segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Cento e Trinta e Um.

   - Com licença. (Marcelo afirmou saindo da sala)

   Lucas pegou os papéis que estavam nas mãos de Taylor e olhou por diversas vezes o nome Yasmin Rosa.

   - Eu não entendo isso, por que o nome dela está aparecendo? (Lucas perguntou incrédulo)
   - Não sei, é muito estranho, mas aparece. Devemos esperá-la e tirar a limpo essa história. (Taylor)
   - Eu não consigo acreditar nisso, ela não parece desse tipo de mulher que vende o corpo. (Lucas)
   - E não é, mas é muito estranho o nome dela aparecer nas hospedagens. (Taylor)
   - Ela não faz essas coisas, tenho certeza. (Lucas)

   Taylor olhou pra cara do amigo e caiu na risada.

   - Está rindo por quê? (Lucas)
   - Lembrei de uma piada que a Helen me contou. (Taylor)
   - Você pensa que eu sou idiota não é, fala logo. (Lucas)
   - Há quantos dias conhece a Yasmin? (Taylor)
   - Três. (Lucas)
   - Entrará para o Livro dos Recordes, o cara que se apaixonou mais rápido em toda face da Terra! (Taylor exclamou rindo)
   - Eu falando de um assunto sério e você vem com essas brincadeirinhas idiotas. (Lucas afirmou irritado)
   - Não são brincadeirinhas idiotas, estou apenas falando a realidade. (Taylor)
   - Me irritei, pronto. Vou pro quarto que eu ganho mais. (Lucas esbravejou levantando da cadeira e saindo da sala)
   - Ficou bravo, se entregou! (Taylor falou sozinho e rindo)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Cento e Trinta.

   - O que? (Lucas)
   - Isso mesmo que ouviu, a Yasmin, pois é, a mais bonita, a que dança melhor e a que não tem moral alguma. Já tentei várias vezes a conter, mas sempre sou barrado pela diretoria que a idolatra. Mas a realidade é que ela não passa de uma prostituta. Isso sim… (Marcelo)
   - Não quero esse tipo de linguajar, com nenhuma das meninas. (Lucas falou bravo)
   - Marcelo, sei que vocês têm uma birra muito grande, um com o outro. Inclusive, quando vim pra cá tive que segurar a Yasmin que estava quase te batendo. (Taylor)
   - Pra você ver, eu estava tentando impedi-la de fazer essas coisas, mas ela não aceita. (Marcelo)
   - Pelo que vi da Yasmin, ela não é do tipo que faz essas coisas. Não sei porque, mas não estou acreditando nem um pouco no que você diz. (Lucas afirmou categórico)
   - Se está achando que estou mentindo, então veja novamente o relatório das hospedagens, o nome dela aparece diversas vezes. (Marcelo)
   - Nisso ele tem razão, Lucas. O nome da Min aparece mesmo… (Taylor afirmou sério)
   - Como assim o nome dela aparece? (Lucas)
   - Pelo mesmo motivo que o nome das outras meninas. (Marcelo)
   - Deve ser outro motivo, a Yasmin sempre foi uma garota íntegra. Desde que cheguei aqui ela me provou isso. (Taylor)
   - Está vendo, aquele rosto doce e o jeito angelical conseguem tampar os olhos de todo mundo. Estou avisando vocês, mas pelo jeito vocês já foram enfeitiçados por ela. Deviam mandá-la embora, pois ela é a causadora de todo esse problema de prostituição. (Marcelo)
   - Ninguém tampa meus olhos quando vejo que a pessoa não presta, e se a Yasmin é íntegra, não será o rosto ou o corpo que vão fazer eu pensar isso. Não vou decidir nada enquanto ela não voltar. Pelo que sei, ela está de folga hoje e amanhã, vou esperar e chamá-la pra uma conversa e se prepare porque estará junto. Então veremos quem vai estar falando a verdade ou não. Agora pode sair daqui, que já cansei dessa reunião. (Lucas afirmou ríspido)
   - Espero que sejam justos. (Marcelo afirmou levantando-se da cadeira)
   - Pode deixar que seremos… (Taylor)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Nove.

   “Às vezes sentimos quando algo está para acontecer, uma sensação estranha que te deixa com a pulga atrás da orelha. Algo que não lhe deixa pensar em outra coisa. Mas você nunca sabe dizer o que é, o que está sentindo e o porque… Estou assim nesse exato momento, e sei que algo está por vir, não sei dizer o que, mas é algo ruim. Espero seja algo da minha cabeça, de verdade espero isso…”

   - O que acha de irmos a um restaurante mexicano? Estou morrendo de vontade de comer taco. (Anaíra)
   - Pode ser! (Yasmin respondeu dando de ombros e arrumando algumas coisas dentro da barraca que elas iam dormir)
   - Que foi? Ficou quieta de repente. (Anaíra)
   - Não sei, do nada me deu uma sensação estranha. (Yasmin)
   - Será que foi por causa do mergulho? Está passando mal? (Anaíra)
   - Não estou passando mal, mas estou com uma sensação de que alguma coisa vai acontecer. (Yasmin)
   - Para com isso, você sempre me assusta com essas coisas. Olha, chego a ficar arrepiada. (Anaíra afirmou mostrando os pêlos arrepiados de seu braço)
   - Também me assusto com essas coisas, mas você não deveria já que adora bancar a bruxa ao ler a sorte na borra de café. (Yasmin)
   - É diferente, falando nisso não sabe o que estou aprendendo. (Anaíra)
   - O que? (Yasmin)
   - Jogar tarô egípcio, coisa mais linda do mundo. (Anaíra afirmou sorrindo)
   - Lá vem você com essas coisas! (Yasmin exclamou rindo)
   - Isso é mágico, e você será a minha primeira cliente. Até trouxe pra jogar pra você. (Anaíra)
   - Só no seu pensamento. (Yasmin)
   - Nem venha muçulmana moderna, a noite você vai saber tudo sobre o seu futuro, acredite. (Anaíra afirmou piscando pra amiga)
   - Vamos procurar o tal restaurante mexicano que é bem mais útil. (Yasmin)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte Oito.

