segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Oitenta e Seis.

   Yasmin virou-se de costas pra ele voltando a andar na direção do elevador. Lucas respirou fundo e deu uma pequena risada. Apesar de achar seu gesto totalmente cafajeste, não conseguiu evitar a olhada pro bumbum dela.

   - Gostosa! (Lucas sussurrou ao vê-la entrar no elevador)
   - Falou algo? (Yasmin perguntou apertando o botão térreo)
   - Não. (Lucas)

   Lucas num gesto de cavalheirismo abriu a porta do carro pra ela. Ela sorriu e entrou já colocando o cinto. Lucas entrou pelo outro lado e colocou a chave no contato.

   - Bem, agora vai ter que me guiar. (Lucas)
   - Tudo bem! (Yasmin)
   - Aliás, sabe dirigir? (Lucas)
   - Sei. (Yasmin)
   - Então, pode vir no meu lugar, é melhor você ir dirigindo. (Lucas)
   - Não, acho melhor você ir dirigindo. (Yasmin)
   - Por quê? (Lucas)
   - Não dirijo há quase dois anos. (Yasmin)
   - Sério? (Lucas perguntou surpreso)
   - Sim, eu tinha dezenove anos e bem, a última vez que dirigi foi um momento difícil pra mim, sei lá, não consigo mais. (Yasmin)
   - Bateu o carro? (Lucas)
   - Não! (Yasmin afirmou tensa)
   - Não quer falar sobre isso, não é? (Lucas)
   - Na verdade é algo que está se aproximando e fico mal com isso! (Yasmin)
   - Ok, não vou ficar perguntando o que é, se te faz mal, melhor mudarmos de assunto. (Lucas falou sorrindo e ligando o carro)

   Yasmin deu a primeira direção pra ele e Lucas foi seguindo. Quando pararam no primeiro farol, Yasmin respirou fundo. Queria falar, desabafar. Mas não conseguia.

   - É verdade que o Cairo tem um trânsito caótico? (Lucas)
   - Sim, às vezes supera São Paulo. (Yasmin)
   - Então deve ser terrível, mesmo. Porque superar o trânsito de São Paulo, é raridade. (Lucas)


   E Yasmin estava certa. Pouco tempo depois lá estavam eles parados no trânsito.

   - Será que libera rápido? (Lucas)
   - Sim, antes do meio-dia isso melhora, é normal acontecer isso. (Yasmin)
   - Que engraçado, eu sempre achei que no Egito só existia deserto e pirâmide e olha com o que me deparo? Com trânsito de cidade grande. (Lucas afirmou rindo)
   - É sempre assim, existem lugares no qual não acreditamos que é uma cidade de verdade, por exemplo, a Grécia. Eu ainda acho que eles usam aquela coroa de louros e as roupas que pareciam lençóis amarrados. (Yasmin falou sorrindo)
   - Olha que coincidência, também penso assim! (Lucas)

   E assim Yasmin olhou para a janela e perdeu-se em pensamentos. Passados alguns minutos, andaram pouco mais de 1 quilômetro e Yasmin permanecia calada.

   - Ficou quieta de repente. (Lucas)
   - Já disse pra você uma vez que às vezes eu desligava do mundo. (Yasmin)
   - Você desliga e fica pensando em alguma coisa especifica? (Lucas)
   - Não. (Yasmin)
   - Hum. (Lucas)

   Mais uma vez, silêncio… Yasmin disfarçadamente olhou pra Lucas. Sorriu observando a maneira que ele piscava e o jeito que tamborilava os dedos na direção do carro. Ela sabia que poderia falar. Talvez, ele passasse uma segurança pra ela poder colocar pra fora a explicação de um trauma.

   - A última vez que eu dirigi foi no dia que meu pai morreu. (Yasmin confessou mexendo nas mãos)
   - Que? (Lucas perguntou olhando-a)

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