domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Setenta e Sete.

   - Estava hospitalizada até ontem. (Lucas)
   - Algo com o bebê? (Letícia)
   - Sim, quase o perdeu. (Lucas respondeu suspirando)
   - Sério? (Letícia falou surpresa)
   - Sim… (Lucas)

   Lucas suspirou em silêncio. Letícia sentiu o clima tenso…

   - Bebê, você quer mesmo essa criança? (Letícia)
   - Quero, por mais que a Bruna não seja a mãe que eu queria pra um filho meu, ser pai é algo que eu sempre quis, amo crianças e acho que estou começando a me apegar a ele… (Lucas afirmou sorrindo)
   - Fico feliz com isso, porque o bebê não tem culpa da imbecil que vai ter como mãe, mas vai ter um pai lindo e fofo! (Letícia falou apertando as bochechas do amigo)
   - Eu acho engraçado como você e a Helen falam da Bruna, ainda na minha presença. (Lucas falou rindo)
   - É claro, não entendo o que viu naquela coisa loira, ela é boa de cama? (Letícia)
   - Letícia! (Lucas)
   - Ai responde. Qual o problema? Somos amigos. (Letícia)
   - Nem comece a viajar, a Bruna foi um deslize em minha vida e agora eu tenho que arcar com as conseqüências. (Lucas)
   - Arcar com as conseqüências? Pelo amor de Deus, só por causa de uma gravidez? Quantos pais criam seus filhos separados, eu, por exemplo, meus pais são separados desde que eu me conheço por gente, não morri e nem sou uma drogada prostituída. (Letícia despejou)
   - Eu também penso assim, mas… (Lucas)

   - Não é homem suficiente pra mandar essa Bruna e o tio Jorge pra Conchinchina. Por que não toma atitude? É a sua vida que está em jogo, sua felicidade… (Letícia)
   - Se fosse simples eu já teria feito isso há muito tempo. (Lucas)
   - É simples sim, você que complica. (Letícia)
   - Let, meu pai me obrigou a casar com ela, mas isso não foi o motivo principal. Ela está grávida de um filho meu, eu não confio nenhum pouco na sanidade mental daquela louca, sei que ela é capaz de atrocidades e tenho que ter meu filho ao meu alcance. Não posso largar na mão dela. (Lucas)
   - Está esperando seu filho nascer e pedir a guarda ou pretende seguir com esse casamento ridículo até que seu filho chegue à maioridade? (Letícia debochou)
   - Eu quero a guarda e isso consigo fácil. (Lucas afirmou convicto)
   - Como tem tanta certeza? (Letícia)
   - Let, eu antes de ter algo com a Bruna, sempre freqüentei os mesmos lugares que ela, sei bem o quanto ela é envolvida com drogas e bebidas. (Lucas)
   - Você é um sem noção mesmo, sabendo que essa vadia se envolve com essas coisas, tem coragem de transar sem camisinha e engravidá-la? Eu às vezes tenho vontade de socar a sua cara. (Letícia)
  - Eu estava completamente embriagado. Essa foi a única vez que transei com ela sem camisinha, antes dela engravidar. (Lucas)
   - Não duvido que ela tenha colocado droga na sua bebida, só pra roubar seu espermatozóide, ela é vadia mesmo, a cara dela fazer isso. (Letícia)
   - Agora não adianta chorar o leite derramado. (Lucas)
   - Lucas, você é muito conformado com a sua derrota. (Letícia)
   - Vou fazer o que? Me jogar do precipício? (Lucas)
   - Não, jogue a Bruna. (Letícia)
   - Depois que me filho nascer, quem sabe… (Lucas)
   - E quer saber mais, aposto que esse bebê não é seu filho. (Letíca)
   - Não exagera! (Lucas)
   - Eu aposto, repito novamente, ela é a vadia. (Letícia)
   - Eu desconfiei no começo, mas depois me conformei. É meu filho… (Lucas)
   - Eu vou rir demais se nascer um japonês ou um loirão. (Letícia falou rindo)
   - Fique quieta, sua doida. (Lucas)

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