando o destino mostra o seu traçar, quando os desígnios de Alá começam a surgir. Tudo que Ele põe no caminho de nossas vidas, nas nossas correntes sanguíneas, interligando espíritos e camuflando almas, traçando nossa passagem pela terra. Talvez exista um grande livro, assim como o Alcorão, e tenham certeza de uma coisa, mais do que Alá, cada um escreve o seu… Nada é por acaso, tudo está escrito…”

   O beijo intensificava-se de uma maneira que Yasmin sentia os pêlos de sua nuca arrepiaram-se. Uma sensação que estava adormecida dentro do peito da bela morena. Sentindo que aquilo começava a passar dos limites, ela separou-se respirando ofegante e vendo que Lucas estava da mesma maneira.

   - P-perfeita… Você é linda demais! (Lucas sussurrou pegando no rosto dela e fechando os olhos)

   Yasmim também fechou os olhos e aspirou o delicioso perfume que ele usava. Era enlouquecedor.

   - D-deixa eu te tocar… (Lucas sussurrou ao pé do ouvido dela, fazendo-a contorcer entre seus braços)

   Os lábios dele foram até a curvatura do pescoço dela. E ao iniciar tocando aquela região com a ponta da língua, fez com que os hormônios de Yasmin ficassem à flor da pele. Um medo brotava dentro do coração frágil dela. Medo de entregar sua vida nas mãos dele e medo do julgamento. Por mais que não fosse uma islâmica radical, ela sentia-se culpada por estar se apaixonando por um homem compromissado. Aliás, por já estar apaixonada. Mas raciocinar naquele momento era quase impossível. Lucas despertava nela uma sensação de prazer, que ela jamais imaginaria sentir. O jeito sensual do rapaz, a deixava sem chão. Ele sabia como hipnotizá-la. Seja no olhar, nas palavras amáveis ou através dos lábios macios e provocantes.


   “Em minha vida, nunca vi uma garota tão misteriosa como ela. No olhar enigmático que faz com que meus batimentos cardíacos acelerem expressivamente, num jeito angelical que faz com que todos os pêlos de meu corpo se arrepiem, com um gingado eletrizante e sensual, que provocam meus sentidos. E uma maneira especial e madura de seguir a vida. Posso afirmar que ela tem o jeito que sempre sonhei encontrar em uma mulher. Talvez um presente… De Deus!”

   Lucas passou a mão pelas costas dela indo direto no fecho do sutiã bordado. Yasmin afastou-se ofegante mais uma vez, sua expressão estava assustada.

   - Que foi? (Lucas perguntou respirando fundo)
   - N-não sei… (Yasmin respondeu num fio de voz)

   Aquela expressão era de uma garotinha assustada. Uma menina. Talvez nem seja apenas a sensação de um trauma que vinha a tona em sua cabeça, mas a sensação de estar à beira da primeira entrega. Ele por ser experiente, percebeu.

   - Posso te perguntar uma coisa? (Lucas)
   - P-pode… (Yasmin sussurrou)
   - Nunca fez amor com ninguém? (Lucas)

   Yasmin engoliu em seco. Abaixou a cabeça sentindo que suas bochechas queimavam. Com certeza estava vermelha. Estava morrendo de vergonha. Lucas sorriu ao vê-la toda tímida. Ele se encantava com aquilo. Aproximou-se dela e tocou em seu queixo, fazendo com que ela levantasse e o rosto e olhasse nos olhos dele. Yasmin negou com a cabeça, respondendo à pergunta dele.

   - Nunca? (Lucas)
   - N-não… (Yasmin sussurrou)
   - Se você não quiser nada, por favor, interrompe agora, porque depois eu não vou conseguir parar. (Lucas)

   Yasmin arregalou os olhos sentindo como seu coração acelerava cada vez mais. Estava assustada, mas ao mesmo tempo curiosa. Os olhos castanhos escuros brilhavam intensamente. Lucas conseguia ver o reflexo da alma dela através daquele colorido. Não dava pra voltar pra trás. Teria que seguir rumo ao o que o destino oferecia. Não podia renunciar àquela sensação. Tinha que se jogar de cabeça! Sem delongas, ele puxou-a pela cintura e voltou a beijá-la. Yasmin nem teve tempo de reagir… A jovem fechou os olhos ao senti-lo abrir seu sutiã. Respirou fundo tentando conter o nervosismo. Tremeu quando sentiu que estava nua na parte de cima e ao vê-lo afastar-se, para que pudesse admirá-la. Estava morrendo de vontade de se tampar, mas o fogo parecia corroê-la por dentro. Ela queria e aos poucos sentia que estava totalmente entregue.

   - P-perfeita! (Lucas)

   Ele sussurrava elogios que a deixavam ainda mais envergonhada. Estremeceu ainda mais, quando sentiu que lentamente ele lhe tocou entre os seios e mais uma vez distribuiu deliciosos beijos por seu pescoço. Ele sabia seduzir, isso era indiscutível… Yasmin tentando relaxar um pouco, subiu as mãos até os botões da camisa dele. Ele encostou a testa dele na dela e ficou observando o que ela fazia. Ela desabotoou lentamente a camisa, torturando-o… Mas não fazia isso propositalmente, apenas a falta de experiência e a timidez eram culpadas. Mas ela mal sabia que isso era o que mais proporcionava prazer… Era uma arma de sedução que ela nem imaginava ter.

    Não contendo a vontade, ela tocou o peitoral definido dele e foi descendo até chegar ao abdômen. Lucas fechou os olhos suspirando alto. Já sentia como seus ânimos estavam exaltados. Era uma tortura… Sem prolongar muito, Lucas a pegou no colo. O sutiã caiu de vez, já que estava pela cintura dela. Ela olhou profundamente nos olhos dele. Estremeceram com aquele simples trocar de miradas. Sentiam que aos poucos suas almas estavam entrelaçadas.
Dependentes e vulneráveis uma das outras.

   Apaixonados! Totalmente entregues ao sentimento que mais proporciona felicidade e sofrimento ao mesmo tempo!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte e Um.

   O coração da bela odalisca disparou e ela sentiu a respiração falhar. Seguiria o que sua intuição lhe dizia. Seguiria seu coração! Olhou-o com toda intensidade de seu olhar enigmático. O hipnotizou como uma serpente egípcia. O enfeitiçou com apenas uma mirada! Ela sabia que exercia esse poder sobre ele. Permaneceu em silêncio, sem responder absolutamente nada! Apenas levantou-se e deixou-o sentado no sofá. Andou devagar até seu quarto. Respirava fundo e sentia os olhos encharcados de lágrimas. Só tinha o pai em sua mente. Apenas ele…

   - P-pai… E-eu sei que ele é c-casado e que vai t-ter um filho, m-mas… Eu v-vou dançar… (Yasmin sussurrava chorando e mirando aquele véu que havia sido presente de sua mãe)

   Despiu-se sem se importar que a porta estivesse aberta. Pegou a delicada roupa branca, bordada com pequenas contas no mesmo tom, que apenas transpareciam um tom avermelhado e prateado. O sutiã bordado desenhava perfeitamente o busto de Yasmin, e a saia deixava suas pernas bronzeadas completamente à vista. Era diferente, tinha um tom sensual e misterioso. Era uma roupa que Yasmin jamais havia usado, era de alguma maneira, única!

   Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, lilás e branco. Amarrou cada um desses lenços na cintura e em seu rosto, o vermelho que era presente de Regina. O especial! Borrifou o perfume de maracujá que enfeitiçava qualquer homem. E sem sombra de dúvidas, ela enfeitiçaria! Os cabelos levemente enrolados, ao natural. A maquilagem egípcia e o olhar penetrante. Sensual!

   A Dança dos Sete Véus! A que ela havia guardado a sete chaves. A ocasião especial. O homem certo! A que ela sentia ser o portal pra jogar-se de cabeça naquele amor. O caminho sem volta. A união!

   
“Minha vida se resumirá em sete véus, meus caminhos estarão traçados entre sete cores, minhas decisões serão tomadas entre sete palavras, meu corpo representará sete elementos e meu coração transformará sete chakras em apenas um sentimento. O amor…”

   Caminhou até a sala sentindo como borboletas e libélulas bailavam em seu estômago. Sentia o corpo tremer e a boca estava completamente seca. Estava nervosa, mas ao mesmo tempo, decidida!

   “A Dança dos Sete Véus, a luz que irradiará meu caminho e a certeza de que após isso eu irei lutar perante os olhos de Alá, perante as leis da vida, seguirei em frente com a cabeça erguida, é o meu destino, o meu caminho… Está escrito na linha da vida, está traçado no percorrer de meus suspiros, está alinhado ao meu espírito. Maktub… É a hora e já não posso caminhar pra trás!”

   Lucas respirou fundo. Seus olhos brilhavam ao ver a mais bela Odalisca parada em sua frente. O rosto coberto e apenas aqueles olhos enigmáticos pra fora. O grande causador de toda uma paixão. O olhar! As batidas da música pareciam ser inaudíveis perante os ouvidos de Lucas. Não conseguia raciocinar ao vê-la dançar e envolver-se com cada um dos véus! Pra cada cor, um passo diferente! Os cabelos voavam perante as viradas que ela dava com o corpo. A maneira que gingava com o quadril e as pernas que iam e vinham pra frente e pra trás. As mãos que brincavam com os véus e o rosto que permanecia coberto… O mistério!

   “Extravaso minha raiva com o véu laranja, o jogo pro alto jogando o quadril para esquerda… Esqueço do materialismo quando toco no véu amarelo, fecho os olhos ao passá-lo por meu rosto, o passo pra trás e delicadamente o coloco no chão… Deslizo por minha barriga o véu verde, demonstrando o meu físico e jogando levemente minha perna direita pra frente para que meu quadril gingue com a batida do tambor… Desamarro o véu azul de minha cintura e fico por alguns segundos mirando em seus olhos, a serenidade que eu não alcançaria nem mesmo nos céus, sorrio sem que ele perceba já que meu rosto está coberto e respiro fundo admirada com aquele olhar de menino encantado que tanto me fascina… Pego o véu lilás e me ajoelho no chão, fecho os olhos e apenas o seguro no ar, minha alma, nossas almas se libertando do negativo e deixando apenas fluir energias boas, positivas… Me levanto e puxo o véu branco, a minha pureza, a minha luz, a nossa luz, requebro e viro deslizando minha cintura para os dois lados e gingando junto com minha perna… Suspiro puxando de meu rosto o último véu, o vermelho… O presente de minha mãe, o mais especial! Destampo o meu rosto e gingo meu corpo, escuto as últimas batidas da música e sinto que elas pareciam estar no mesmo compasso de meu coração… Paro no meio da sala e cubro mais uma vez meu rosto com o véu, talvez uma tentativa de conter a vergonha que estou nesse momento…”

   A música aos poucos ia abaixando.

   “Não dá mais pra segurar os meus instintos, ela me hipnotiza e me fascina de uma maneira que não posso mais me controlar…”

   Lucas levantou assim que a música acabou, andou calmamente até ela. Parou em sua frente trocando o mais profundo olhar. Irradiavam um brilho intenso. Delicadamente ele puxou o véu que cobria o rosto de Yasmin. Ao mesmo tempo em que o véu deslizava sobre a bochecha dela, os dedos de Lucas iam desenhando o caminho. Ela fechou os olhos e quando deu por si, sentiu o gosto dos lábios de Lucas sobre os seus. O caminho sem volta já estava sendo seguido. Não mais podia voltar pra trás. Não podia haver desistência…

   Agora o xeque-mate havia sido lançado. Dois corações que já se uniam da mesma maneira que sete véus caíam ao chão…

   Maktub! Esse era o destino.

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Vinte

   A paixão já gritava forte entre os dois jovens. Já estavam compartilhando do mesmo sentimento e isso ao mesmo tempo em que os apavorava, os tranqüilizava. Um necessitava do outro! Yasmin agarrou-o, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dele. Não conseguia mais chorar, queria apenas senti-lo abraçando-a. Queria estar por perto e perceber que ele estava ali ao lado dela. Mesmo que fosse pelas últimas horas. Foi nisso que a ficha de Yasmin caiu: Ele iria embora em dois dias! Mais uma pessoa que ela havia se apegado profundamente e que a deixaria ali.

   Seria o destino dela perder todas as pessoas que ela amava? Amava? Yasmin já poderia afirmar que estava amando Lucas?

   - V-você vai embora em d-dois dias, não é? (Yasmin perguntou saindo do abraço constrangida)
   - Depois de amanhã. (Lucas respondeu suspirando)

   Yasmin mordeu os lábios na tentativa de não voltar a chorar. Respirou fundo mexendo em suas mãos.

   - Min? (Lucas)
   - Hum? (Yasmin sussurrou olhando-o)
   - Dança pra mim? (Lucas)

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Dezenove.

   Yasmin tirou a roupa de Odalisca rapidamente, e vestiu-se. Queria sair o mais rápido possível daquele lugar. Chorava entre um desespero que arrancava todo o seu equilíbrio. Correu e mais uma vez deparou-se com Lucas. Ele a olhava sem entender.

   - O que houve? (Lucas perguntou assustado ao vê-la descabelada, suando e aos prantos)
   - M-me tira daqui… M-me leva e-embora! (Yasmin sussurrou chorando)

   O passado embaralhava a mente de Yasmin. As mãos que ela julgava serem asquerosas pareciam tocá-la novamente. Sentia o mesmo nojo, queria gritar. Ele nem ao menos havia conseguido nada, graças à Ala, mas havia traumatizado-a e isso era visível. Nada mais precisou ser dito. Yasmin ao chegar em seu apartamento, arrastou Lucas até o sofá e agarrou-o em sinal de desespero. Apertava-o ao ponto da circulação dele parar.

