terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Oitenta e Oito.

   “Desde que me conheço por gente, sinto meu coração ficar do tamanho de um cisco ao ver lágrimas escorrerem de olhos femininos. É algo que corrói minha alma, não sei, mas sinto que a mulher é um ser especial demais pra chorar, pra sofrer… Ainda mais essa pequena menina, que parece tão frágil quanto um enfeite de cristal e é tão valiosa quanto ele. Forte, apesar de tudo e pelo que me demonstra, madura! Bem diferente do tipo de mulher que sempre me relacionei, sei lá, ela tem algo que eu não consigo decifrar, um mistério que ronda seu olhar, mas que me fascina!”

   - Sabe, eu não te conheço direito, não sei se é uma terrorista ou então uma traficante de armas, só sei que se você não parar de chorar agora, eu vou acabar chorando junto. Me dói demais te ver assim. (Lucas confessou sorrindo e enxugando os olhos de Yasmin).

   Yasmin olhou-o e entre algumas lágrimas acabou rindo.

   - Ainda bem que você sorriu. (Lucas afirmou piscando)
   - E-eu sou uma ridícula. (Yasmin)
   - Por quê? (Lucas)
   - E-estraguei o seu passeio d-desabafando meus traumas e a-ainda me esqueço toda vez que é m-meu patrão, não tem q-que escutar minhas b-bobagens. (Yasmin)

   - Hei, primeiro que já te falei uma vez que o seu patrão é o Jorge Rodrigues, segundo que não estragou nada, pelo contrário. (Lucas)
   - Estraguei s-sim. (Yasmin)
   - Lhe afirmo que não, sabe por quê? Você falou que há dois anos guarda isso pra você e, se falou pra mim, significa que de alguma maneira confia em mim… E pra mim, isso é um privilégio. (Lucas falou passando o polegar na bochecha dela)

   Yasmin mais uma vez olhou-o e sorriu. Ele tinha razão, ela confiava nele!

   
“Pode parecer loucura, mas confio e me sinto protegida com ele… É como se ele me garantisse apenas com o olhar, que moveria montanhas gigantescas somente pra me proteger, me defenderia, me consolaria e me ajudaria a superar meus traumas mais difíceis, me desse amor… Alá do céu, olha o que estou dizendo? Sei, é loucura, mas ele me deu algo que há muito não recebia de um homem, carinho…”

   - Sempre que quiser desabafar alguma coisa, socar alguém, gritar até as cordas vocais estourarem, pode me procurar. E se um dia eu também estiver nesse estado, se prepare, porque vou usar seu ombro ok? (Lucas falou sorrindo)
   - Ok! (Yasmin sussurrou retribuindo o sorriso)
   - Promete que não vai mais chorar hoje? (Lucas)
   - P-prometo! (Yasmin falou enxugando as lágrimas)
   - Então vamos voltar ao nosso percurso. (Lucas)

   Lucas ligou novamente o carro e foi dirigindo. Não andou dois quilômetros até que o trânsito novamente apareceu.

   - Yasmin, prepara seu ombro agora, olha esse trânsito. (Lucas brincou fazendo cara de choro)
   - Deita aqui. (Yasmin falou entrando na brincadeira e deitando a cabeça dele em seu ombro)

   Depois de longos minutos, Lucas deixou o carro em um estacionamento. Yasmin achou melhor, temendo o furto do carro. Começou a enrolar a língua com o rapaz que tomava conta do local.

   - Aposto que me falou mal de mim. (Lucas brincou)
   - Só um pouquinho! Bem, fechei com ele um valor, porque se for contar por hora, vai ficar muito caro. (Yasmin)
   - Nem se preocupe com isso, agora vamos? (Lucas)
   - Vamos! (Yasmin)

   Ambos foram andando lado a lado. Pela fachada, diversos bares que distribuíam suas mesas e cadeiras pelas calçadas. A curiosidade aflorou-se em Lucas, ao perceber que não tinha presença feminina nesses lugares.

   - Min, aqui são bares? (Lucas)
   - É al-kahwa, uma espécie de cafeteria. (Yasmin)
   - Não têm mulheres? (Lucas)
   - Dificilmente, apenas algumas odaliscas de vez em quando. (Yasmin respondeu sorrindo)
   - Hum… (Lucas)
   - Nesses locais, os homens reúnem-se com todos os amigos e tomam o famoso café turco, ou chá egípcio. Fumam shisha e jogam dominó ou gamão. Esse é o happy hour favorito dos homens egípcios. É praticamente uma tradição, assim como o chá das cinco da Inglaterra. (Yasmin)
   - O que é shisha? (Lucas)
   - Acho que você deve conhecer como narguilê. (Yasmin)
   - Ah sim, conheço então. (Lucas)

   Cinco minutos depois e lá estavam em frente à feira que Yasmin havia falado. Semelhante às feiras hippies encontradas por diversos países, mas a diferença era o tipo de vestimenta das pessoas, bem característico a cultura árabe, com turbantes e túnicas. Algumas mulheres usavam véu na cabeça, mas por incrível que pareça, eram poucas.

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