   - Está rolando prostituição aqui dentro? (Lucas perguntou sério)
   - Q-que? (Marcelo gaguejou)
   - Isso que escutou, prostituição. (Taylor)
   - Mas d-da onde tiraram isso? (Marcelo)
  - Pra falar a verdade, acho que experiência de vida. Mas existem nomes repetidos de hóspedes e alguns das dançarinas. (Lucas)
   - E você como gerente tem que saber disso, não é verdade? (Taylor)
   - Mas são conclusões precipitadas, isso não acontece a-aqui. (Marcelo)
   - Marcelo, em dois dias o Lucas percebeu isso, imagine ele ficando quase dois meses, vai ter a certeza. Fale se sabia disso… (Taylor)
   - Ok, eu sei disso sim. (Marcelo afirmou sincero)
   - Sabe disso e não faz nada? (Lucas perguntou indignado)
   - Aliás, você não tem participação nisso? (Taylor)
   - N-não. Não tenho, juro. (Marcelo afirmou engolindo em seco)

   - Não tem nada? Então por que permite que façam essas coisas dentro do hotel do meu pai, faz idéia que é a imagem dele sendo jogada no lixo e não a sua? (Lucas falou revoltado)
   - Fale Marcelo. (Taylor)
   - Eu j-juro que já tentei acabar com isso, m-mas fugiu totalmente do meu c-controle. Preciso que me ajudem. (Marcelo)

   - Se  fugiu do seu controle, significa que não é nem um pouco competente para exercer o cargo que tem. (Lucas afirmou ríspido)
   - N-não é isso, é que preciso de a-ajuda pra acabar com isso. Por favor… (Marcelo)
   - Então ta, precisa de ajuda pra que? (Taylor)
   - Pra acabar com a prostituição. (Marcelo)
   - Precisa de ajuda pra acabar com uma coisa que é abominável aqui dentro? Precisa de ajuda pra mandar embora essas garotas que nem se quer precisam disso? O salário delas não é baixo, ou seja, fazem porque querem e não porque necessitam. (Lucas afirmou bravo)
  - Queremos que você cite nomes, todas as envolvidas serão demitidas e o líder disso tudo, obviamente. (Taylor)
   - Quero te lembrar que temos uma lista das garotas que aparecem nas hospedagens. (Lucas)
   - Não acho que devem mandar todas as garotas embora, elas não sabem o que fazem. Merecem uma segunda oportunidade, só dar uma bronca e com certeza não farão mais. (Marcelo)
   - Não estou pedindo sua opinião quanto a mandar ou não embora, no momento quem manda aqui sou eu, então fale logo os nomes. (Lucas falou ríspido)
   - A maioria já não está mais aqui, mas tem uma que permanece e continua dando muito trabalho. (Marcelo)
   - E quem é? (Taylor)
   - Yasmin Rosa! (Marcelo acusou injustamente)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Sete.

   - Renovada? (Anaíra perguntou andando pela areia em direção ao camping)
   - Com certeza, tirei um peso gigantesco de minhas costas. (Yasmin)
   - Depois disso, quero tomar um banho bem gostoso, comer, dormir e a noite cair na balada. (Anaíra afirmou rindo)
   - Balada? (Yasmin)
   - É e a senhorita vai junto. (Anaíra)
   - Não estou com vontade de sair, quero passar a noite toda deitada na areia e olhando as estrelas. Isso sim é algo prazeroso. (Yasmin)
   - Você cortou meu barato, Rosa. (Anaíra afirmou rindo)
   - Rosa não. (Yasmin)
   - Rosa sim, esse é o seu nome. Ok, hoje não vamos pra balada, mas amanhã nem adianta. Quero beber todas, até cair na sarjeta. (Anaíra falou rindo)
   - Que horror! (Yasmin)
   - Horror nada, é ótimo encher a cara. (Anaíra)
   - Nana, você precisa urgentemente ir a uma igreja, sinagoga, mesquita, templo budista ou o que for. Você definitivamente precisa encontrar Deus! (Yasmin exclamou rindo)
   - Eu preciso encontrar um cara bem lindo que me proporcione uma noite inteira de prazer. (Anaíra afirmou rindo)
   - Já vai começar com suas baixarias. (Yasmin)
   - Baixarias nada, pensa comigo… As pessoas nascem através do ato sexual, ou seja, o sexo é divino. (Anaíra)
   - Sexo com amor, com a pessoa certa e não essa coisa banalizada de sair fazendo com qualquer um. (Yasmin)
   - Credo, você está parecendo àquelas muçulmanas tradicionais, só falta o véu na cabeça. (Anaíra debochou)
   - Agora você me assustou. (Yasmin)
   - Vai, fica me difamando que vai acabar casada com um árabe velho que tem mais seis esposas. (Anaíra)
   - Nem nos meus piores pesadelos, se me obrigarem a casar com alguém que não quero, juro por Ala que viro terrorista. (Yasmin)
   - Aí danou-se, vai casar com Osama Bin Laden. Ou então, Mulá Omar. (Anaíra falou rindo)
   - Você está toda engraçadinha… (Yasmin)

   Ao chegarem no camping, se encaminharam para os chuveiros que ficavam nos vestiários, separados por feminino e masculino.
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Seis.