   - N-não encosta em mim… NÃO ME TOCA! (Yasmin gritou transtornada e agarrada ao braço de Lucas)
   - Yasmin, o que houve? (Lucas perguntou assustado)
   - Não o d-deixe se a-aproximar de mim, por f-favor… EU QUERO O MEU PAI! (Yasmin gritava aos prantos completamente desesperada)
   - Se acalma, estou aqui! (Lucas exclamou abraçando-a fortemente)


   Yasmin chorava alto. Parecia que mais uma vez teria que sofrer nas mãos de seu tio. Ela jurava te-lo visto, mas tudo não passava de um engano. Mas ela não sabia e aquilo era mais uma vez estar à beira do inferno! Mas aquele abraço supria todo esse desespero. Era tão consolador como o de seu pai, mas ela sabia que a intensidade de sentimentos era totalmente diferente. Yasmin aos poucos parava de chorar. Apenas desfrutava do ombro de Lucas, sentia o doce aroma de seu perfume e fechava os olhos tentando assimilar as coisas. Sua cabeça estava cheia e ela mal raciocinava. Estava transtornada e ao mesmo tempo, alucinada de vontade de beijá-lo. Dele! Era o que mais Yasmin precisava no momento... DELE!

   - Está mais calma? (Lucas perguntou alguns minutos depois de confortá-la em silêncio)
   - S-sim… (Yasmin sussurrou enxugando os olhos e saindo do abraço)
   - De quem você estava fugindo? (Lucas)
   - N-não quero falar s-sobre ele… (Yasmin sussurrou voltando a chorar)
   - Não fale, mas, por favor, não chore… (Lucas falou segurando as mãos dela)

   Yasmin olhou entre as pupilas de Lucas. Como elas a hipnotizavam! A deixavam sem chão. Ela sentia o mundo congelar perante aquele olhar. Ele sabia mexer com o coração dela, aliás, ele já tinha o coração dela por completo. Por mais que quisesse ocultar esse fato, Yasmin sabia que já não tinha como voltar atrás. Ela já estava entregue, por enquanto, apenas de alma.
Sentindo uma grande confiança, ela aos poucos começou a desabafar.

   - E-era meu tio… (Yasmin sussurrou fungando o nariz)
   - Estava fugindo dele? Mas por quê? (Lucas perguntou estranhando)
   - E-eu nunca me dei bem c-com ele, sempre batíamos de frente um com o o-outro. Um dia e-ele bateu em uma d-de suas esposas e e-eu entrei no meio, a-acabei me descontrolando e bati nele… C-começou uma guerra entre ele e meu pai. Devido a isso, m-meu pai adoeceu e m-morreu… (Yasmin sussurou chorando quando tocou no nome de seu pai)
   - Se isso te faz sofrer, não precisa continuar… (Lucas afirmou limpando as lágrimas dela)
   - Deixa e-eu colocar pra f-fora? (Yasmin perguntou entre soluços)

   Lucas apenas balançou a cabeça afirmativamente e acariciou a bochecha esquerda dela.

   - Alguns dias d-depois do enterro d-do meu pai, eu estava s-sozinha em casa… Ele e-entrou e… (Yasmin fez uma pausa pra respirar fundo) e… Ele tentou m-me estuprar… (confessou aos prantos)
   - Desgraçado! (Lucas sussurrou com ódio)
   - Graças à m-meu outro t-tio e um p-primo ele não c-conseguiu, mas a-acabou me difamando na f-família e por causa dele, hoje estou no E-egito, longe da m-minha mãe e d-da minha irmã… Por c-culpa dele a minha v-vida tornou-se um i-inferno! (Yasmin exclamou chorando)

   Lucas massageou as mãos dela, controlando a fúria e a vontade de socar a cara dessa criatura que ele nunca tinha visto na frente. Mas já tinha certeza de uma coisa, era seu pior inimigo!

   - Odeio ver esses lindos olhos cheios de lágrimas. Odeio ver uma mulher chorando, ainda mais quando se trata da Odalisca mais linda que eu já conheci… Eu não posso deixar que um verme faça esse coração tão puro sofrer, esquece esse imbecil e só pense que o que é dele está guardado. Ele vai ter o que merece, e você vai recuperar tudo que a vida lhe tomou, mesmo que o que você mais queira seja impossível, mas vai ter sempre seu pai vivo dentro do seu coração. Tenho certeza que ele caminha do seu lado, e deve estar bastante orgulhoso em ver que a filha dele é a garota mais incrível de todo o mundo, linda por fora e por dentro, rara como uma pérola negra e única, como um eclipse entre as pirâmides e a esfinge. (Lucas sussurrou mirando intensamente os olhos amendoados de Yasmin)

   “Não posso mentir pra minha consciência, pro meu coração. Eu quero largar tudo por ela, quero jogar pro alto minha vida e apenas tê-la ao meu lado. Eu preciso dessa Odalisca com jeito de menina e sedução de mulher… Eu não posso negar, ela fisgou meu coração e agora estou rendido, caído aos pés dela… Estou apaixonado… Completamente apaixonado!”
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Dezoito.

   “Parabéns sua otária, acabou de tomar um belo soco de direita bem no meio do seu nariz. Parabéns Helen, por se apaixonar por um traidor e cultivar amizade com uma traidora.”

   Helen tirou os sapatos e ligou a televisão. Deitou-se na cama tentando manter-se calma. Engolindo o choro que estava engasgado em sua garganta. Como podia ainda confiar em Letícia? Não era a primeira vez que isso acontecia. E sempre era com o cara que Helen se apaixonava, não era com apenas um que ela estava curtindo. Era uma perseguição? Imbecil. Mil vezes imbecil! Ainda dava crédito pra ela, depois dos outros. Voltavam a se falar e mais uma vez, Letícia dava mancada. E Taylor? Sua insegurança parecia ser uma premonição. Um aviso! A jovem morena fechou os olhos quando sentiu que sua garganta começava a doer. Isso era sinal que as lágrimas logo iriam transbordar de seus olhos, e escorrer por toda sua face. Aquilo a deixava com mais raiva, odiava chorar por pessoas insignificantes.


   - DESGRAÇADO. (Helen gritou levantando-se da cama e atirando com força um cinzeiro na parede)

   Por ser de cristal, seus estilhaços voaram pelo chão. Helen respirou fundo sentindo um forte ódio lhe dominar. Isso era um sinal de perigo. Helen quando ainda era uma adolescente, teve que fazer um tratamento com psicólogos e terapeutas para conseguir controlar sua fúria. Era uma espécie de esquizofrenia que estava adormecida. A personalidade forte somada com esse desequilíbrio, a faziam ser uma pessoa violenta. Até então ela estava curada, mas sentir-se traída a fazia mais uma vez recair.

