quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Nove.

   Yasmin olhava para as pessoas à sua frente e sorria satisfeita. Todos estavam empolgados com o ritmo da música e de suas quebradas de quadril. Há tempos não sentia tanta emoção ao dançar… Bem, na verdade desde que Lucas havia ido embora, ela sentia-se um pouco desanimada pra suas apresentações. Talvez porque sabia que seu maior admirador não estaria ali a prestigiando. Mas de uma hora pra outra se animou novamente e obviamente, estava dando um espetáculo com sua maneira tão exclusiva e encantadora de dançar a tradicional Dança do Ventre.

   Os aplausos que escutou ao sair do palco, a fizeram sorrir com satisfação. Mais um dia de trabalho cumprido! Mais um dia de realização por ter a certeza de que havia feito o trabalho de maneira impecável. Quando entrou no camarim pra se arrumar e pegar suas coisas, sentiu aquela famosa e irritante fisgada na cintura. Há mais de um mês não sofria com aquelas dores, maldição.

   - Posso entrar? (Anaíra perguntou abrindo a porta)
   - Já entrou mesmo! (Yasmin respondeu sorrindo e depois fez uma careta de dor ao sentir outra fisgada)
   - Ih, que cara é essa? (Anaíra perguntou fechando a porta)
   - Dor na cintura, acredita? (Yasmin murmurou desanimada)
   - Relaxa que daqui a pouco passa. Agora se troca logo que estou ansiosa pra nossa noite do pijama. (Anaíra falou rindo)
   - Espero que passe mesmo. E se acalme que estou quase pronta. (Yasmin)
   - Faz um tempo que não durmo na sua casa… Hoje vamos fazer a festa! (Anaíra exclamou animada)
   - Vai querer fazer a mesma coisa da outra vez? (Yasmin)
   - Se os seus amiguinhos estiverem lá, faço sim… (Anaíra afirmou rindo)
   - Eles não são meus amigos. Agradeço por não esbarrar com eles pelo condomínio. (Yasmin)
   - Qual o problema de fazer uma brincadeirinha inocente Min? (Anaíra)
   - Brincadeirinha inocente? Você fez um strip-tease para meus vizinhos do prédio da frente! (Yasmin)
   - Super inocente… (Anaíra)
   - E como! (Yasmin)

   Após Yasmin se trocar, as duas saíram do camarim em direção a saída do hotel. Yasmin conversava distraída com Anaíra, quando esbarrou em Marcelo. O rapaz olhou-a nos olhos de uma maneira que fez Yasmin arrepiar-se. Olhar maldoso e gélido. Fazia a corrente sangüínea de Yasmin parar, tamanho o pavor que ele lhe causava e parecia que agora estava ainda pior.

   - D-desculpe… (Yasmin gaguejou andando na frente de Anaíra)

   Anaíra olhou pra Marcelo com um sorriso cínico. Não o suportava e sempre tinham atritos, mas ele não pegava tanto no pé dela. Definitivamente o problema dele era com Yasmin, apesar de ser arrogante com todos.

   - Patético! (Anaíra murmurou indo até Yasmin e saindo do hotel)


   Anaíra andava calada ao lado da amiga. Estavam indo a pé pra casa de Yasmin, já que a morena morava próximo. Era uma boa caminhada, mas dava pra agüentar.

   - Eu qualquer dia vou sair na mão com o Marcelo, sério! (Yasmin desabafou alguns minutos depois de ficar calada)
   - Eu no seu lugar já teria matado mesmo. Ele faz bem menos pra mim e vivo de atrito com ele, imagine se ele fizesse o que faz com você! (Anaíra)
   - Não sei o que fiz pra ele. (Yasmin)
   - Eu já te disse o problema do Marcelo com você. Amor reprimido! (Anaíra)
   - Não quero isso pra mim… Sendo ou não sendo, quero que ele me deixe em paz. Faça o trabalho dele quieto que eu faço o meu, quieta! (Yasmin)
   - Ele sabe que nunca vai ter nada com você, porque ele tem noção do nojo que você sente por ele, então ele faz isso pra que de certa maneira você perceber a presença dele. (Anaíra)
   - Ele é casado, Nana! (Yasmin)
   - E isso hoje em dia significa amor? (Anaíra)

   Yasmin ficou calada… Óbvio que não significava, tinha como exemplo a sua religião onde mulheres ficavam casadas sem amor e também Lucas.