   - Eu vi uma vez um documentário daquele Faraó famoso, Tutânkamon e fiquei morrendo de vontade de ir no Vale dos Reis. É assim que chama, não é? (Helen)
   - É sim, ele fica em Luxor. (Taylor)
   - Preciso rodar o Egito todo, quero conhecer tudo e mais um pouco. Mas digo novamente, precisamos de uma alma viva que fale árabe. (Helen)
   - Você não fala nada? (Lucas perguntou a Taylor)
   - Básico do básico, do básico. (Taylor)
   - Ou seja, nada… (Helen)
   - Mas sei mais do que vocês e é isso que interessa. Agora falando sério, Lucas precisamos fazer aquela reunião com o Marcelo hoje. (Taylor afirmou sério)
   - Por que? (Lucas)
   - Encontrei mais algumas coisas relacionadas ao que você suspeita e, encontrei na relação uma pessoa que eu não acreditava estar envolvida com isso. (Taylor)
   - Do que estão falando? (Helen)
   - Depois te explico, Helen. Agora você Taylor, me assustou. De quem está falando? (Lucas)
   - Acho melhor chamarmos o Marcelo. (Taylor)
   - Ok, vou tomar um banho primeiro e desço em seguida. (Lucas)
   - Odeio segredinhos, eu vou subir, tomar banho e dormir a tarde toda que eu ganho mais. (Helen)

   Após o banho, Lucas desceu até o escritório da diretoria do hotel. Marcelo e taylor já o aguardavam!

   - Marcelo, estamos fazendo essa reunião porque o Lucas percebeu uma coisa nos relatórios de hospedagens. (Taylor)
   - E ontem durante os shows de Dança do Ventre, eu tive a certeza de que isso está acontecendo aqui dentro. (Lucas)
   - Do que estão falando? (Marcelo perguntou temeroso)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Cinco.

   - Ficou quietinho. (Helen afirmou abraçando o primo por trás)
   - Esse local é bastante reflexivo. (Lucas)
   - Sem dúvidas, nos faz pensar em coisas bastante distintas. Tenho certeza que é uma fonte inspiradora pra grandes pensadores e filósofos. (Helen falou ficando ao lado dele)
   - Que profundo. (Lucas afirmou sorrindo e beijando a testa dela)
   - É sério, existem locais que nos inspiram. Isso aqui é mágico demais, tanto pra refletir na vida quanto pra filosofar, escrever um livro, viver um romance. (Helen afirmou suspirando)
   - Está apaixonada mesmo. (Lucas)
   - Nem é assim… (Helen)
   - É sim e acho que deveria falar com ele, vocês têm intimidade que eu sei bem, fora que já rolou várias coisas. Mas posso te pedir uma coisa? (Lucas)
   - O que? (Helen)
   - Só se case por amor e nunca deixe as pessoas manipularem sua vida. (Lucas afirmou sério)
   - Eu não suporto te ver nessa situação. (Helen falou abraçando-o)

    As algas marinhas e os coloridos peixes eram o cenário deslumbrante que Yasmin e Anaíra visualizavam. A azulada água dava um charme ainda maior. Anaíra brincava com um ouriço nas mãos, enquanto Yasmin olhava abobalhada a esfinge encontrada no fundo do mar. Grande ponto turístico de Alexandria abaixo da superfície.

   “Descrever maravilhas é algo um pouco difícil, é tentar decifrar paradigmas, entender questões que superam aos problemas mais elaborados da matemática. Será que Ala criou um grande projeto chamado Universo? Ou então, sua sabedoria transformou algo inexistente em uma beleza incomparável? Como comparar a natureza com algo físico? Como demonstrar a sensação de magia que é estar entre o mar e o cenário da civilização mais rica em cultura que já existiu? É agradecer acima de tudo, pois o paraíso na Terra existe sim, basta apenas querer enxergar com o coração e desfrutar de um belo habitat que todos os seres humanos ganharam há cerca de milhões de anos. E nunca duvidar que Ele, soube fazer a mistura certa para a beleza sair perfeita…”

   - Estou abismada, que coisa mais linda esse lugar. (Anaíra afirmou após submergir)
   - Com certeza, a beleza nem tem como descrever, é algo mágico. (Yasmin falou entre suspiros)
   - Lugar perfeito. (Anaíra)

   - Já voltaram? (Taylor)
   - Não dá pra sair num lugar que você não fala uma palavra no mesmo idioma que os demais. (Helen)
   - Precisamos de uma pessoa que fale árabe, é impossível encontrar alguém que nos entenda. (Lucas)
   - Não arriscaram nem inglês? Existem pessoas que falam inglês aqui… (Taylor)
  - Nem pensamos nisso, mas nem adianta. Precisamos de um bom guia turístico. Quero conhecer outros lugares, como o templo de Abul Simbel que é super famoso, Luxor, Alexandria, Canal de Suéz e isso precisa de alguém que conheça mesmo e de sobra fale árabe. (Helen)
   - Eu conheci Abul Simbel e Luxor, são lugares lindos. (Taylor)
   - Tenho vontade de ir no Monte Sinai, dizem que dá uma paz muito grande. (Lucas)
   - Podemos combinar de ir lá. (Taylor)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Quatro.

