A Dança dos Sete Véus
Cento e Sessenta.
Lucas deitou a cabeça no travesseiro e olhou para o teto. Sua cabeça estava cheia e não conseguiria dormir tão cedo. Apenas lembrava no choro sentido de Yasmin. O pré-julgamento que a deixara tão mal.
Bateram na porta e ele suspirou passando a mão na testa. Levantou-se e esfregou o peito que estava suado devido ao calor forte. Arrumou a calça do pijama e abriu a porta…
Segurou na fechadura, para não cair devido ao susto que tomara. O véu negro que cobria o rosto do nariz até o queixo. Os cabelos pretos que caíam pelas costas e o cheiro de rosas que eram tão marcantes nela. Lucas esfregou os olhos tentando assimilar as coisas. Mas apenas viu que ela o puxava pela mão. Deixou-se guiar. A porta fechou-se e o requebrado dos quadris que ele tanto admirava, começavam a surgir entre o véu que ela segurava com as mãos. Ela estava enfeitiçando-o. Hipnotizando com aqueles pares de olhos que tinham o guisado de uma serpente egípcia, que mostravam o intenso brilho da Lua e encantavam como uma maravilha do mundo.
Ele não conseguia acreditar na miragem a sua frente. Era o começo de um oásis. Eram os misteriosos grãos de areia do Saara. Era Yasmin, a mais bela Odalisca. A mais linda…
“Eu não podia me conter, eu não agüentava mais ficar sentado e a vendo enfeitiçar-me sem que eu pudesse sentir seu cheiro embriagador. Eu precisava senti-la em meus braços, eu precisava provar de seus lábios… Sentir o seu gosto, eu necessitava de um… Beijo!”
Lucas levantou e Yasmin parou com a dança, correspondendo ao intenso olhar. Eles se comunicavam entre suas pupilas e decifravam suas mentes através da íris. Estavam conectados apenas pela miragem. Lucas aproximou-se, tirou delicadamente o véu do rosto dela. Encostou levemente os lábios nos dela, sentiu como o coração acelerou compulsivamente. Sentiu o estômago retrair-se e ao tocar em sua língua, sentiu como pequenas partículas de paixão, tomavam conta de seu ser…
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