quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Onze.

   Na manhã seguinte, Yasmin tamborilava os dedos na recepção do hotel. Parecia estar com o pensamento longe.

   - Viajando? (Taylor perguntou chegando perto dela)

   A jovem chegou a saltar pra frente pelo susto, estava definitivamente longe!

   - Desculpe, te assustei. (Taylor)
   - Não se preocupe. Como vai Taylor? (Yasmin perguntou com a mão no coração, ele estava acelerado pelo susto)
   - Bem. E você? (Taylor)
   - Também! (Yasmin)
   - Marcelo te importunou mais alguma vez? (Taylor)
   -  Não, acho que ele resolveu dar uma trégua. (Yasmin)
   - Não seja ingênua Yasmin, isso tudo pode ser uma jogada dele! (Taylor)
   - Será? (Yasmin)
   - Mais fácil você atacar um inimigo pelas costas, do que declaradamente. (Taylor)

   Yasmin ergueu uma de suas sobrancelhas. Isso a deixava tensa. Com receio! Medo!


   - Mas é melhor nem encanar muito, porque você sabe, um passo dele contra você, e o Super Moura vem te defender! (Taylor exclamou rindo)
   - Que? (Yasmin)
  - Deixe isso pra lá, bobagem minha! Mas não se preocupe, algo que ele tentar, nós o cortaremos pela perna. (Taylor)
   - Obrigada. (Yasmin)
   - Não precisa me agradecer. (Taylor)

   Yasmin encaminhou-se até o camarim que sempre se vestia. Jogou a mochila em cima do sofá e foi até o bebedouro pegar um copo de água. Virou pra trás ao sentir a presença de outra pessoa. Piscou repetitivas vezes e voltou a tomar a água.

   - Queria conversar com você. (Lucas)
   - Pode falar! (Yasmin)

   Ela tentou passar uma naturalidade, que de perto se via inexistente.

   - Não sabia que ela viria. (Lucas explicou-se)
   - Não tem que me dar nenhuma explicação. Não sou nada sua, apenas funcionária de seu pai. (Yasmin)
   - Você sabe do que estou querendo falar. (Lucas)
   - Engano seu, não entendo porque quer dar satisfações pelo fato de sua esposa estar aqui. Vocês são casados, isso já era previsível de se acontecer. (Yasmin)
   - Não tente falar de uma maneira como se nada tivesse acontecido. (Lucas)
   - Se aconteceu, não acontecerá mais. E desculpe, mas não sou do tipo de pessoa que pensa em destruir algum tipo de relação já concretizada. Meus princípios me negam a isso. (Yasmin)
   - Não é dessa maneira, você sabe bem disso… (Lucas)
   - Eu acho que você deveria seguir com seu casamento, esse é o certo. (Yasmin)
   - Não é o certo você querer se enganar com um sentimento que não existe, com uma farsa. Meus princípios me negam a isso como você diz, pena que minha atitude possa dar pra trás às vezes, mas não quero seguir com esse casamento. (Lucas)
   - Pois deveria… (Yasmin)

   Lucas calou-se, não sabia o que falar. Como explicar pra ela, como não deixá-la desistir… Mas desistir do que?

   - Aproveita que já conhece uma parte do Egito e apresenta a ela, tenho certeza que ela vai adorar! (Yasmin)

   Lucas respirou fundo.

   - Só não indico a mesquita mais uma vez, porque lembrei que lá dentro é proibido infidelidade e mentira. (Yasmin alfinetou saindo do camarim)

   Por mais que ela quisesse gritar pra si que não, no fundo ela estava muito magoada.

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