A Dança dos Sete Véus
Cento e Novente e Nove.
“Às vezes eu tento fugir das coisas, não sei se crio uma proteção em volta, ou se a minha intuição me avisa sobre o perigo. No que estou me metendo? Um cara compromissado, com responsabilidades de marido e daqui a alguns meses, de pai… Será que estou a ponto de destruir uma família? Bem, quando o homem procura algo fora do casamento, significa que as coisas não estão indo bem, mas ele é casado. Alá, Alá, me dê uma luz? Mas, o gosto dos lábios dele permanece vivo em minha boca, se eu fecho os olhos juro que posso sentir, por favor, me faça esquecer isso, peço por tudo que for mais sagrado. Liberte minha alma pecadora.”
Yasmin suspirou cobrindo-se por inteiro. Olhou por dentro do edredom e apenas conseguia pensar naquele beijo. Como um homem podia beijar tão bem como ele? Não era tão experiente com homens, havia beijado poucos, mas sabia que o dele havia sido o melhor. Deus, é delicioso provar aqueles lábios. Yasmin deu um tapa na própria testa. Levantou-se da cama e foi até a cozinha beber um copo de água, estava pensando em muitas besteiras e isso definitivamente era um pé no inferno.
- Preciso arranjar um trabalho voluntário, esses maus pensamentos estão me fazendo mal. Preciso fazer caridade. (Yasmin sussurrou virando de uma vez o copo de água)
Depois voltou pra cama e ficava virando pelos lençóis. Ela não conseguia dormir, apenas lembrava naquele beijo. Aliás, nos beijos! Foi nisso que se tocou, havia sido oferecida demais.
- Fui uma Odalisca de verdade, hoje… Perdão Alá! (Yasmin exclamou assustada e mais uma vez se tampando com o edredom)
E depois de muito se redimir, Yasmin por fim conseguiu adormecer.
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