   - Você é um completo jumento. Como quer andar de camelo se não sabe falar árabe e aqui só tem gente que fala árabe? (Helen ironizou)
   - Você também não lembrou desse detalhe. E não me xingue (Lucas afirmou irritado)
   - E agora hein? Vai fazer como? (Helen)
   - Não tem como fazer nada, só sei falar h’abibe e olhe lá. Temos que volta outro dia com uma pessoa que fale árabe. (Lucas)
   - Mas eu quero agora, droga. (Helen choramingou)
   - Se joga no chão então, sua mimada. (Lucas)
   - Odeio quando me chama de mimada. (Helen afirmou irritada)
   - É isso que é, uma mimada. Agora com licença que vou ver mais um pouco dessa preciosidade, muito mais útil que ficar discutindo com você. (Lucas afirmou andando e voltando na direção das pirâmides e da esfinge)
   - Olha que abusado! (Helen exclamou colocando as mãos na cintura)

   “Discutir sobre coisas idiotas com a Helen, sempre foi normal, nem é briga de verdade. Pra falar a real, acho que só briguei sério com ela uma vez, foi quando a Bruna apareceu grávida e aquela história toda de eu ter que casar com ela. Enfim, a Helen não aceita que as pessoas tenham que fazer algo que não queiram e eu como primo quase irmão, ela aceita menos ainda. Mas não adianta nada eu continuar contando sobre esse fato. Já passou do prazo de eu tomar alguma atitude… Enfim, pra que lembrar disso se estou em frente ao maior monumento do mundo. Uma cultura rica e cheia de mistérios… Definitivamente não dá pra pensar em coisas ruins, apenas na magia desse local.”

   Lucas estava com o olhar perdido entre a pirâmide de Queóps e as areias do Saara. Aquele local era como uma reflexão da vida. Era uma verdadeira terapia.
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Três.

   “Sou medrosa mesmo, ainda mais se tratando de mar. Por mais que seja belo, ele é traiçoeiro. Não sou a expert em mergulho, tenho apenas uma noção. Enfim, estou morrendo de medo, tremendo na base. Mas vou até o fim, porque isso tudo faz parte de minhas raízes e tudo que quero, é me aprofundar cada vez mais nisso tudo… Dizem que superamos o medo a partir do momento em que o enfrentamos, então farei isso ou não me chamo Yasmin Rosa!”

   - Preparadas? (o instrutor perguntou assim que pararam o barco)
   - Sim, estou super preparada. Vai me jogar nesse mar fundo e ainda pergunta se estou preparada? Fala sério hein, sorte que você é espanhol e eu posso te xingar em árabe. (Anaíra brincou)
   - Eu nunca estarei preparada. (Yasmin afirmou assustada)
   - Larga mão de ser medrosa. (Anaíra)
   - É uma experiência linda, tenho certeza que vão adorar. (o instrutor)
   - Esperamos isso, vem Min. (Anaíra afirmou puxando Yasmin)
   - Não quero! (Yasmin resmungou e em seguida deu um pequeno grito)

   Ambas caíram na água. Riram tentando buscar o ar por terem afundado. Mas em seguida, arrumaram o equipamento e começaram o mergulho.
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Dois.

   - Você não suportaria mais de dois meses, te conheço. (Lucas)
   - Suportaria sim, esse lugar é perfeito, lindo, misterioso e ainda pode me proporcionar um marido sheik que tenha milhões investidos em petróleo. (Helen afirmou sorrindo)
   - Você anda interesseira demais. (Lucas)
   - Interesseira nada, sou esperta isso sim. (Helen)
   - Estou vendo. (Lucas)
   - Vamos fazer o seguinte, você cala a boca e nós vamos andar de camelo, o que acha? (Helen)
   - Acho melhor andarmos de camelo e você calar a boca. (Lucas)
   - Fala isso de novo que você vai sentir o delicioso gosto da areia do Saara descendo pela sua garganta. (Helen ameaçou)
   - Fala com meu dedo. (Lucas brincou)
   - Juro que queria quebrar esse dedo no meio, mas andar de camelo e procurar meu marido, são coisas mais úteis. Hei Luu, vai dar o que como meu dote? (Helen)
   - Se você vai casar com um sheik, ele que tem que pagar. (Lucas)
   - Depois eu que sou interesseira. (Helen)
   - Vamos procurar esses camelos, é bem mais produtivo! (Lucas)

    Yasmin e Anaíra andavam em um barco, indo para o local do mergulho. Já estavam com as roupas adequadas e o equipamento de mergulho. Mas o frio na barriga já era evidente. Apesar de que ambas tinham noção de mergulho

   - Estou com medo. (Yasmin sussurrou temerosa)
   - Eu também, mas deve ser lindo ver essa esfinge embaixo da água. (Anaíra)
   - Por isso estou indo, mas estou tremendo de medo. (Yasmin)
   - Relaxa, vai dar tudo certo. (Anaíra)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte e Um.

