A Dança dos Sete Véus
Trezentos e Onze.
Regina olhava o choro da filha sem saber o que fazer. Palavras de consolo, apenas. Mas, seria difícil arranjar uma maneira de acabar com toda aquela angústia. Parecia realmente uma provação de Deus e seu coração se despedaçava por saber que sempre a que sofria, era Yasmin. Como queria que Luiz estivesse ali pra consolá-la, como desejava.
- Tome querida! (Regina exclamou sentando na beira da cama e entregando a Yasmin um analgésico e um copo de leite)
- N-não quero… (Yasmin murmurou)
- Mas você precisa. Yasmin, por favor… reaja! (Regina)
Yasmin engoliu o choro e sentou-se, o rosto visivelmente abatido e os olhos molhados.
- E-eu preciso voltar pra casa. (Yasmin)
- De maneira alguma! Chega Yasmin, você insistiu demais com essa loucura em morar fora do seu país. Nunca fiz isso com você e nem com sua irmã, mas a proíbo de voltar para o Egito. (Regina afirmou séria)
- M-mãe… (Yasmin)
- Não aguento mais essa situação. Eu sei que pra você é difícil, filha, mas tem que enfrentar tudo de cabeça erguida. Não estou falando com relação ao Lucas, estou falando com relação à sua vida! (Regina)
Yasmin abaixou a cabeça e partiu ainda mais o coração da mãe.
- Seu pai infelizmente se foi, querida. Você precisa superar. (Regina)
- EU NUNCA VOU SUPERAR A MORTE DO MEU PAI, n-nunca… (Yasmin)
A situação era pior do que Regina imaginava. E ela temia que Yasmin caísse numa profunda depressão. Foi até a sala sem saber o que fazer… tudo parecia tão confuso. Precisava de uma ajuda, antes que Yasmin tivesse um infarto naquele quarto.
- Mãe, como ela está? (Julia)
Julia era irmã de Yasmin.
- Péssima! Não sei mais o que fazer com essa menina… (Regina respondeu angustiada)
- Estou com o coração partido de vê-la assim, coitadinha… Ela está tão apaixonada. (Julia)
- O problema é bem maior do que a gente pensa. Ela não supera a morte do Luiz, ela treme só de ouvir falar sobre aquele desgraçado do meu ex-cunhado. E ainda quer voltar pro Egito. Filha, estou sem saber o que fazer… (Regina)
- Se acalme, mãe! Eu vou tentar falar com ela… a Min precisa de carinho de família, ela está carente. (Julia)
No quarto, somente pensamentos.
“Eu tentava acreditar que príncipes encantados não existiam, mas você apareceu! Apareceu pra me tampar os olhos e depois friamente me deu uma rasteira. Eu te entreguei a maior tradição do meu sangue, eu te entreguei meu coração e você o jogou ao vento. Você não se transformou em sapo, porque você nunca foi o príncipe.”
- E-eu preciso sair d-daqui… (Yasmin murmurou enxugando os olhos com as costas da mão direita)
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