terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Oitenta e Nove.

   - Eu já percebi que são poucas mulheres que usam o véu na cabeça aqui! (Lucas)
   - O islamismo no Egito segue um lado menos radical, não obriga as pessoas a seguirem ao pé da letra o Alcorão, é como se deixassem que cada um usasse seu livre arbítrio, e com as mulheres mais ainda. (Yasmin)
   - Que bom que existem países árabes que deixam a mulher ser livre, coisa bem difícil. (Lucas)
   - O Egito é um país que abriga várias mulheres muçulmanas que fogem de maus tratos de pais, irmãos e maridos. Existem algumas instituições sobre isso. (Yasmin)
   - Interessante! (Lucas)
   - O que prefere, ver a parte artesanal da feira ou ir logo para o lado da gastronomia? (Yasmin)
   - Acho que pro lado onde tenha muita comida, eu nem tomei café, meu estômago já está roncando. (Lucas respondeu rindo)
   - Topa comida egípcia? (Yasmin)
   - Têm outros tipos de comida aqui? (Lucas)
   - Claro, tem culinária do mundo inteiro, é só escolher… (Yasmin)
   - Já que estou no Egito, então prefiro comer comida egípcia. (Lucas)
   - Bela escolha! (Yasmin afirmou sorrindo)

   Yasmin foi andando e Lucas a acompanhava. Claro sem deixar de reparar no lindo sorriso que estava estampado nos lábios da jovem. A viu também acenando para algumas pessoas que estavam espalhadas pelas tendas, pelo jeito era bastante conhecida ali.

   - Vem sempre aqui não é? (Lucas)
   - Sim, adoro esse lugar. (Yasmin)

   No meio das tendas, existiam diversas mesas e cadeiras espalhadas. Formando uma espécie de praça de alimentação. Yasmin puxou Lucas e eles sentaram em uma dessas mesas.

   - Acho que vai ter que me ajudar a escolher. (Lucas afirmou olhando para as tendas)

   - Pode deixar que te ajudo, até te sugiro pra começar com o mezze e o tabbouleh. (Yasmin)
   - O tabbouleh eu conheço, mas esse mezze não. O que vem nele? (Lucas)
   - É uma tábua de frios de procedência oriental, os tradicionais como salame, presunto, peito de peru, mas eles são feitos com carne de cordeiro e carneiro, pode achar que é ruim, mas te garanto que é melhor do que os que comemos no Ocidente. (Yasmin)
   - Confio no seu gosto! (Lucas concordou sorrindo)
   - Bem acho que isso seria como o café da manhã, já que sempre vão ser acompanhados por aish, que são pãezinhos feitos com farinhas distintas das tradicionais. (Yasmin)
   - Achei interessante, mas isso não vai acabar com a minha fome, me sugere mais alguma coisa? (Lucas)
   - Vou fazer um resumo do que vai encontrar aqui, tem o mashi que é arroz com carne acompanhado de folhas de parreira, tomate e pimentão verde. Tem o kibbeh que aqui é feito com carne de cordeiro invés de carne de boi. Tem wara annab que são folhas de parreira recheadas com diversos sabores. Tem sambousek que é uma torta de verduras. Têm várias, mas acho essas as mais parecidas com as comidas ocidentais, bem, as mais normais. (Yasmin)
   - Acho que vou ficar com essa das folhas de parreira recheadas, lembra bem uma comida sueca que minha mãe faz pra mim, que por sinal é minha favorita. (Lucas)
   - O wara annab, ele é bem gostoso, tenho certeza que vai gostar. (Yasmin falou sorrindo)
   - E pra beber? (Lucas)
   - Existem sucos de todas as frutas, algumas opções de chá que eu não recomendaria com esse tipo de comida, acho que não combina e também tem refrigerante, água… (Yasmin)
   - Tem algum suco em especial? (Lucas)
   - Tem um que eu adoro, o de romã. É delicioso! (Yasmin)
   - Então quero esse. (Lucas)
   - Então escolha feita, vou lá buscar! (Yasmin falou levantando-se)
   - Vou com você. (Lucas afirmou levantando-se e seguindo-a)

   Na hora de pagar, a discussão começou.

   - Lucas, eu pago! Você é meu convidado. (Yasmin)
   - De maneira alguma, você que é minha convidada. (Lucas)
   - Estou sendo sua guia turística, eu que pago. (Yasmin)
   - Até parece que vou deixar você pagar, eu que pago! (Lucas)
   - Mas eu vou me sentir bem pagando. (Yasmin)
   - Como você diz, eu sou seu patrão, então o patrão que paga. (Lucas)
   - Meu patrão não é o Jorge Rodrigues? (Yasmin perguntou rindo)
   - Por um instante sou eu, e o instante é agora. (Lucas)
   - Vou me sentir mal se você pagar, sério. (Yasmin)
   - Não vai. Agora me ajude a enrolar a língua com esse cara, senão vou acabar pagando a mais! (Lucas)
   - Mas Lucas… (Yasmin)
   - Nem mais, nem menos. (Lucas)
   - Tudo bem, mas só dessa vez hein? (Yasmin falou sorrindo e Lucas retribuiu com uma piscada)

   Depois de provarem das delícias da culinária egípcia, chegou a hora de poder provar os deliciosos doces.

   - Você tinha razão, essa comida é muito boa. (Lucas)
   - Vai ver agora os doces, eles são gostosos porque não são muito carregados de açúcar. (Yasmin)
   - Prefiro assim, fica menos enjoativo. Mas me diz quais as opções? (Lucas)
   - O mais tradicional no Egito é o Om Ali, é uma massa feita com leite e farinha de trigo e mistura-se coco e passas. Tem a kumafa que são tallarines assados com açúcar, mel e nozes. Mas indico um que é o meu preferido: baklava, que é uma massa recheada de nozes aromatizada com água mel e adocicada com suco de limão, é bem parecido com pastelzinho de Belém ou tortinhas de limão. (Yasmin)
   - Vou no seu preferido, então. (Lucas)
   - Ok, mas quem paga agora sou eu! (Yasmin)
   - Sou seu patrão. (Lucas afirmou rindo)
   - Lucas, isso não vale! (Yasmin)
   - Nem adianta tentar, me ajuda de novo aqui com seu enrolar de língua árabe. (Lucas)
   - Desse jeito vou acabar pedindo demissão viu… (Yasmin brincou)

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