   - Mas, amor não significa infernizar a pessoa que ama. (Yasmin)
   - Paixão Yasmin! Sabe aquela história de amor fatal? (Anaíra)
   - Pare de me assustar, sério… (Yasmin)
   - Ele te assusta. Isso eu já percebi. E sei lá, o olhar dele em cima de você é de cobiça, algo sombrio… Eu no seu lugar conversaria seriamente com o Taylor. (Anaíra)
   - Já tive uma conversa muito séria, e não foi somente com o Taylor, foi com o Marcelo e com o Lu junto… (Yasmin)
   - O Lucas? Nossa, que intimidade… (Anaíra falou rindo)
A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Sessenta e Oito.

   Ao chegarem ao andar onde ficavam seus respectivos quartos, cada um pegou seu cartão e apenas guardou suas malas, com a ajuda de um funcionário do hotel. Não teriam compromissos por hoje, mas chegar em Dubai e não aproveitar não seria nada justo. Entraram no mais famoso shopping de Dubai. A estrutura contava até com uma pista de Ski onde tinha neve artificial. Era de um luxo extremo, coisa natural por ali. Não haviam almoçado ainda, apenas comeram algo banal no avião. Por isso necessitavam de uma refeição. A gastronomia mundial encontrava-se na praça de alimentação do shopping, todo tipo de comida que se pode imaginar. Acabaram optando por comida italiana.


   - Como vai fazer legalmente com seu casamento? (Jorge perguntou enquanto limpava a boca com um guardanapo)
   - Estou meio perdido com isso, na verdade nem cheguei a pensar nesse tipo de coisa. (Lucas falou depois de engolir o que comia)
   - Tem que pensar. Se for pra tomar uma atitude, tem que tomar de maneira correta. Se você quer isso mesmo, tem que pensar em divórcio. (Jorge alertou)
   - Tem razão, pai. (Lucas sussurrou voltando a comer)


   Jorge o observou por alguns minutos. Sabia que algo estranho estava por trás daquela decisão repentina dele se separar. Alguma coisa havia acontecido…


   - Posso perguntar uma coisa? (Jorge)
   - Pode! (Lucas)
   - O que aconteceu pra você de uma hora pra outra querer acabar com seu casamento? (Jorge)

   Lucas quase se engasgou por ser pego de surpresa. Suspirou alto não conseguindo olhar nos olhos do pai.


   - Aconteceu alguma coisa mesmo. (Jorge deduziu ao perceber o desconforto que a pergunta causou em Lucas)


   Lucas respirou fundo… Será que era a hora certa pra contar sobre Yasmin? Bem não precisaria dizer quem era a pessoa, mas ele sentia necessidade de falar isso pra alguém, e com o pai ou com a mãe seria melhor ainda.


   - Pai… (Lucas falou olhando nos olhos do pai)
   - É outra pessoa não é? (Jorge)
   - Na verdade quando eu casei, comecei a perceber o quanto à vida que eu estava levando era um lixo… Tudo que eu estava fazendo era tudo errado. Nada estava sendo como eu havia planejado. E também por conhecer o caráter da Bruna mais ainda, por estar debaixo do mesmo teto que ela. (Lucas)
   - Tem mais? (Jorge)
   - Tem sim… Bem, depois de perceber tudo isso, eu sentia falta de alguma demonstração de carinho por parte dela. Por mais que não houvesse amor entre nós dois, sei lá… Mesmo eu sendo homem, não é somente sexo que quero numa relação. Não sei se está entendendo o que quero dizer… (Lucas)
   - Estou sim. (Jorge)
   - Pra falar a verdade, eu estava numa carência grande… E tudo estava dando errado. E foi quando percebi que existia uma pessoa que tinha o triplo dos meus problemas, coisas bem mais graves, mas nunca deixou de lutar e encarar de frente tudo isso. E superando conforme ia passando o tempo. Eu não só me vi na obrigação de fazer o mesmo por ser homem, como também me encantei com a forma de como apesar de tudo, ela tenta ser feliz e tem um brilho especial, não sei explicar… (Lucas confessou)
   - Você está apaixonado, Lucas! (Jorge afirmou surpreso)
   - Acho que estou. (Lucas confirmou dando um sorrisinho torto)