segunda-feira, 5 de março de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Trinta e Nove.

   “Certos sentimentos entram em nossos corações e por lá ficam… Como se criassem raízes dentro de nosso ser. Algo que toca e que estaciona por décadas, séculos, milênios… Aquela velha história de outras vidas. Mas a mágoa tem o mesmo sabor, a mesma fragrância, o mesmo antídoto. Amor e mágoa são bem parecidos, têm as mesmas características. Não são opostos, já que esse cargo fica com o ódio. Sei que estou aqui falando e você não está entendendo nada, enfim, desabafei… É duro ver duas pessoas que você ama te traindo. Algo comparado com a dor física, mas com uma intensidade bem maior, algo mais profundo. Não sei o que pensar, como agir, como lidar com toda essa situação. Estou de mãos atadas porque posso estar magoada, mas eu ainda… Amo!”

   Depois de acalmar-se, Helen deitou-se na cama e ligou a televisão. Pra rir um pouco, deixou nos canais árabes mesmo, já que ela gargalhava com aquele sotaque e pronúncias estranhas.
Mas seu sossego não foi muito demorado, bateram na porta e automaticamente seu mau humor já exalava pelos quatros cantos do quarto.

   - Inferno! (Helen retrucou levantando da cama)

   Foi andando devagar pra não abalar muito sua cabeça. Quando abriu a porta, suspirou indignada.

   - Os dois por hoje são demais pra minha cabeça. (Helen)
   - Quero conversar com você. (Taylor falou suspirando)
   - Pra que conversar? Mais uma vez a mesma coisa? (Helen falou impaciente)
   - Helen... (Taylor)

   - Não entende que já conversamos tudo o que tínhamos pra conversar? (Helen)
   - Por favor. (Taylor)
   - Ok, pode falar, mas seja breve, senão faço o mesmo que fiz com a sua coleguinha. (Helen)
   - O que? (Taylor)
   - Nada, esquece… (Helen falou dando abertura pra Taylor entrar em seu quarto)

   Taylor suspirou. Seria sua última tentativa. Seu último pedido de desculpas…

   - Vou tentar ser breve, conforme seu pedido. (Taylor)
   - Seja mais breve ainda… (Helen)
   - Ok, Helen… (suspirou) Eu te amo! (Taylor)
   - Aham… (Helen debochou)
   - Você sabe que é verdade. (Taylor)
   - Sei, assim como também sei que você beijou a Letícia, e vai saber se não transaram. (Helen)
   - Não diga besteiras… (Taylor)
   - É isso que queria dizer? Já disse, então pode saindo. (Helen)
   - Acredita em mim, por favor? (Taylor falou aproximando-se)
   - Não chega perto de mim. (Helen murmurou afastando-se)
   - Sei que eu errei e muito. E a culpa é minha, não vou ficar jogando em cima da Letícia, sou homem suficiente pra saber quando eu errei… Mas… (Taylor)
   - Para com essa ladainha que está me dando vontade de vomitar e sabe por quê? Por nojo. (Helen esbravejou)
   - Helenzinhaaa… (Taylor)
   - Eu sei que nunca dei valor pra nossa relação, nem mesmo pra você… Mas eu e-estava começando… Ah d-droga… (Helen falou com a voz embargada)
   - Helen, eu quero ter um relacionamento de verdade com você, sério… (Taylor)

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