sábado, 3 de dezembro de 2011

A Dança dos Sete Véus
Quarenta e Dois.

   Um dos horários do Ramaz havia chegado.
   Após lavar os braços e as pernas, ela estendeu no chão da sala o pequeno tapete retangular persa.
   Ela ajoelhou-se e de maneira instantânea sentiu uma forte pontada na cintura.
   Lembrou automaticamente das palavras que seu pai sempre dissera em relação às dores...

   “Nada é mais abalável que a fé em Ala, respire fundo e não a deixe dominar-te!”

   E assim Yasmin sentia como se fosse inabalável, como se Deus conseguisse arrancar a dor com as mãos, ela sabia que Ele tinha o poder...

   “É impressionante como todas as vezes que faço essa reza, acabo lembrando de minha família… Como pode de uma hora pra outra tudo desmoronar? Há dois anos eu tinha a minha sustentação, o meu herói e agora perdi tudo, posso estar guardando mágoas, mas tudo culpa daquele imbecil… Droga, que vontade de chorar, que vontade de voltar pra minha casa, amo o Egito, mas eu quero minha casa, minha mãe, que saudades dela…”

   Hoje demorei pra levantar… Fazia tempo que não acordava uma hora da tarde… Desde que casei a insônia me pegou pra Cristo e logo cedo eu já estava de pé… Mas hoje não, sei que terei um mês e meio de muito trabalho e hoje é o ultimo dia antes de partir, amanhã é o dia, aliás, meu vôo parte há uma da manhã, ou seja, tenho pouco tempo…”

   - Meu menino, a dona Bruna ligou dizendo que vai almoçar na casa dos pais dela! (Silvana afirmou)

   Silvana era governanta e segunda mãe de Lucas, havia praticamente o criado e tinha um grande carinho por ele.
   Fátima era extremamente agradecida à senhora por tê-la ajudado e, Lu a respeitava muito.
   Ela havia ido morar na casa de Lucas por solicitação de Fátima, sabia o quanto o filho precisaria de sua ajuda.

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