   - MALDITA. MALDITA! (Helen esbravejou entre gritos e atirou mais um objeto na parede)

   Estava completamente descontrolada. E todo aquele descontrole, a fazia chorar como uma criança. E foi isso que aconteceu!

   - M-me ajuda Deus. M-me ajuda… (Helen sussurrou chorando ao sentir que estava mais uma vez em estado de desequilíbrio)

   Isso a fazia entrar em pânico!
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Dezesete.

   - Let, pare com isso. Por favor… (Taylor)
   - Eu quero. (Letícia)
   - Mas eu não, por Deus, amo a Helen. Ela é sua amiga. (Taylor)
   - Eu sei disso, me sinto super mal, mas é inevitável. (Letícia)
   - Eu não quero nada com você, a Helen pode me rejeitar, mas é ela que eu quero. (Taylor)
   - E se eu fizer isso? (Letícia)

   Sem demorar, a loira aproximou-se e tirou o fôlego do belo moreno com um roçar de lábios que arrepiava qualquer corrente sangüínea. Por mais que Taylor relutasse para separá-la de si, continuavam ali entregues ao beijo. Helen fechou os olhos e respirou fundo. Sua melhor amiga e seu quase namorado aos beijos. Saiu da sala sem que os dois a notassem, engoliu o choro e acionou o botão do elevador. Iria voltar pro Brasil de qualquer maneira em dois dias, isso a partir de agora era concreto, já que há cinco minutos atrás, estava descartado.


   Yasmin respirou fundo ao subir no palco. Por mais experiente que fosse, ainda sentia um frio na barriga com aquela sensação. Os toques já haviam começado, quando ela começou a bailar. Seus olhos pareciam de cobras rainhas que jogavam seu veneno deixando qualquer homem morto no chão. Morto de desejo, já que a bela e enigmática odalisca era besuntada de sedução. Quando os toques finais já soavam, aquele rosto, o jeito e aquela barba a fizeram sair do transe da dança. Sentiu o coração gelar e a boca ficar seca. Os flashes aterrorizavam em sua mente e mais uma vez, o pânico.

   
- Agora não tem mais o seu ab aqui. O que vai fazer hein? (ele falava rindo enquanto dedilhava a coxa esquerda da sobrinha)
   - M-me solta. DESGRAÇADO. (Yasmin gritava entre prantos)
   - Não sua vagabundinha, agora vai sentir toda a minha fúria. Mas como você não passa de uma vadia, aposto que vai adorar e ainda vai ficar gemendo pra eu fazer mais vezes. (ele falava enquanto beijava-a no pescoço)

   Yasmin se debatia, aquilo era um pesadelo!


   Tudo voltava a sua mente, todas as palavras, todos os toques nojentos. Tudo que ele tentou, mas por sorte não conseguiu. Ela tinha certeza, ele estava perto do bar, mas não a olhava. Seus olhos automaticamente encheram-se de lágrimas. Ela queria gritar socorro. Queria vomitar de nojo! Olhou pra Lucas, que estava parado atrás do palco a olhando. Ela sem conseguir falar, queria pedir proteção a ele. As pessoas levantaram de sua cadeira e a aplaudiram. Yasmin sem pensar, saiu em disparada do palco, tinha que fugir! Fugir daquele desgraçado que mais uma vez estava ali. O que arruinou sua vida, que a transformou em um inferno. Trombou com tudo em Lucas, mas conseguiu sair dos braços dele e correr para o camarim enquanto as lágrimas embaçavam sua visão e escorriam junto com o cajar que contornava seus olhos. Lucas sem pensar duas vezes e não entendendo nada, foi atrás dela

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Dezesseis.

   Yasmin entrou no camarim e largou a mochila em seu armário. O calor estava insuportável, queria logo se livrar da blusa que vestia. Ao levantar a blusa e ficar apenas com o sutiã preto que usava.

   - Yasmin, posso ent… (Lucas entrou de sopetão e congelou ao vê-la de sutiã)
   - AAAH! (Ela gritou, tampando-se e se assustando)

   Lucas continuava com os olhos arregalados e parado no meio do camarim.Estava estático. Yasmin por instinto correu pra trás do armário. Queria se jogar dentro de um buraco.


   “A vida me fez perceber coisas invisíveis, em frações de segundos. Várias noitadas, baladas, bebidas, drogas e companhia limitada que me fazem ser experiente e me deixam enxergar algo que para as pessoas é difícil de ver, bem, ele acha que não transparece algo, mas eu, Bruna, tenho visão infravermelha de Super Homem, talvez eu tenha dentro de mim uma criptonita. Uma semana que foi suficiente pra saber que ele não leva apenas em sua vida, nosso casamento. E eu conheço olhares de quando a pessoa passa na frente, ou então, como o bailar o hipnotizava. Foi em uma noite que assisti a apresentação de Dança do Ventre e as fichas começaram a cair. Não sei em relação a ela, já que me ajudou e ouvi falar que era islâmica, enfim, mas ele está caído por ela e talvez eu tenha que prestar ainda mais atenção nessa situação, porque estando com ele ou não, ela é uma ameaça pro meu casamento. Isso eu já sei sem nem confirmar nada…”

   - Yasmin, desculpe-me. Não devia ter entrado dessa maneira. (Lucas desculpou-se virado de costas, mesmo que ela estivesse atrás do armário)
   - Tudo bem. (Yasmin falou vestindo sua regata, em seguida saiu detrás do armário)
   - Posso virar? (Lucas)
   - Pode, eu estava atrás do armário, não iria ver mesmo. (Yasmin falou tentando esconder a vergonha)


   Lucas virou e sorriu sem graça. Não sabia o que falar.

   - Você quer falar alguma coisa? (Yasmin rompeu o silêncio)
   - Quero. (Lucas)
   - Pode falar. (Yasmin falou desviando o olhar)
   - Acho que devemos conversar, não sei… (Lucas)
   - Temos uma relação profissional e isso já basta. Ok, você não é meu patrão, mas é filho dele e eu sou apenas uma funcionária, uma entre milhares que existem por todos esses hotéis no mundo inteiro. (Yasmin)
   - Lá vem você com esse discurso. Desculpe-me, mas não costumo ter relação profissional com quem beijo na boca. (Lucas disparou)

   Yasmin sentiu-se coagida e pior, como uma mulher qualquer. Lucas percebeu na hora.

   - Você deve achar que saio com qualquer uma, que transo com todas e que a minha pobre esposa grávida fica em casa chorando. Eu cansei de ter a imagem de um filho da puta, com o perdão da palavra. Eu cansei de toda mesquinharia que minha vida se transformou. Cansei de todo mundo me olhar como se eu fosse o maior canalha do mundo. Um comandado que nem ao menos pode decidir se quer ou não se casar. O pior é que você é mais uma dessas que pensa assim. (Lucas esbravejou irritado)

   Yasmin sentiu-se ainda mais coagida. Ele estava jogando pra cima dela suas frustrações? Ou desabafando?