   “Às vezes pensamos que as maravilhas do mundo são como lendas, mitos… Eu jamais poderia imaginar que pessoas há mais de quatro mil anos atrás conseguiriam essa façanha. Me pergunto: Que tipo de mão-de-obra e maquinário que eles usavam? As pedras encaixadas com perfeição, o tamanho, a magia que gira em torno de todas elas. É enigmática a verdadeira maneira de se construir uma pirâmide, isso é indiscutível…”

   - Esse lugar é mágico. (Helen sussurrou respirando fundo)
   - Sem sombra de dúvidas. (Lucas afirmou com o olhar perdido entre as pirâmides de Gizé)
   - É algo enorme, parece brincadeira. (Helen)
   - Cada pedra é mais alta que uma pessoa, é impressionante. (Lucas afirmou fascinado)
   - Eu vou tirar foto disso tudo e, filmar. (Helen afirmou pegando sua câmera digital)
   - Sabe o que eu estava pensando? (Lucas)
   - No que? (Helen perguntou tirando uma foto de surpresa do primo)
   - Nem ligo, mas me fale no que pensou? (Helen)
   - Que mágico, vamos sim. Ah eu quero colocar véu na cabeça Lu, é totalmente misterioso. Quero ser uma Odalisca, falo logo. (Helen falou rapidamente e rindo)
   - Respira sua doida. (Lucas)
   - Ai esse leãozinho é tão lindo. (Helen)
   - Leãozinho é ótimo. É esfinge, Helen. (Lucas falou rindo)
   - É o leãozinho… Lucas, não quero mais ir embora daqui. (Helen)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Vinte.

   - Hum, e já existe algum merecedor? (Anaíra)
   - Não! (Yasmin respondeu suspirando)
   - Que suspirada hein? Até parece que me convence que não tem nenhum merecedor nessa história. (Anaíra)
   - Não tem. (Yasmin)

   Yasmin desviou seu olhar em direção do mar. Via as ondas batendo e formando grandes espumas que se perdiam por entre o balanço das águas. Sentia o cheiro de areia camuflado com a água salgada. Pensamentos voavam por sua cabeça… As sensações!

   - Olha isso aqui, são poemas de mulheres afegãs. Tenho tanta pena delas. (Anaíra falou voltando a ler a revista)
   - Também tenho. (Yasmin)
   - Mas elas estão bem mais independentes. (Anaíra)
   - Com certeza, mas precisam libertar-se cada vez mais. (Yasmin)

   “Segundo o Alcorão, a figura mais bela e divina é a mulher. A que gera um ser enviado pelo Criador! A que proporciona vida… Mas antes de exigir o respeito de várias crenças com as mulheres, precisamos crer em nossa beleza e nossa esplendida espiritualidade. Precisamos acreditar que lutar pelos nossos ideais femininos é estar no caminho da liberdade e da verdade. É ser o que se é, e não o que se deve ser…”
A Dança dos Sete Véus
Cento e Dezenove.

   As longas madeixas de Yasmin repousavam sob a fina e estampada canga. Ela quase dormia enquanto os raios solares bronzeavam sua pele. Anaíra se bronzeava de bruços, enquanto apoiava os cotovelos na areia e lia uma revista.

   - Está dormindo? (Anaíra perguntou enquanto folheava as páginas da revista)
   - Estou. (Yasmin brincou)
   - Besta! (Anaíra)
   - O que está lendo? (Yasmin perguntou virando de bruços e apoiando os cotovelos na areia, assim como Anaíra)
   - Uma revista pornográfica, você sendo muçulmana está proibida de ver. (Anaíra respondeu rindo)
   - Posso ser muçulmana, mas sei da onde surgem os bebês. (Yasmin afirmou pegando a revista das mãos da amiga)
   - Sabe, mas não faz. Min, você é uma muçulmana toda moderna, então já está na hora de brincar de “pega-pega”. (Anaíra falou rindo)
   - Que horror! (Yasmin)
   - É verdade, fora que é uma delícia. (Anaíra maliciou)
   - Não precisa entrar no mérito da questão. (Yasmin)
   - É verdade, ainda mais quando você faz com quem você gosta. (Anaíra)
   - Deve ser bom, mas vai ser na hora que Ala achar melhor pra mim. Sendo casada ou não, não me apego a isso, me apego com o fato de que ainda não foi porque não tinha que ter sido. (Yasmin)
   - Que profundo. (Anaíra)
   - É sério sua boba. (Yasmin)
   - Sei disso Min, e me diz uma coisa… A Dança dos Sete Véus vem acompanhada do hímen? (Anaíra perguntou rindo)
   - Se a pessoa for merecedora, quem sabe… (Yasmin respondeu rindo)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Dezoitto.

   Depois do pedido, rapidamente Helen foi servida. Estava distraída, quando...

   - Foi abandonada? (Taylor brincou sentando-se à mesa junto com ela)
   - Oi Taylor! Estou esperando a noiva Lucas. (Helen debochou tomando milk shake de canudo)
   - Vocês vão às pirâmides hoje, não é? (Taylor)
   - Sim, e na esfinge também. (Helen)
   - É muito lindo de perto, você vai ficar fascinada. (Taylor)
   - Espero que sim. (Helen afirmou mordendo o canudo)
   - Já pegou câmera digital, filmadora e essas coisas? (Taylor)
   - Peguei, estão aqui na minha mochila. (Helen afirmou mostrando uma mochila pequena da Adidas)
   - Hum… (Helen sussurrou)

   Depois disso, o silêncio predominou…

   - Por que ficou quieta? (Taylor)
   - Por que ficou quieto? (Helen)
   - Eu perguntei primeiro. (Taylor)
   - Mas eu sou uma dama, seja cavalheiro e me responda. (Helen)
   - Helenzinha, sem brincadeiras! (Taylor)
   - Não estou brincando. É sério. (Helen)
   - Responde você. (Taylor)
   - Você. (Helen)
   - Não vou ficar discutindo, responde agora e pronto. (Taylor brincou)
   - Fica quieto. (Helen)
   - Será que dá pra vocês dois calarem a boca? (Lucas falou chegando perto dos dois)
   - Bom dia limão. (Taylor)
   - Não enche o saco você também. (Lucas resmungou sentando-se à mesa junto com eles)
   - Credo que azedura. (Helen)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Dezesete.

