A Dança dos Sete Véus
Cento e Oitenta e Sete.
- Estávamos num trânsito como esse, talvez o que eu estava enfrentando fosse um pouco pior. (Yasmin)
- Estava sozinha? (Lucas)
- Não, meu pai estava comigo. Há dias ele estava de licença devido a uma arritmia que foi descoberta depois de… (respirou fundo ao lembrar-se de seu tio) Bem, depois de um nervoso que ele passou no trabalho! (Yasmin falou omitindo sobre o tio)
- Estava levando-o no médico? (Lucas)
- Não, estávamos indo almoçar num restaurante árabe que ele adorava ir. Por incrível que pareça, naquele dia ele estava feliz, com um brilho nos olhos que eu não consigo esquecer, sei lá, acho que ele estava se despedindo… (Yasmin afirmou sentindo os olhos encherem de lágrimas, Lucas percebeu)
- Não precisa continuar, isso te faz mal. (Lucas)
- Não, é bom às vezes colocar tudo pra fora, eu guardo tudo e isso é o que realmente faz mal. (Yasmin)
- Bem, o trânsito parece que vai abrir, então melhor eu ir pra esse lado. (Lucas afirmou virando para direita)
- Aonde vai? (Yasmin)
- Estacionar. (Lucas afirmou estacionando o carro)
- Por quê? (Yasmin)
- Eu ia ser um tremendo mal educado se você ficasse falando e eu prestando atenção nesse trânsito chato. Acho muito melhor agora, eu totalmente disponível pra você. (Lucas)
Yasmin ficou olhando-o séria. Nunca nenhum homem, sem ser seu pai, tinha agido de maneira tão gentil com ela. Terna. De maneira especial! O gesto mais lindo que alguém podia fazer.
- Shokran! (Yasmin sussurrou)
- De nada, pode continuar. (Lucas falou sorrindo)
- Estava sozinha? (Lucas)
- Não, meu pai estava comigo. Há dias ele estava de licença devido a uma arritmia que foi descoberta depois de… (respirou fundo ao lembrar-se de seu tio) Bem, depois de um nervoso que ele passou no trabalho! (Yasmin falou omitindo sobre o tio)
- Estava levando-o no médico? (Lucas)
- Não, estávamos indo almoçar num restaurante árabe que ele adorava ir. Por incrível que pareça, naquele dia ele estava feliz, com um brilho nos olhos que eu não consigo esquecer, sei lá, acho que ele estava se despedindo… (Yasmin afirmou sentindo os olhos encherem de lágrimas, Lucas percebeu)
- Não precisa continuar, isso te faz mal. (Lucas)
- Não, é bom às vezes colocar tudo pra fora, eu guardo tudo e isso é o que realmente faz mal. (Yasmin)
- Bem, o trânsito parece que vai abrir, então melhor eu ir pra esse lado. (Lucas afirmou virando para direita)
- Aonde vai? (Yasmin)
- Estacionar. (Lucas afirmou estacionando o carro)
- Por quê? (Yasmin)
- Eu ia ser um tremendo mal educado se você ficasse falando e eu prestando atenção nesse trânsito chato. Acho muito melhor agora, eu totalmente disponível pra você. (Lucas)
Yasmin ficou olhando-o séria. Nunca nenhum homem, sem ser seu pai, tinha agido de maneira tão gentil com ela. Terna. De maneira especial! O gesto mais lindo que alguém podia fazer.
- Shokran! (Yasmin sussurrou)
- De nada, pode continuar. (Lucas falou sorrindo)
- Ele recebeu uma ligação de meu… Quer dizer, de um cara da empresa e começou a passar mal devido a isso. Me bateu um desespero que martela em minha mente até hoje, é como se eu fechasse os olhos e lembrasse de cada suspiro de dor de meu pai. (Yasmin afirmou fechando os olhos)
- Isso tudo no meio do trânsito? (Lucas)
- Sim, eu não conseguia dirigir, e além do mais não tinha como, o trânsito estava parado. Saí do carro pedindo socorro, mas os gritos do meu pai me torturavam, me travaram de uma maneira que eu não conseguia fazer nada. E-eu não consegui s-socorrer meu p-pai… (Yasmin sussurrou com a voz embargada)
- Ele faleceu no carro? (Lucas perguntou compadecido)
- N-não, as pessoas e-em volta perceberam o que estava a-acontecendo e me ajudaram… Uma ambulância v-veio e ele chegou com vida no hospital. Teve um enfarto e foi pra UTI. (Yasmin falou passando a mão embaixo dos olhos, evitando que as lágrimas caíssem)
- Então foi fulminante? (Lucas)
- Não, ele estava lúcido na UTI, m-mas estava sentindo que ia embora. Ele quis falar com minha mãe, com m-minha irmã e c-comigo… (Yasmin sussurrou)
- Falou com ele? (Lucas)
- E-eu fui a última, e-eu lembro de cada p-palavra dele, do jeito que e-ele pegou em minha mão, q-que sorriu. E a-aquele som horrível d-do aparelho indicando que a pessoa q-que você mais amou na vida, f-foi embora pra s-sempre… (Yasmin falou chorando)
Sem pensar muito, Lucas puxou o rosto dela e encostou em seu peito. Era torturante vê-la chorando. Yasmin suspirou entre o choro e abraçou-o. Era só isso que precisava! De braços acolhedores que a fizessem desabafar tudo que estava preso em seu coração, há quase dois anos. Toda a dor que a sufocava!
- Isso tudo no meio do trânsito? (Lucas)
- Sim, eu não conseguia dirigir, e além do mais não tinha como, o trânsito estava parado. Saí do carro pedindo socorro, mas os gritos do meu pai me torturavam, me travaram de uma maneira que eu não conseguia fazer nada. E-eu não consegui s-socorrer meu p-pai… (Yasmin sussurrou com a voz embargada)
- Ele faleceu no carro? (Lucas perguntou compadecido)
- N-não, as pessoas e-em volta perceberam o que estava a-acontecendo e me ajudaram… Uma ambulância v-veio e ele chegou com vida no hospital. Teve um enfarto e foi pra UTI. (Yasmin falou passando a mão embaixo dos olhos, evitando que as lágrimas caíssem)
- Então foi fulminante? (Lucas)
- Não, ele estava lúcido na UTI, m-mas estava sentindo que ia embora. Ele quis falar com minha mãe, com m-minha irmã e c-comigo… (Yasmin sussurrou)
- Falou com ele? (Lucas)
- E-eu fui a última, e-eu lembro de cada p-palavra dele, do jeito que e-ele pegou em minha mão, q-que sorriu. E a-aquele som horrível d-do aparelho indicando que a pessoa q-que você mais amou na vida, f-foi embora pra s-sempre… (Yasmin falou chorando)
Sem pensar muito, Lucas puxou o rosto dela e encostou em seu peito. Era torturante vê-la chorando. Yasmin suspirou entre o choro e abraçou-o. Era só isso que precisava! De braços acolhedores que a fizessem desabafar tudo que estava preso em seu coração, há quase dois anos. Toda a dor que a sufocava!
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