   - Eu não tenho culpa de nada disso. (Yasmin defendeu-se)

   Lucas respirou fundo coçando o queixo. Sempre estragava tudo!

   - Desculpa. Descontei tudo em você. Eu sou um imbecil! (Lucas)
   - Sabe o que eu acho? (Yasmin)
   - O que? (Lucas)
   - Que você é uma criança vestida de adulto. Por mais que tenha cara e jeito de bebê… (Yasmin soltou e automaticamente suas bochechas ruborizaram)

   Lucas limitou-se a sorrir timidamente.

   - Não precisa ficar vermelha, já acostumei com o apelido de bebê. (Lucas)
   - Bem, o que quero dizer é que você não sabe lidar com a vida. Talvez você ainda seja imaturo. Não falo isso pra te ofender, mas é que você foi obrigado a enfrentar uma fase madura que você não está de verdade preparado. Digo tanto pelo casamento, quanto pelo seu filho. E pelo que vi de sua esposa, com ela acontece o mesmo. E isso deixa vocês dois infelizes. (Yasmin)
   - Você acredita em mim? (Lucas perguntou erguendo uma de suas sobrancelhas)

   Yasmin permaneceu calada.

   - Eu desde que conversei com você pela primeira vez, jamais menti. Foi só a Bruna aparecer aqui que você mudou completamente comigo. Não estou falando em termo de beijos, ou coisa e tal. Você mal fala comigo, me trata friamente. E nunca foi assim. (Lucas)
   - Eu não tenho que me meter no seu casamento, ela vindo ou não, não é problema meu. (Yasmin)
   - Então por que depois que ela veio você mudou comigo? (Lucas)
   - Eu me senti mal, sei lá, com uma culpa. (Yasmin)
   - Culpa do que? (Lucas)
   - Me senti uma destruidora, uma invasora. (Yasmin)
   - Yasmin, não dá pra destruir o que já está destruído. (Lucas)
   - Eu não sei, mas na hora eu senti que você talvez tivesse mentido pra mim. Só pra me beijar e talvez me levar pra cama. Desculpe, mas eu duvidei do seu caráter. (Yasmin confessou)

   Lucas engoliu em seco. Não era o que ele gostaria de ouvir da boca dela, ainda mais que…
Bem, mas ela foi sincera e isso já é um ponto positivo.

   - Desculpe-me de verdade, eu nunca quis magoar ninguém, mas foi o que eu senti. E isso me deixou mal, sei que você não devia nada a mim, nem tinha obrigação de nada, mas eu fiquei chateada de vê-la aqui. Sei que estou sendo ridícula, mas pra mim um beijo também é muito importante. Ah esquece, ela é sua esposa… (Yasmin)
   - Yasmin, eu agradeço muito pela sua sinceridade. Foi difícil escutar que duvidou de meu caráter, mas saber que ficou incomodada com a presença da Bruna significa que sentiu um pouco de ciúmes. (Lucas deduziu)
   - N-não é isso, é q-que… (Yasmin enrolou-se com as palavras)
   - Posso te falar uma coisa? (Lucas)
   - O que? (Yasmin)
   - Esse jeito tímido, me enlouquece… Pequena Odalisca. (Lucas falou sorrindo e beijando-a na bochecha)

   Em seguida saiu do camarim, deixando-a completamente envergonhada. Algo que mais uma vez voltava a acontecer, já que há um mês o tratamento entre eles não era um dos melhores

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quinze.

   “Foi um mês intenso, mas com todo meu charme de pantera, consegui pelo menos resolver algumas coisinhas…”

   Letícia sorria orgulhosa com seu feito. Bem, não havia descoberto quem era o manda chuva das prostituições no hotel, mas conseguiu descobrir que o nome de Yasmin Rosa foi incluso nos registros por outra pessoa. Com um método policial, ela comparou as digitais no registro e as digitais de Yasmin. Claro que teve a ajuda de um detetive, mas a loira mostrou-se bem eficiente na arte de descobrir as coisas.

   - Bom trabalho, Let. De verdade você arrasou. (Taylor elogiou-a)
   - Obrigada. Obrigada. Sim arrasei e muito, e sou extremamente humilde. (Letícia brincou)
   - Percebi! (Taylor exclamou sorrindo)
   - Acho que vou ficar até descobrir quem está por trás dessa história de prostituição. (Letícia)
   - Talvez seja necessário descobrir rapidamente isso. (Taylor falou um pouco aéreo)
   - Taylor, está tudo bem? (Letícia perguntou percebendo)
   - Está sim, por quê? (Taylor)
   - Parece distante. (Letícia)
   - Impressão sua. (Taylor)
   - Ou será que está triste porque em dois dias a Helen vai embora? (Letícia)
   - Pode ser… (Taylor)
   - Mas pensa por um lado, agora vocês são namorados, então sempre vão manter contato. (Letícia)
   - Não somos namorados. (Taylor)
   - Não? (Letícia)
   - Não. Ela não quer… (Taylor)
   - Como assim a Helen não quer? (Letícia perguntou arregalando seus grandes e belos olhos castanhos)
   - Pois é, não quer e é melhor encerrar esse assunto, temos coisas mais importantes pra tratar referente a essa investigação que fez. (Taylor)
   - Podemos, mas antes quero falar uma coisa. A Helen está perdendo muito com isso tudo, você é fascinante em todos os sentidos, qualquer uma cai em seus pés. (Letícia afirmou tremendamente direta)

   Taylor deu um sorriso sem graça e se afundou na cadeira rotatória em que estava sentado. Havia recebido uma cantada na cara dura.

   - Não precisa ficar com vergonha, de verdade você é lindo. Eu no lugar dela já estava com casamento marcado e um filho na barriga. (Letícia lançou abertamente)


   Taylor pigarreou piscando rápido. Não conseguia lidar com mulheres que falavam diretamente sobre algo que sentiam. Talvez por ele sempre tomar a atitude, isso o deixasse envergonhado.

   - Vamos continuar com meu relatório? (Letícia perguntou calmamente)
   - V-vamos. (Taylor respondeu gaguejando)
   - Deixe-me antes tirar esse cílio que veio parar aqui. (Letícia afirmou pegando o cílio perto da boca dele)

   Taylor respirou aceleradamente e Letícia percebeu. Helen que estava encostada na porta da sala, apenas observou em silêncio. Ficou enciumada. E devido a isso virou as costas e saiu, poupando-se de falar algo com ele.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Quatorze.

