terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Noventa e Cinco.

   Lucas ao chegar ao hotel, saiu em disparada pelo hall até o elevador. Mais uma vez lá estava Helen o pegando pelo braço.

   - Sai correndo, entra correndo, passa o dia inteiro fora, nem me dá notícias. Posso saber onde o senhor estava? (Helen perguntou divertida)
   - Desculpa pequena! Mas esqueci o celular e bem, andei por aí! (Lucas exclamou beijando-a na bochecha)
   - Por aí? Pode desembuchando. (Helen)
   - Depois te conto, vou tomar banho, comer alguma coisa e sair de novo! (Lucas)
   - Como assim sair de novo? Lucas, vai ficar desnutrido de tanto ir nesse harém que anda freqüentando. (Helen)
   - Não viaje. (Lucas afirmou rindo)
   - Sei viu, quero relato completo quando voltar. (Helen)
   - Pode deixar, minha prima gostosa! (Lucas exclamou agarrando-a)
   - Ok, não provoque porque eu não sou de ferro, vai que me dá um deslize e eu queira te pegar, então melhor não agarrar. (Helen brincou)

   Lucas riu e entrou no elevador. Teria que ser um furacão para não se atrasar, não mais uma vez!

   Yasmin olhou-se no espelho. Há tempos não se vestia assim, desde a época que ainda morava no Brasil. Quando ia à mesquita, limitava-se a jogar um manteau por cima de sua roupa, mas hoje não, fez questão de se vestir como uma bela islâmica.

   A túnica que ficava justa no busto e ia tomando formato de bata na parte debaixo, ia até a metade de suas coxas, era no tom de amarelo ouro. A calça bordada com desenhos parecidos com arabescos, era no mesmo tom e ajustava-se até a canela. A sapatilha azul também bordada com desenhos árabes no tom de dourado, combinava com a echarpe que tinha o mesmo tom. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo médio, colocou na testa um terceiro olho azul e maquiou-se de maneira mais discreta. Pegou um de seus véus para poder colocar na cabeça, quando entrasse na mesquita e se perfumou. Estava belíssima! A mais bela muçulmana que um dia o Egito tivera!

   Foi até a cozinha, e apenas comeu uma salada. Não podia abusar da alimentação, teria que estar leve.


   Lucas pontualmente bateu na porta de Yasmin. O belo blazer preto, com a camisa branca por baixo, e a calça jeans, deixavam o jovem bastante atraente e elegante. Sabia que não poderia ir com qualquer roupa num lugar como uma mesquita, precisava estar bem vestido. Yasmin pegou o Alcorão nas mãos e abriu a porta. Sorriu ao encontrar o olhar dele. De certa forma, o olhar dele também era enigmático.

   “Se a beleza tivesse um nome, com certeza se chamaria Yasmin Rosa. Quando menos espero, ela aparece estonteante e deixando meu coração ainda mais acelerado. Por que esse mistério me encanta cada vez mais? Qual o significado pra todo esse feitiço que ela joga sobre mim? O que fazer quando se vê a beira da paixão? Pra onde devo correr? Deus, essa mulher definitivamente, me hipnotiza…”

    - Está linda! (Lucas sussurrou olhando-a de cima abaixo)
    - Obrigada! (Yasmin agradeceu sorrindo)
   - Pelo menos dessa vez não ficou tão tímida. (Lucas brincou tentando esquecer seus pensamentos)
   - Verdade e, também está muito bonito. (Yasmin)
   - Obrigado, Odalisca! (Lucas)

   No caminho, Lucas percebeu que Yasmin lia em silêncio o Alcorão. Ele sabia que aquele livro que ela carregava, era a Bíblia dos islâmicos.

   - É o Alcorão não é? (Lucas)
   - Sim. (Yasmin)
   - Eu gostaria de comprar um desse pra mim, tem na mesquita? (Lucas)
   - Não, nas mesquitas não existem nenhum tipo de comércio, é proibido. (Yasmin)
   - Tem em lojas então? (Lucas)
   - Sim, em livrarias também. (Yasmin)
   - Me indica alguma? (Lucas)
   - Bem, posso conseguir um Alcorão pra você, mas acho que demora algumas semanas pra eu consegui-lo. (Yasmin)
   - Ficaria muito agradecido. (Lucas)
   - Pode deixar que eu arrumo um pra você, então… (Yasmin)

   Minutos depois e lá estavam em frente à Mesquita do Sultão Hasan. Uma das maiores e mais exuberantes de todo o mundo. Entre sua exuberância, ela quebrava um recorde, tinha o minarete mais alto de todas as mesquitas existentes.

   - É muito grande e linda! (Lucas exclamou admirado)
   - Eu gosto daqui porque de certa forma me lembra a basílica de Nossa Sra. de Aparecida. Bem, não sou católica, mas como brasileira tenho certa devoção por ela. (Yasmin)

   Quando pararam na porta da mesquita...

   - Não vou poder falar muito com você lá dentro, pode andar ao meu lado, mas sem muita conversa. Sabe que é extremamente proibido uma muçulmana dirigir a palavra a um rapaz e aí dentro isso é lei. Sentirei-me muito mal fazendo isso, mas infelizmente não tem outro jeito. (Yasmin)
   - Não se preocupe comigo, isso é tradição e deve ser seguido conforme é. (Lucas)
   - No Ramáz, que acontece em poucos minutos, as mulheres ficam separadas dos homens, então você ficará sentado em bancos que ficam perto das paredes. Lá são para os visitantes. Essa reza é feita em poucos minutos, até tem um mulá que fica falando algumas coisas, mas é rápido. (Yasmin)
   - Mulá? (Lucas)
   - O padre da religião islâmica. (Yasmin)
   - Hum… Agora não se preocupe comigo. Mas me responda uma coisa, eu posso te ver rezando, digo, da onde eu estiver sentado eu posso te ver? (Lucas)
   - Sim, pode! (Yasmin sussurrou).

   Pegou o véu e colocou sobre a cabeça, em seguida tirou a echarpe do pescoço e tampou o rosto, deixando apenas os olhos aparecendo. Lucas fechou os olhos e respirou fundo. Ela daquela maneira, o deixava sem chão!

   Yasmin entrou na mesquita e já sentiu os pêlos arrepiarem. A sensação de estar em contato com Alá, era emocionante. Lucas seguiu-a a passos distantes, não queria comprometer a moral de Yasmin naquele lugar que para os islâmicos, era sagrado. Yasmin deu um sinal para que ele sentasse em um banco, ele de prontidão a obedeceu. Percebeu que na frente estavam os homens e atrás as mulheres. Esticavam cada um seu tapete e ao lado, o Alcorão aberto.

   Uma espécie de sirene foi tocada e na mesma sintonia, as pessoas curvavam seus corpos na mesma direção. Menos Yasmin, que permaneceu ajoelhada e com os olhos fechados. Lucas a observava fixamente, nem prestando atenção nos outros muçulmanos que faziam o ritual do Ramáz. Conseguia escutar a reza das pessoas, claro que não entendia, mas seu olhar era apenas pra Yasmin. A concentração dela e as palavras que eram sussurradas de sua boca, desenhavam uma cena linda para os olhos de Lucas. Acima de tudo, era interessante ver uma jovem dedicada à religião como ela, sem fanatismo, na dose certa. Definitivamente, o conceito dela perante Lucas, estava bem alto. Alto até demais!

   - Linda! (Lucas sussurrou de maneira inaudível)

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