   - Luuuuuuuuuuuu, acorda agora. Você prometeu que ia me levar para ver as pirâmides, droga… (Helen resmungava enquanto puxava a coberta dele)
   - Ok, vou aonde você quiser, mas para de encher o saco. (Lucas resmungou sentando na cama com cara de sono)
   - Até que enfim a Bela Adormecida acordou. (Helen)
   - Primeiro, não se acorda ninguém nem puxando a coberta, muito menos tagarelando. Segundo, não deboche. Terceiro, some daqui! (Lucas)
   - Quarto, vai tomar no… (Helen)
   - Olha a boca, sua depravada. (Lucas sussurrou ficando de pé)
   - Não vou te responder, apenas vou te esperar lá embaixo… Tchau! (Helen exclamou saindo do quarto do primo)
   - Mulher quando pega pra ser chata, sai de baixo. Só sabe ficar, “vai logo”, “corre seu lerdo”, “ta demorando”… Aff, elas que enrolam e ainda se acham no direito de nos apressarem. (Lucas resmungou indo na direção do banheiro)

    “Minha meta é a seguinte: Viver o romance das mil e uma noites, arranjar um marido sheik que de preferência seja dono de milhares de terrenos que contenham petróleo e ainda tenha uma pequena ilha localizada em Dubai, quero aquela que vai dar pra ver por satélite. Sim, sou humilde e isso já é um fato. Tenho que sonhar alto, porque ficar aqui na Terra só está me proporcionando pessoas que só pensam em satisfazer seus prazeres e não pensam em colocar uma aliança dourada na mão esquerda. Droga, odeio caras moles…”

   - Quero o bolo mais gostoso e cheio de "gordisses" que você tiver, e também um copo gigante de milk shake de chocolate. (Helen pediu sorrindo no restaurante do hotel)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Dezesseis.

   “Sempre fui um cara de bem com a vida, sempre vivi sem limites, sempre me envolvi com mulheres de todos os tipos… Loiras, morenas, ruivas, asiáticas, negras, se bobear até mesmo albinas… Enfim, quero dizer que sempre tive uma vida bem movimentada e o que mais tenho é experiência em lençóis. Mas será que é esse recorde que quero ter como experiência de vida? Ou então quero ir atrás do que realmente eu sempre quis e deixei de lado pra viver essa minha vida louca? Chegam fases em nossas vidas, na qual queremos apenas uma pessoa e com ela desfrutar do mais tranqüilo aconchego caseiro. É Taylor Lautner, chegou a hora de tomar vergonha na cara…”

   - Papéis, papéis… Folhas. Droga, não encontro nada. (Taylor falou sozinho enquanto procurava alguns arquivos na sala onde eram guardados documentos referentes às hospedagens)
   - Precisa de ajuda? (Marcelo perguntou entrando de surpresa na sala)
   - Cara, que susto. (Taylor sussurrou assustado)
   - Me desculpe. (Marcelo)
   - Bate antes de entrar na próxima vez! (Taylor)
   - Me desculpe. Está procurando algo? Quer ajuda? (Marcelo)
   - Estou procurando sim, mas não se preocupe que eu mesmo quero procurar. (Taylor afirmou continuando a mexer nos arquivos)
   - Eu ajudo, sei de todos os documentos que estão arquivados aqui, só me falar o que procura que eu te mostro onde está. (Marcelo)
   - Já disse, pode deixar que eu procuro. (Taylor)
   - Mas eu ajudo… (Marcelo)
   - Marcelo, peço pra você que saia, por favor, eu procuro e fim de papo! (Taylor exclamou perdendo a paciência)
   - Tudo bem. (Marcelo afirmou sem graça e saindo da sala)
   - Cara chato… (Taylor sussurrou pegando uma pasta nas mãos)


   Taylor sentou-se em uma das cadeiras e espalhou os documentos que estavam na pasta sobre a mesa.


   - Vejamos… (Taylor)


   Pegou diversos nomes repetidos, inclusive das dançarinas assim como Lucas anteriormente. Mas algo lhe chamou a atenção.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Cento e Quinze.

   Após encontrarem um camping na praia do Forte de Quait-Bay, Yasmin e Anaíra trocaram suas roupas, optando pelo tradicional biquíni ocidental. Anaíra não era islâmica, mas Yasmin não levava a sério às tradições de sua religião quanto à vestimenta.

   - Esse mar é mais do que perfeito, nem tenho palavras pra decifrar o quanto é bom estar aqui. (Yasmin afirmou mirando a grande extensão do mar)
   - Meu querido irmãozinho serviu para alguma coisa. (Anaíra afirmou rindo)
   - Você tem que agradecê-lo muito, essa praia é linda. (Yasmin)
   - Não posso babar muito ovo pra ele, é convencido demais, imagine depois disso. (Anaíra brincou)
   - Boba. (Yasmin falou sorrindo)
   - É engraçado ver uma muçulmana de biquíni, depois você diz que eu vou arder no mármore do inferno. (Anaíra debochou)
   - Carrego a religião no coração e não na roupa, isso já é fato. (Yasmin)
   - Yasmin filósofa. (Anaíra)
   - Fique quieta, vamos entrar na água, não agüento mais esperar. (Yasmin)
  - Espera, antes uma foto. (Anaíra afirmou levantando a câmera entre as duas)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Quatorze.