   - Por que não fica aqui com o Taylor? (Lucas perguntou esfregando os olhos)
   - Eu? (Helen perguntou se apontando)
   - É, você. (Lucas)
   - Você diz morar aqui? (Helen)
   - Ele não mora aqui, Helenzinha. (Lucas)
   - Mas vai ficar um tempo oras, ou seja, mora. (Helen)
   - Ele não vai ficar muito tempo aqui, se não me engano vai pra Dubai depois com meu pai. Ele está vendo de abrir um hotel lá… (Lucas)
   - O tio Jorge vai abrir um hotel em Dubai? (Helen perguntou com os olhos arregalados)
   - Parece que sim, depende muito do custo, lá as coisas são exorbitantemente caras. (Lucas)
   - Meu tio abrindo um hotel em Dubai. Alá do céu, estarei lá todo final de semana. Aliás, se o tio precisar de camareira, jardineira, faxineira, prostituta, estarei totalmente à disposição. (Helen afirmou encantada com a idéia)
   - Para de ser palhaça. Vai com o Taylor. (Lucas)
   - É tão engraçado ver quando você me oferece pra ele. (Helen brincou)
   - Já não adianta eu fazer mais nada para afastá-lo de você. (Lucas)
   - Por que você acha que estou tendo um relacionamento sério com ele? (Helen)
   - E não está? (Lucas)
   - Não. (Helen)
   - Como não? (Lucas)

   - Eu não confio no Taylor. (Helen confessou)
   - Por que não? (Lucas)
   - Não sei, talvez seja insegurança minha, mas não confio. Talvez pelo passado dele, do jeito galinha. (Helen)
   - Helen, conheço o Taylor e sei que por mais que ele se amarre em qualquer rabo de saia, ele jamais te magoaria. Ele parece bem apaixonado por você. (Lucas)
   - Eu sei disso tudo, mas eu não confio. (Helen)
   - Ele sabe disso? Porque ele ficaria bastante magoado em saber que você não tem confiança nele. (Lucas)
   - Ele sabe, acabei soltando isso ontem à noite. (Helen)
   - Então por isso você está um pouquinho amuada? (Lucas perguntou apertando o nariz da prima)
   - É… (Helen sussurrou fazendo biquinho)
   - Gosta dele? (Lucas)
   - Lucas, eu não sei. Têm dias que eu tenho certeza que sou apaixonada, e no outro penso que é só tesão, porque ele é uma delícia na cama… (Helen)
   - Sem entrar nos detalhes, por favor. (Lucas)
   - Ciumento, é verdade. (Helen)
   - Helen, você e suas confusões. Acho que você gosta sim dele, e muito, mas com essa insegurança você pode botar tudo a perder. (Lucas)
   - Ele me pediu em namoro umas quatro vezes. Recusei todas. (Helen)
   - Ele não vai pedir mais, e você sabe disso. Admira-me que ele insista tanto, isso significa que ele está de fato apaixonado por você. (Lucas)
   -  Bebê, eu me sinto insegura com ele. (Helen)
   - Helen, acho que você tem medo de relacionamento e do amor, isso está te bloqueando. (Lucas)
   - Quero ficar com ele, mas sinto que é melhor mais pra frente, sei lá. (Helen)
   - Acho que deveria conversar com ele, resolver isso. (Lucas)
   - Pois é… (Helen)
   - Só não quero te ver triste, ok? (Lucas falou bocejando)
   - Ok, meu bebê lindo. (Helen afirmou deitando a cabeça no ombro dele)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Treze.

   “A única pessoa que já tratei com desprezo em toda a minha vida, foi o meu tio. Mas agora, trato o Lucas da mesma maneira. Eles são totalmente diferentes, não deveria fazer isso, mas talvez tenha uma coisa em comum entre os dois, adeptos da infidelidade. Sei que não sou inocente perante os beijos que ele me deu e bem, um que dei nele, mas me magoei com aquela mentira, por menor que seja, fiquei chateada. Sei que não tenho direito algum, ele antes de me conhecer já era casado e ia ser pai, mas sinto isso e é inevitável. O trato friamente e de verdade me sinto mal com isso, aqueles olhinhos cor de mel me olham implorando uma atenção, eu não tenho sangue de barata. Sou um ser humano, minha vontade é de apertar as bochechas dele e dar um beijinho bem na ponta de seu nariz. Ele é um bebê…”

   Yasmin ajeitou a mochila nas costas e saiu do apartamento rumo ao hotel. Nos próximos dois dias teria folga, conforme a escala, porém ela não sabia se de fato folgaria, pois como não era boba, havia escutado que em dois dias Helen e Lucas iriam embora. Voltariam ao Brasil e, talvez não folgar a deixaria um pouquinho mais perto dele, mesmo que apenas nos olhares. E isso era significativo entre os dois, mesmo sem falarem assuntos que não fossem profissionais, eles pareciam conversar com suas miradas.

   - Salam. (Yasmin cumprimentou o porteiro de seu prédio e saiu)


   “Olhando as ruas do Egito, vejo o quanto perdi em não ter continuado a amizade com ele, bem vocês entenderam. Digo isso porque eu poderia ter mostrado muito mais lugares pra ele, o feito conhecer diversas paisagens. Fui egoísta, confirmo… Mas talvez ele tenha feito isso com algum guia turístico, não sei. Ou quando a esposa dele veio pra cá, talvez tenham saído pra conhecer. Que ilusão a minha pensar que só eu poderia mostrar pra ele o Egito. Por que desde que a esposa dele veio pra cá, eu o ignoro e mesmo assim não consigo parar de pensar nele?”
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Doze.

   “Eu via as horas passar, o dia raiar e o cair da noite como um flash, como estrelas cadentes que aceleravam o movimento rotacional da Terra. Minha experiência profissional ia aumentando, mas meu lado sentimental, cada vez mais ausente. Mal pude acreditar que uma semana depois de tudo aquilo, Bruna voltou ao Brasil, bem, eu a levei. Não por eu ter imposto, mas por uma decisão dela e pensando na saúde de meu filho e em seu bem estar, embarquei com ela pro Brasil. Voltei uns quatro dias depois e tudo permanecia igual. Da mesma maneira que eu havia deixado antes, e claro, a indiferença que cada vez mais aumentava. Se eu me incomodava? Bastante, aquilo parecia uma tormenta pra minha vida, eu necessitava de um pingo de atenção dela, coisa mínima. Estranho pensar que eu mal a conhecia e queria que pelo menos ela falasse de uma maneira mais amena comigo, sei lá, mais atenciosa, mas ela limitava-se ao tratamento de funcionária e patrão. Mas eu ainda podia ver sua beleza ao dançar, seus perfeitos movimentos e sua silhueta delicada. Aquele véu que deslizava por suas mãos, sentir seu cheiro exalado pelo corredor… E claro, a força enigmática de seu olhar misterioso e seu jogar de cabelos, que me deixava maluco. Hipnotizado! Odalisca feiticeira…”

   - Não acredito que já passou todo esse tempo, Lucas. Vamos voltar pro Brasil essa semana. Eu não quero! (Helen resmungou)
   - O tempo voou… (Lucas sussurrou suspirando)


   “Sim, o tempo bate asas e não espera que consigamos nos adaptar a isso. Ele voa e deixa pra trás pequenos fatos, e não leva pra frente o que definitivamente se deseja. Confesso e não escondo, eu desejo… Do fundo da minha alma e de dentro do meu coração, eu necessito…”

    - O que vai fazer quando voltar? Vai pro hotel da capital? (Helen)
   - Não sei, preciso conversar com meu pai. (Lucas)
   - Por que não fica mais um pouco aqui? Sei lá, você botou certa ordem aqui e acredito que seja boa a sua permanência no Egito. (Helen)
   - Quando voltarmos, terei uma reunião com ele, aí veremos o que decidir quanto a isso. (Lucas)
   - Entendi! (Helen)

   “Meu filho nesse tempo, despontou sobre o ventre de Bruna, bem eu não vi de perto, mas pela foto que ela me mandou pelo e-mail, ele já aparece. Faz tão pouco tempo e mesmo assim ele já começou a se mostrar pro mundo. Não sei, mas senti uma felicidade tão grande ao ver o ventre de Milena, uma paz. Sim, a paz que se abrigava em meu filhinho, meu pequenino.”

