A Dança dos Sete Véus
Cento e Setenta.
Cento e Setenta.
“Eu queria poder colocar a mão em meu ventre e sentir o verdadeiro prazer de carregar dentro de si um ser, eu queria amar esse pequeno bebezinho que reside em meu útero, gostaria de poder me emocionar com o fato de ser mãe, planejar desde seu nascimento até sua entrada na universidade. Eu queria poder sentir o doce prazer da maternidade. Mas eu não consigo absorver esse amor, não consigo demonstrar uma felicidade nula, algo que passa como indiferente. Tenho medo de minhas atitudes, mas não consigo brecá-las…”
- Está melhor? (Jorge perguntou quando Bruna despertou)
- Estou sim, mas quero ir pra casa. (Bruna)
- Falei com o médico e ele disse que se estiver melhor, amanhã tem alta. (Jorge)
- Eu espero. (Bruna murmurou)
- Bruna? (Jorge)
- Sim! (Bruna)
- Você sabe o motivo desse sangramento? (Jorge)
- M-motivo? (Bruna perguntou engolindo em seco)
- Sim. (Jorge)
- N-não sei. (Bruna falou desviando o olhar)
- Bruna, me responda. (Jorge falou sério)
“Eu queria explicar toda essa tensão que estou sentindo, queria gritar, me esgoelar. Eu queria apenas entender o porque de meu cérebro estar embaralhado, porque eu sinto minhas pernas moles. Alá do Céu, que vergonha, estava praticamente nua na frente dele, há quanto tempo o conheço? Ele é casado, vai ser pai, é lindo, cheiroso. AH. O que faço depois disso? Me enclausuro dentro do quarto, finjo que nada aconteceu, o expulso daqui, ou o puxo pra mais um beijo. AH, Alá, dá-me sanidade.”
Yasmin trancou a porta temendo que algo sucedesse por uma atitude mais insana dele. Mentira! Temia uma atitude dela mesma.
- Alá, me perdoa. Pai me perdoa. Ai que vergonha, que vergonha. (Yasmin sussurrava completamente encabulada enquanto procurava qualquer trapo que respondesse por roupa)
Procurava um casaco que cobrisse até o pescoço e uma calça comprida. Precisava esconder-se depois de tamanho vexame. Mas o calor não colaborava pra que ela colocasse uma roupa pra esquiar talvez. Apesar da chuva, o mormaço quente da noite a fazia suar e mais, a sensação de frio no estômago a deixava com mais calor,
- O que eu faço, o que eu faço? (Yasmin se perguntava ainda em transe no quarto, não conseguia achar nenhuma roupa)
No hospital de São Paulo, o clima estava tenso e Bruna respirava fundo tentando conter as lágrimas.
- Bruna, perguntei e ainda não me respondeu. (Jorge falou sério)
- N-não sei, não sei c-como… (Bruna esbravejou com a voz embargada)
- Está gaguejando por quê? (Jorge)
- P-porque acabei de sofrer uma ameaça de a-aborto, queria que eu estivesse g-gargalhando. (Bruna sussurrou com os olhos cristalinos de lágrimas)
- Eu espero que seja realmente por isso. (Jorge)
- Por que e-está falando assim? (Bruna perguntou chorando)
- Olha Bruna, eu espero que de verdade eu não me arrependa de ter feito meu filho casar com você. (Jorge)
- Q-que? (Bruna)
- Temo ter me enganado quanto à sua pessoa e te falo uma coisa, caso eu descubra algo ou saiba que você faz qualquer coisa pra prejudicar meu filho, eu mesmo acabarei com esse casamento que eu fiz acontecer. (Jorge)
- E-está maluco? N-não respeita o f-fato de eu quase t-ter perdido meu f-filho? (Bruna)
- Está avisada. (Jorge murmurou saindo do quarto)
- D-desgraçado… (Bruna sussurrou entre um soluço após Jorge sair do quarto)
“Meu Deus, o mundo está caindo sobre minha cabeça. Pra onde corro? Tudo está dando errado, eu preciso do Lucas, eu vou atrás dele de qualquer maneira, não agüento mais ficar aqui sozinha, não dá…”
- Bruna, perguntei e ainda não me respondeu. (Jorge falou sério)
- N-não sei, não sei c-como… (Bruna esbravejou com a voz embargada)
- Está gaguejando por quê? (Jorge)
- P-porque acabei de sofrer uma ameaça de a-aborto, queria que eu estivesse g-gargalhando. (Bruna sussurrou com os olhos cristalinos de lágrimas)
- Eu espero que seja realmente por isso. (Jorge)
- Por que e-está falando assim? (Bruna perguntou chorando)
- Olha Bruna, eu espero que de verdade eu não me arrependa de ter feito meu filho casar com você. (Jorge)
- Q-que? (Bruna)
- Temo ter me enganado quanto à sua pessoa e te falo uma coisa, caso eu descubra algo ou saiba que você faz qualquer coisa pra prejudicar meu filho, eu mesmo acabarei com esse casamento que eu fiz acontecer. (Jorge)
- E-está maluco? N-não respeita o f-fato de eu quase t-ter perdido meu f-filho? (Bruna)
- Está avisada. (Jorge murmurou saindo do quarto)
- D-desgraçado… (Bruna sussurrou entre um soluço após Jorge sair do quarto)
“Meu Deus, o mundo está caindo sobre minha cabeça. Pra onde corro? Tudo está dando errado, eu preciso do Lucas, eu vou atrás dele de qualquer maneira, não agüento mais ficar aqui sozinha, não dá…”
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