   - Acorda, cara pálida. (Helen falou rindo enquanto tentava acordar o primo)
   - Não enche. (Lucas sussurrou enfiando a cabeça embaixo do travesseiro)
   - Lucas, você é o administrador desse hotel, não pode acordar tarde. (Helen brincou)
   - Antes de ser administrador, eu sou o filho do dono e isso é motivo suficiente pra eu não acordar cedo, já ouviu falar que todo filho de pai rico é vagabundo. Prazer, este sou eu. (Lucas sussurrou)
   - Para de bancar o engraçadinho e levanta logo. (Helen)
   - Não, quero dormir… Por favor. (Lucas)
   - Ok, mas eu volto pra te acordar. (Helen)
   - Quero dormir até ano que vem… (Lucas)
   - Seu preguiçoso. (Helen)
   - Sou mesmo… (Lucas)

   “Não posso acordar agora que eu sonho com o olhar enigmático. Com as mãos que enfeitiçam e com os quadris que me inspiram há ter algo que há tempos eu não queria…”

   - Melhor, vou fazer que nem você e dormir mais um pouco, não faz mal mesmo. (Helen afirmou rindo e deitando novamente ao lado do primo)
   - Isso, fica quietinha e dorme. (Lucas)
   - Luuuuuuuuuuuu? (Helen)
   - Que? (Lucas perguntou permanecendo de olhos fechados)
   - Está tendo algum sonho erótico? (Helen perguntou gargalhando)
   - Não vou te responder, me recuso! (Lucas)
   - Ah, está sim seu safado. (Helen falou rindo)
   - Dorme Helen, dorme. (Lucas)
   - Só não se empolga muito hein, não esquece que vai estar na mesma cama que sua prima. (Helen)
   - Boa noite… (Lucas)
   - Bom dia, você quis dizer. (Helen)
   - Se for pra não dormir e ficar tagarelando, melhor ir pro seu quarto… (Lucas)
   - Vou ficar, nem adianta me expulsar. (Helen)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Treze.

   “Algumas pessoas me chamam de ditador, outros falam que abuso da autoridade, mas quer saber da verdade? Não estou nem aí para o que as pessoas falam de mim, se querem falar mal de meu jeito para os meus chefes, podem falar… Não deixarei de ser o que sou, tenho que abaixar a petulância daqueles que se acham os grandes poderosos, preciso conter a soberba e a prepotência de quem não é nada, e quer que eu cite um exemplo? Citarei, Yasmin Rosa, a rainha das Odaliscas, aliás, a rainha de querer ser o que não é… Quando alguém quer brilhar mais do que eu, sou obrigado a puxar o tapete e vou até aonde precisar pra continuar sendo superior, não será a minha estrela que ela vai apagar, antes de fazer isso, eu a destruo… Motivo? Sei lá, não vou com a cara dela!”

   - Isso está errado, será que você é tão incompetente a ponto de não saber o que é fazer uma limpeza decente? (Marcelo exclamou irritado com uma das camareiras)
   - Desculpe-me, isso não vai mais acontecer. (a camareira)
   - Olha aqui, realmente não vai mais acontecer porque você não trabalha mais aqui, está despedida. (Marcelo)
   - Mas despedida? Não, senhor eu não posso perder esse emprego. (a camareira)
   - Não quero nem saber, ninguém manda fazer as coisas erradas. Está despedida e isso é um fato. (Marcelo)
   - Por favor, te imploro. (a camareira)
   - Irei pensar no seu caso, até porque não posso ficar com a consciência pesada de mandar embora uma morte de fome, assim você passará mais fome, mas abre seu olho sua incompetente, pois quem manda em você sou eu. Então volte ao seu trabalho e vê se faz as coisas decentemente. (Marcelo)
   - Tudo bem senhor, com licença, isso não vai mais acontecer. (a camareira)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Doze.

   - Também acho. (Anaíra)

   Yasmin sem delongas desceu do ônibus, ao chegar no chão, fechou os olhos e respirou fundo. Era ótimo sentir o cheiro de mar por perto, uma energia renovadora. Até podia se recordar das vezes que tinha ido à Copacabana e Ipanema na época que ainda morava no Brasil. De certa maneira, Alexandria lembrava suas raízes.

   - Ainda bem que trouxe minha câmera, não posso deixar de registrar nada. (Anaíra)
   - Eu esqueci a minha. (Yasmin lamentou)
   - Sem problemas, a minha já é suficiente. (Anaíra)
   - Nana, precisamos encontrar algum camping e ir direto pra praia, não vejo a hora de me jogar dentro desse mar. (Yasmin)
   - Vamos sim, também estou doida pra pegar um bronzeado logo, olha que Sol maravilhoso. (Anaíra afirmou olhando o belo dia que acabara de nascer)
   - Eu quero fazer aquele mergulho, podíamos ver isso hoje também, o que acha? (Yasmin)
   - Acho ótimo, mas antes vamos pegar nossas malas e nos jogar por essa cidade. (Anaíra)
   - Sim! (Yasmin exclamou feliz)

   “Viajar é bom de vez em quando, renova nossas energias e nos proporciona belezas incomparáveis que às vezes nem temos a noção de que existem. Adoro estar em contato com a natureza, com todo o tesouro que Ala nos deu de presente, com o cheiro de oceano que entra por nossas narinas e entra em nossa corrente sangüínea como partículas de felicidade. Amo o mar e mais do que isso, amo viver o bem mais belo que Ala me deu, a vida…”
A Dança dos Sete Véus
Cento e Onze.