   - O Taylor vai ficar. (Lucas)
   - Eu sei, ele me falou. (Helen falou suspirando)
   - Você sabe que é muito difícil encontrá-lo no Lucas devido à supervisão que ele faz? (Chris)
   - Sei! (Helen)
   - Como vão ficar vocês dois? (Lucas)
   - Não sei, talvez iremos terminar, sei lá! (Helen afirmou tristonha)
   - Vocês dois parecem distantes um do outro, aconteceu algo? (Lucas)
   - Não aconteceu nada. (Helen)
   - Vocês não estão bem. (Lucas)
   - Na verdade, acho que estamos temerosos com esse compromisso, não sei dizer direito. (Helen)
   - Medo do amor? (Lucas)
   - Talvez… (Helen)


   “Que ironia… Até parece que estou me olhando no espelho. Sim, sempre tive medo de amar, mas quando me apaixono me jogo de cabeça. Viro um banana, sendo direto, mas me sentia feliz quando isso acontecia… Bem, nem sei se posso afirmar com todas as palavras que já me apaixonei de verdade por uma mulher…”

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Onze.

   Na manhã seguinte, Yasmin tamborilava os dedos na recepção do hotel. Parecia estar com o pensamento longe.

   - Viajando? (Taylor perguntou chegando perto dela)

   A jovem chegou a saltar pra frente pelo susto, estava definitivamente longe!

   - Desculpe, te assustei. (Taylor)
   - Não se preocupe. Como vai Taylor? (Yasmin perguntou com a mão no coração, ele estava acelerado pelo susto)
   - Bem. E você? (Taylor)
   - Também! (Yasmin)
   - Marcelo te importunou mais alguma vez? (Taylor)
   -  Não, acho que ele resolveu dar uma trégua. (Yasmin)
   - Não seja ingênua Yasmin, isso tudo pode ser uma jogada dele! (Taylor)
   - Será? (Yasmin)
   - Mais fácil você atacar um inimigo pelas costas, do que declaradamente. (Taylor)

   Yasmin ergueu uma de suas sobrancelhas. Isso a deixava tensa. Com receio! Medo!


   - Mas é melhor nem encanar muito, porque você sabe, um passo dele contra você, e o Super Moura vem te defender! (Taylor exclamou rindo)
   - Que? (Yasmin)
  - Deixe isso pra lá, bobagem minha! Mas não se preocupe, algo que ele tentar, nós o cortaremos pela perna. (Taylor)
   - Obrigada. (Yasmin)
   - Não precisa me agradecer. (Taylor)

   Yasmin encaminhou-se até o camarim que sempre se vestia. Jogou a mochila em cima do sofá e foi até o bebedouro pegar um copo de água. Virou pra trás ao sentir a presença de outra pessoa. Piscou repetitivas vezes e voltou a tomar a água.

   - Queria conversar com você. (Lucas)
   - Pode falar! (Yasmin)

   Ela tentou passar uma naturalidade, que de perto se via inexistente.

   - Não sabia que ela viria. (Lucas explicou-se)
   - Não tem que me dar nenhuma explicação. Não sou nada sua, apenas funcionária de seu pai. (Yasmin)
   - Você sabe do que estou querendo falar. (Lucas)
   - Engano seu, não entendo porque quer dar satisfações pelo fato de sua esposa estar aqui. Vocês são casados, isso já era previsível de se acontecer. (Yasmin)
   - Não tente falar de uma maneira como se nada tivesse acontecido. (Lucas)
   - Se aconteceu, não acontecerá mais. E desculpe, mas não sou do tipo de pessoa que pensa em destruir algum tipo de relação já concretizada. Meus princípios me negam a isso. (Yasmin)
   - Não é dessa maneira, você sabe bem disso… (Lucas)
   - Eu acho que você deveria seguir com seu casamento, esse é o certo. (Yasmin)
   - Não é o certo você querer se enganar com um sentimento que não existe, com uma farsa. Meus princípios me negam a isso como você diz, pena que minha atitude possa dar pra trás às vezes, mas não quero seguir com esse casamento. (Lucas)
   - Pois deveria… (Yasmin)

   Lucas calou-se, não sabia o que falar. Como explicar pra ela, como não deixá-la desistir… Mas desistir do que?

   - Aproveita que já conhece uma parte do Egito e apresenta a ela, tenho certeza que ela vai adorar! (Yasmin)

   Lucas respirou fundo.

   - Só não indico a mesquita mais uma vez, porque lembrei que lá dentro é proibido infidelidade e mentira. (Yasmin alfinetou saindo do camarim)

   Por mais que ela quisesse gritar pra si que não, no fundo ela estava muito magoada.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Dez.

   A madrugada não estava somente tensa para Yasmin. Lucas também vivia certos minutos de tensão.

   - T-tá doendo… (Bruna sussurrava chorando)
   - Você não podia ter viajado, sabe disso. (Lucas afirmava sério enquanto andava de um lado pro outro no quarto)
   - S-sei que fiz errado, m-mas me entenda. Pode p-parecer que não me i-importo com nossa relação, m-mas eu me importo. Acha que é f-fácil e-encarar uma crise no c-casamento quando ele m-mal começou? (Bruna despejou chorando e apertando a barriga, que doía fortemente)
   - Você sabe que não precisávamos de um casamento, tanto a minha vida como a sua foram estragadas, mas agora o que se pode fazer? (Lucas)
   - C-correr atrás do prejuízo, t-tentar salvar nossa relação. (Bruna)
   - Bruna, não se iluda… (Lucas)
   - P-por que não? (Bruna)
   - Porque não, agora é melhor pararmos de discutir essa relação que você sabe muito bem que é perdida. Você está passando mal e acho melhor eu te levar ao médico. (Lucas)
   - Não q-quero ir pra nenhum médico, n-não agüento mais… (Bruna afirmou enfiando-se embaixo das cobertas)
   - Vou pedir um chá pra você então, além de estar com dor, também está nervosa. (Lucas afirmou pegando o telefone)
   - N-não quero. (Bruna)
   - Quer sim! (Lucas)

   Depois de trocar palavras em inglês com a recepção, o serviço de quarto chegou e Lucas pegou o que havia pedido. Bruna mesmo contra vontade, bebia o chá em silêncio.

