A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Seis.
Lucas ajudou o motorista a colocar a última mala no carro. Taylor e Jorge já estavam dentro do carro e Letícia se despedia deles…
- Bebê, to com medo. (Letícia choramingou forçando um bico)
- Por que medo? (Lucas)
- Vocês estão me largando nesse lugar cheio de múmias, com esse clima que não favorece em nada pra pessoas com pele oleosa como eu, se eu coloco um decote mais ousado no mínimo vou tomar oitenta chibatas ou arder no tal do inferno que em minha opinião é legal, mas enfim… Cai de gaiato bancando a pantera e agora comandarei isso tudo? É muito para o meu cérebro loiro recém pintado de chocolate. (Letícia)
- Você foi boa o suficiente pra resolver um caso, ficar por uns dias no lugar do Taylor vai ser fichinha. (Lucas falou sorrindo)
- Fora que vão achar que transo com algum de vocês, pouco tempo aqui e já mando em tudo. (Letícia)
- Ninguém vai pensar nisso sua louca. (Lucas)
- Isso você que pensa, sou mulher e sei bem o que mulheres pensam. (Letícia)
- Você tem que se sentir privilegiada, essa confiança que o Dom Jorge confiou em você, ele não tem em mim. (Lucas falou rindo)
- Até parece, foi a época que você era a ovelha negra… Quer dizer, a ovelha moreninha encardida da família. Hoje ele confia em você, dá pra ver isso. (Letícia)
- Acho que tenho que admitir isso, ele mudou mesmo… Não sei, acho que percebeu que eu não sou um incompetente. (Lucas)
- Nunca foi e nunca será. (Letícia)
- Obrigada! (Lucas afirmou sorrindo e apertando o nariz dela)
- Boa viagem bebê! (Letícia exclamou abraçando-o)
- Obrigada e juízo hein! (Lucas)
- Juízo eu tirei há anos no dentista, não sei pra que ter essa porcaria de dente. (Letícia brincou)
Lucas ia entrando no carro, mas lembrou de um pequeno detalhe. Sabia que ia deixar Letícia cheia de interrogações e desconfiança, mas isso não estava em jogo no momento e ele também já estava pouco se importando caso alguém descobrisse…
- Let, posso te pedir uma coisa? (Lucas)
- Claro. (Letícia)
- Sabe a Yasmin? (Lucas)
- Sim… (Letícia)
- Cuida dela. (Lucas)
- Como assim? Ela está doente? (Letícia)
- Não. Só cuide, não sei… qualquer coisa que ela precisar, a ajude… Dê auxílio. (Lucas)
Letícia ergueu uma de suas sobrancelhas e em seguida arregalou os expressivos olhos.
- Seu pinto é de chocolate, não é possível. (Letícia)
Lucas sorriu e piscou pra ela.
- Ok, eu cuido da sua Odalisca. Inclusive a levarei pra algumas baladinhas proibidas daqui, onde as muçulmanas chutam o Alcorão, levantam a burca e dançam La cucaracha atrás de um sexo selvagem com algum sheik. (Letícia)
- Faz isso que eu te demito. (Lucas)
- É isso que dá ajudar os amigos. (Letícia)
- Eu adoro você. Tchau! (Lucas sorriu e beijou-a na bochecha antes de entrar no carro e o motorista dar partida rumo ao aeroporto)
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