terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Noventa e Quatro.

   O pôr do Sol! Alguns dizem que é a transformação física mais bela que se possa ver. Pois oferece às nossas visões o encontro do Sol com a Lua. Nunca ouviu falar da lenda de amor entre os dois? Talvez esse seja o momento mais belo do dia, para os românticos inveterados, que não dispensam presenciar essa cena ao lado da pessoa amada. E bem, presenciar essa cena parado ao lado das maravilhas do mundo antigo, sentindo os pés se afundarem nas areias do Saara e montado em um camelo, pode ser ainda mais especial. Mágico e inexplicável!

   - E eu que achava que já tinha visto coisas lindas por esse mundo. (Lucas sussurrou ao ver o Sol sumir por trás da pirâmide de Queóps)

   Virou para o lado e Yasmin estava em outro camelo, porém, sua alma estava longe. Talvez ela nem tivesse escutado nada do que ele falou. E não era preciso palavras, apenas o olhar dela era a definição pra todo aquele momento e de certa forma, era assustador pra ele. Principalmente pelo fato de que aquele velho garanhão, via-se dependente do olhar mais enigmático de todo o Egito, do misterioso piscar de olhos e do jeito fascinante de hipnotizar com a quebra de quadris. As mãos que enfeitiçavam. O jeito tímido e apaixonante.

   Lucas sacudiu a cabeça e voltou a olhar o pôr do Sol! Precisava meditar e aquele era o momento propício pra isso. Não podia mais pensar em Yasmin, não daquela maneira que estava acontecendo. Não podia prender-se a esse tipo de coisa, por mais excitante que fosse, ele tinha que uma vez na vida não ceder aos impulsos. Não pelo fato de ser casado e não poder cometer adultério, mas por ser o homem não-ideal para uma jovem muçulmana.
E depois daquela bela visão, era hora de voltar pra casa! Lucas estacionou o carro em frente ao condomínio de Yasmin.

   - Ainda falta o museu egípcio, Abul Simbel e tantos outros lugares. (Yasmin)
   - Podemos continuar esse roteiro outro dia, oportunidades não vão faltar. (Lucas)
   - Espero que tenha gostado! (Yasmin)
  - Adorei, e com a sua companhia foi melhor ainda. Muito obrigado! (Lucas agradeceu sorrindo)
   - Nem precisa agradecer, me diverti bastante. (Yasmin)
   - Que horas então passo aqui? (Lucas)
   - Nem precisa se incomodar, pra você é mais fácil ir direto… (Yasmin)
   - De maneira alguma, que horas? (Lucas)
   - Tudo bem então, bem, agora é vinte pras sete, então pode passar aqui oito e meia. (Yasmin)
   - Então até oito e meia. (Lucas afirmou sorrindo e beijando-a na bochecha)

   Yasmin sorriu e ia abrindo a porta do carro, mas virou-se pra ele…

   - Você não precisa seguir isso, mas se for comer alguma coisa, não coma a carne. Bem, você não é da religião, não precisa… (Yasmin)
   - Pode deixar, não vou comer carne. (Lucas falou sorrindo)

   Yasmin saiu do carro e respirou fundo. Nem olhou pra trás, saiu em disparada pelas escadas que davam acesso até a portaria.

   Lucas seguiu com os olhos o caminho feito pela jovem, até vê-la desaparecer. Esfregou o rosto e apoiou o queixo na direção.

   - Que isso Moura? Coração acelerado e a mão gelada? Pode parando! (Lucas repreendeu-se)

   Acelerou o carro e foi a caminho do hotel!

   Yasmin saiu detrás do portão em que havia se escondido. Aquilo era loucura, estava espionando-o até vê-lo ir embora? Respirou fundo e chacoalhou a cabeça. Aquilo devia parar por ali, ficar pra fora daquele portão e morrer na calçada.

   - Droga… (Yasmin resmungou indo na direção de seu prédio)

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