terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Noventa e Três.

   “Imbecil, não tem que se meter na vida dele. Se ele é casado e não gosta da esposa, problema dele. Se ele se formou porque o pai quis essa profissão, mais uma vez problema dele. Você não tem nada com isso…”

   Yasmin percebeu que havia perguntando coisa que não devia. Lucas calou-se depois de seu questionamento.

   - Lucas, me desculpa. Fui um pouco inconveniente com a pergunta! (Yasmin desculpou-se)
   - Que isso, acho que mais inconveniente com perguntas do que eu, não existe. Não se preocupe. E quanto a sua pergunta, bem… Eu sempre tive uma vida desenfreada, com noitadas, mulheres, bebidas. Até cheguei a me envolver com drogas, a sorte foi que não viciei, então foi fácil parar, mas como não fazia nada, dependia do dinheiro do meu pai. E claro, com isso ele acabou comandando a minha vida, mesmo que eu me rebelasse, mas no final das contas eu voltava atrás pra poder ter dinheiro pra essas loucuras. (Lucas confessou)
   - Você não aparenta esse tipo de vida, você passa tranqüilidade. (Yasmin)
   - Bem, caí na real quando estava na frente do padre que estava fazendo o meu casamento. Pena que foi tarde demais! (Lucas)
   - Não, nunca é tarde pra ir atrás dos seus sonhos, mesmo que eles sejam praticamente impossíveis. Digo praticamente, porque nada nessa vida é impossível. Se você ainda tem fé na vida, ela pode te levar aos pontos mais altos da felicidade. Acredite, eu mesmo sendo nova, sei o quanto é difícil a realidade da vida, mas mesmo assim tento ver o dia colorido, não preto e branco. Se você acreditar nisso, com certeza vai ter resultados positivos em tudo. (Yasmin)

   Lucas sorriu observando a jovem filosofar. Sim, aquelas palavras eram a sua filosofia de vida! E que Freud, Karl Marx e Platão o perdoem, mas esse tipo de filosofia superava a grega.
E pra Lucas, não havia filósofa mais linda que ela.

   - Sábias palavras, Odalisca. Filosofou! (Lucas exclamou sorrindo)

   E mais uma vez, ele deu-se por satisfeito. Ela estava envergonhada!


   - É impressionante, você sempre vai ficar tímida com um elogio. (Lucas)
   - É mais forte do que eu, juro. (Yasmin sussurrou respirando fundo)
   - Não tente mudar. Essa timidez, o modo que tira a franja dos olhos e seu olhar misterioso são as coisas mais encantadoras em você. (Lucas confessou)

   Yasmin desviou a mirada pra janela do carro. Isso era muito teste pra sua timidez. Lucas sorriu.

   - Posso te pedir uma coisa? (Lucas)

   Yasmin virou a cabeça assustada…

   - Hei, se acalme. Não vou pedir beijo nem pra dormir com você… (Lucas brincou e ela acabou sorrindo)
   - Pode pedir. (Yasmin)
   - Sempre quis ir a uma mesquita. (Lucas)
   - Sério? (Yasmin)
   - Sim… Por mais radical que seja, acho a cultura e os ensinamentos islâmicos admiráveis. É uma relação bonita que vocês têm com Deus, bem com Alá e sempre quis ver isso de perto. (Lucas)
   - Pode falar Deus, pra nós muçulmanos não há diferenças entre Deus, Buda, Jeová, Olorum, Davi ou quem for. Acho que isso é um ponto positivo pro Islamismo, não discriminamos nenhuma religião. E que bom que seja um admirador da minha religião, isso é bem difícil depois que a máscara dos xiitas caiu, mas enfim… Posso te levar em uma mesquita sim! (Yasmin)
   - E pode ser hoje? (Lucas)
   - Pode, mas hoje a mesquita que vou às vezes, estará aberta a noite. E também nem poderia agora, não estou vestida adequadamente. (Yasmin)
   - Sem problemas, terminamos esse tour pelo Egito, eu volto pro hotel e você pra sua casa, depois nos encontramos novamente. (Lucas)
   - Tudo bem então… (Yasmin)
   - Quanto à vestimenta, tem alguma em especial? (Lucas)
   - Pra você não, por ser um turista, mas pra mim sim. Por mais que eu não siga ao pé da letra a religião, devo respeitar uma mesquita. (Yasmin)
   - Hum… (Lucas)
   - Agora vamos procurar um estacionamento, daqui dá pra ir a pé até Gizé. (Yasmin)

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