   “Dormir é a melhor coisa do mundo, principalmente quando você está com sono atrasado. Eu sou do tipo de pessoa que, acorda de meia em meia-hora… E isso faz com que eu não durma direito, só quando estou bastante tranqüila e sinto que estou, ou seja, fechei os olhos no Cairo e só os abrirei em Alexandria…”

   O ônibus saiu pontualmente às quatro horas da manhã, as duas enfrentariam cerca de duzentos quilômetros de estrada. Localizada ao Norte do Egito, Oeste do delta do Rio Nilo e às margens do Mar Mediterrâneo, Alexandria que foi fundada no inverno de 332 a.C., é considerada a principal cidade comercial do Egito, a segunda maior cidade do país e nela está localizado o maior porto de toda a nação egípcia. Conhecida por ter sido o maior império criado por Cleópatra, uma das rainhas mais famosas do Antigo Egito e em seu histórico, possui uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Farol de Alexandria, destruído por um terremoto no ano de 1375. Uma das mais belas praias do Egito e portadora de um grande mistério, envolvendo a cidade submersa que tem pertences da rainha Cleópatra. Forte arma para o turismo, já que nesse local acontecem mergulhos com o intuito de conhecer esses pertences!

   - Até que enfim chegamos. (Yasmin resmungou bocejando e levantando-se de seu assento)
   - Nem me fale, não agüentava mais ficar sentada. (Anaíra afirmou olhando a hora em seu celular)
   - Que horas são? (Yasmin)
   - Sete e cinqüenta, faz idéia que viajamos quase quatro horas? (Anaíra)
   - Mas pelo jeito, valeu a pena. (Yasmin afirmou colocando a mochila nas costas e olhando pela janela a bela visão de Alexandria)
A Dança dos Sete Véus
Cento e Dez.

   - Luquinhaaaaaaas... (Helen choramingou)
   - Que foi Helenzinha? (Lucas)
   - Deixa-me dormir com você, to com vontade de chorar! (Helen)
   - Ta vendo, isso que dá encher a cara! (Lucas afirmou rindo e abrindo a porta pra prima)
   - Não é c-culpa da bebida, é c-culpa daquele imbecil… (Helen sussurrou)
   - Que imbecil? (Lucas perguntou fechando a porta)
   - O que v-você chama de amigo! (Helen)
   - Viu como está bêbada, desde quando chora por algum homem? (Lucas)
   - E-eu quero ficar com ele, mas e-ele não se toca… L-lucas arranja um esquema. (Helen sussurrou chorando tamanha sua embriaguez)
   - Não vou arranjar nada, você que fale pra ele o que quer. Agora não quero mais que beba, odeio te ver bebendo e sabe o quanto é feio, mulher caindo para os lados por causa de bebida. (Lucas)
   - N-não me dá sermão… (Helen resmungou tirando o sapato e deitando na cama do primo)
   - Dou sim. (Lucas falou deitando-se ao lado dela)
   - Te amo p-primo… (Helen sussurrou deitando a cabeça no ombro dele)
   - Eu também. (Lucas afirmou beijando a cabeça dela)
   - Não f-fala isso, senão e-eu choro… (Helen)
   - Só você pra me fazer rir uma hora dessas. (Lucas afirmou sorrindo e fechando os olhos)

   “Minha pequena irmãzinha, sei que posso contar com ela pra tudo, minha grande companheira desde que me conheço por gente… Ela eu posso dizer que é a mulher da minha vida junto com a dona Fátima. Minha grande amiga…”
A Dança dos Sete Véus
Cento e Nove.

   - Quem manda ir trabalhar tão cedo, sendo que nem precisa. (Anaíra)
   - Eu gosto de trabalhar. (Yasmin)
   - Você deveria gostar de fazer outra coisa, mas deixa pra lá! (Anaíra)
   - Você vai arder no mármore do inferno, viu! (Yasmin exclamou rindo)
   - Hei, esqueceu que Odalisca aqui é você e não eu! (Anaíra brincou)
   - Nem vou te responder! (Yasmin falou sorrindo ainda de olhos fechados)

   Lucas não ficou muito tempo vendo as apresentações. Sua cabeça estava cheia e ele precisava no momento de descanso. Entrou embaixo do chuveiro e não enrolou muito. Vestiu uma cueca e se esparramou na cama. Apoiou a palma das mãos na cabeça e ficou mirando o teto. Por mais que não quisesse aceitar, ele estava pensando em Bruna. Conseguiu ligar depois e conversar com Silvana. Bruna já não estava mais passando mal e depois de muita reluta, tomou um chá feito por Silvana e havia conseguido dormir.

   Claro que a preocupação com seu filho era bem maior, mas de uma maneira ou outra se preocupava bastante com Bruna, não por amá-la, mas por ela. Sempre foi assim em todos os seus relacionamentos, e essa era a característica principal de Lucas. Ele era cuidadoso!

   Mas o que de fato precisava, era de uma mulher que fosse cuidadosa com ele e isso ele jamais havia encontrado. Somente em amores distintos do que ele procurava, como por exemplo, Helen e Fátima. 

   O sono na verdade, não vinha pelo mesmo motivo da noite anterior. Uma bela jovem dos cabelos pretos cor de carvão, com aquele toque dourado que lembravam o mais belo ouro. A que enfeitiçava...

   Viajava em pensamentos, quando escutou alguém bater na porta. Enrolou o lençol na parte debaixo e apenas abriu uma fresta da porta.