A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Treze.
“A única pessoa que já tratei com desprezo em toda a minha vida, foi o meu tio. Mas agora, trato o Lucas da mesma maneira. Eles são totalmente diferentes, não deveria fazer isso, mas talvez tenha uma coisa em comum entre os dois, adeptos da infidelidade. Sei que não sou inocente perante os beijos que ele me deu e bem, um que dei nele, mas me magoei com aquela mentira, por menor que seja, fiquei chateada. Sei que não tenho direito algum, ele antes de me conhecer já era casado e ia ser pai, mas sinto isso e é inevitável. O trato friamente e de verdade me sinto mal com isso, aqueles olhinhos cor de mel me olham implorando uma atenção, eu não tenho sangue de barata. Sou um ser humano, minha vontade é de apertar as bochechas dele e dar um beijinho bem na ponta de seu nariz. Ele é um bebê…”
Yasmin ajeitou a mochila nas costas e saiu do apartamento rumo ao hotel. Nos próximos dois dias teria folga, conforme a escala, porém ela não sabia se de fato folgaria, pois como não era boba, havia escutado que em dois dias Helen e Lucas iriam embora. Voltariam ao Brasil e, talvez não folgar a deixaria um pouquinho mais perto dele, mesmo que apenas nos olhares. E isso era significativo entre os dois, mesmo sem falarem assuntos que não fossem profissionais, eles pareciam conversar com suas miradas.
- Salam. (Yasmin cumprimentou o porteiro de seu prédio e saiu)
“Olhando as ruas do Egito, vejo o quanto perdi em não ter continuado a amizade com ele, bem vocês entenderam. Digo isso porque eu poderia ter mostrado muito mais lugares pra ele, o feito conhecer diversas paisagens. Fui egoísta, confirmo… Mas talvez ele tenha feito isso com algum guia turístico, não sei. Ou quando a esposa dele veio pra cá, talvez tenham saído pra conhecer. Que ilusão a minha pensar que só eu poderia mostrar pra ele o Egito. Por que desde que a esposa dele veio pra cá, eu o ignoro e mesmo assim não consigo parar de pensar nele?”
Nenhum comentário:
Postar um comentário