   - Lucas… (Bruna falou segurando a xícara)
   - Hum? (Lucas)
   - Não quero que me odeie. (Bruna)


   Lucas suspirou e sentou-se na cama. Aquela relação era muito mais do que complicada.

   - Eu não te odeio Bruna. (Lucas)
   - Odeia sim, isso é visível. (Bruna)
   - Não. (Lucas)
   - Se não odeia, não suporta. Ou então, tem repugnância. Ou melhor, nojo! Isso você afirmou hoje. (Bruna)
   - Tenho nojo de atitudes que você toma e isso sempre ficou bem claro pra você, nunca escondi. (Lucas)
   - Eu às vezes me arrependo de certas coisas, mas depois caio na tentação novamente. Eu não sei o que fazer com minha vida, de verdade. (Bruna)
   - Acho que daqui pra frente, tem que pensar no bem estar do bebê e no seu. Faz idéia que daqui a alguns meses você vai ser mãe? Essa é a melhor coisa que acontece na vida de uma mulher. (Lucas)
   - N-não consigo s-sentir isso… (Bruna afirmou com a voz embargada)
   - Isso acontece com algumas mulheres, uma certa rejeição, mas tenho certeza que quando você ver a carinha dele, tudo vai mudar. O mundo será mais colorido pra você. (Lucas afirmou sorrindo e limpando a lágrima que acabara de escorrer pelas bochechas rosadas dela)
   - A-acho que você será melhor d-do que eu, você está f-feliz em ser pai, eu não e-estou feliz em ser mãe. N-não consigo, de verdade… (Bruna)
   - Calma que no final tudo melhora, tenho certeza que você vai aprender a amá-lo. (Lucas)
   - E-eu já o faço s-sofrer muito… (Bruna)
   - Ele sabe que você está confusa, com sentimentos embaralhados, mas que no fundo o ama muito. (Lucas)
   - V-você não entenderia… (Bruna)
   - O que você está querendo me dizer? (Lucas)
   - N-nada… (Bruna afirmou abaixando a mirada)
   - Você tentaria algo pra impedir o fluxo normal dessa gravidez? (Lucas perguntou direto)
   - O q-que? (Bruna deu-se por desentendida)
   - Aborto, Bruna. Interromper uma gravidez de maneira errada. (Lucas)
   - N-não. (Bruna gaguejou)
   - Tem certeza disso? (Lucas)

   Bruna limitou-se a ficar calada. A consciência batia pesadamente e ao mesmo tempo, ser sincera não teria bons resultados, aliás, teriam péssimos resultados, ainda mais pra uma relação como a dela e de Lucas. Fora que ela tinha certeza que Lucas abominava qualquer pratica ilegal sobre aborto, aliás, em qualquer hipótese.

   - Eu prefiro que me diga a verdade, mesmo que seja a coisa mais baixa de todo o mundo. (Lucas afirmou sério)
   - E-eu preciso dormir, e-estou mal. (Bruna desconversou)
   - Bruna, não tente mudar de assunto. (Lucas)
   - Lucas, p-por favor… (Bruna)
   - Você só está afirmando que já tentou sim, interromper essa gravidez. Está bem claro… (Lucas)
   - N-não coloque palavras em minha boca. (Bruna)
   - Bruna, te conheço bem, por mais que pense ao contrário, te conheço. (Lucas)
   - EU NÃO TENTEI ABORTAR… (Bruna esbravejou gritando)
   - Ok, não precisa gritar. (Lucas)
   - D-desculpa… (Bruna)
   - Não se preocupe, agora melhor descansar. (Lucas)
   - P-preciso dormir mesmo. Boa noite e obrigada pela conversa. (Bruna)
   - É sempre bom conversar, boa noite. (Lucas afirmou sorrindo e beijando-a na bochecha)

   
“Têm coisas que realmente passo a não querer fazer, antes mesmo brigado eu a beijaria na boca, um simples selinho… Hoje, já não consigo mais fazer!”

   Mas a vontade de escorregar a mão pelo ventre dela, não se prorrogou muito. Antes de cobri-la, apenas um toque já o fez ter um fim de noite melhor. Bem, pelo menos a tranqüilidade se fez presente.

   Lucas levantou e foi na direção da sala de estar que tinha na suíte luxuosa.

   - E-eu tentei… (Bruna sussurrou chorando)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Nove.

   Depois de mais uma bela apresentação, Yasmin chegou em casa e jogou-se na cama após arrancar sua roupa pelo corredor. Por mais que estivesse com uma confusão de sentimentos em seu coração, e achasse ridículo aquele sofrimento precoce, tampou o rosto com o edredom e caiu num choro silencioso. Magoada! De uma maneira ou outra, sentia-se magoada. Mesmo que ela soubesse que não tinha o direito de sentir-se assim, já que não era tão vítima na história. Bem, isso ela julgava-se ser, mas não sabia que ela era uma das maiores vítimas. A vítima de um amor proibido, que mesmo que esteja no seu desabrochar, já tem uma grande intensidade! Depois de todo esse desabafo reflexivo, Yasmin acabou adormecendo.

   A jovem acariciava com carinho seu ventre redondo. Exibia uma linda barriga de oito meses de gestação. Estava irradiante, feliz. Um brilho nos olhos que reluzia a quilômetros. Um instinto maternal já presente.

   - Bebê, daqui a pouco seu papai chega. (Yasmin sussurrava ao passar com carinho a mão em seu ventre)

   Mas a cena de ternura, parecia transformar-se em um cenário de guerra. De conflito!

   - Pra mim, você não passa de uma vagabunda! (Lucas gritava com raiva)

   Yasmin soluçava aos prantos. Ela não acreditava no que estava acontecendo. Logo Lucas falando aquilo dela? Foi quando uma grande mancha de sangue escorreu pelas pernas de Yasmin e, quando deu por si, estava jogada ao chão tendo que se virar com o nascimento de seu filho. Lucas batia a porta deixando-a só!

   Mas as nuvens pareciam mais uma vez transformar aquele cenário. Yasmin estava ajoelhada frente a uma lápide. Suas lágrimas impediam que ela visse o nome. Uma dor forte instalava-se em seu interior. A dor da perda.

   - Você foi a única que eu me entreguei de corpo e alma, eu te amo. Faz o seu caminho, você merece a luz! (Lucas afirmava tocando no ombro dela)

   Yasmin olhou-o e em seguida voltou a observar a lápide. Em letras árabes foi possível identificar...

   Yasmin Rosa.

   Yasmin pulou da cama! Pesadelo! Terrível pesadelo… Suspirou e esfregou a testa suada. Tensão. Sem saber, que aquele pesadelo era uma espécie de compartilhamento com um anterior de Lucas. Seria o destino querendo mostrar algo a eles?