quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Sessenta e Oito.

   - Pra q-que me bombardear com t-tanta informação? (Yasmin)
   - Não é bombardeio, eu senti vontade de falar. (Lucas)
   - Lucas… Quer dizer, senhor Lucas. (Yasmin)

   Lucas gargalhou na hora.

   - Droga, eu não sei o que falar. (Yasmin murmurou)
   - Yasmin, não precisa falar nada. Aconteceu… (Lucas afirmou aproximando-se dela)
   - Eu sou muçulmana, sabia que uma mulher muçulmana não pode nem beijar antes do casamento? (Yasmin)
   - Está querendo dizer que agora sou obrigado a casar com você? (Lucas perguntou sorrindo de uma maneira que deixou Yasmin encabulada)
  - N-não… Não é i-isso, mas você infringiu as leis do Alcorão, vai a-arder no mármore do inferno. (Yasmin)
   - Mas eu sou católico, então quem infringiu as leis foi a senhorita que é muçulmana. (Lucas)

   Yasmin suspirou, não tinha mais nada pra falar. Queria sair correndo.

   - Olha pra mim… (Lucas)

   Yasmin virou o olhar pra ele. Sentia o queixo tremer e as mãos suavam.

   - Já beijou outra pessoa? (Lucas perguntou)
   - J-já… (Yasmin sussurrou)
   - Sentiu vontade? (Lucas)
   - Sim… (Yasmin)
   - Foi o que aconteceu aqui, sentimos vontade e rolou, não precisa ficar encontrando dez mil empecilhos pra justificar uma coisa que tanto você quanto eu queríamos. Eu posso ser casado e ter trezentos mil filhos, isso não ia fazer com que eu perdesse a vontade de te beijar. (Lucas)


   Yasmin engoliu em seco. Ele conseguia mexer com o organismo dela, poucas palavras que faziam toda sua corrente sangüínea congelar.

   - Mas se quiser isso não acontecerá mais… Mas eu quero. (Lucas sussurrou dedilhando a bochecha dela)

   Yasmin fechou os olhos, o calor lhe invadia o corpo. Sentia o coração queimar e seu corpo formigava. Que sensação era aquela que não saía de sua mente? Pra onde ela deveria correr?
Pros braços dele? Yasmin arregalou os olhos. Estava pensando besteiras novamente. Era muçulmana e devia agir como tal, até mesmo estava pensando em usar o véu na cabeça. Grande piada!

   - Bom, eu vou indo embora. Obrigado pela água e pelos biscoitos, são deliciosos. (Lucas falou sorrindo)
   - O-obrigada você, p-por ter me trazido. (Yasmin)

   Obrigada pelo beijo? Yasmin no exato momento recriminou sua mente impura.

   - Não tem do que agradecer, sabe disso… (Lucas)

   Beijou lentamente a bochecha dela. Yasmin sentiu sua bochecha queimar e seu rosto adormecer. Fechou os olhos por instinto… Lucas sorriu e saiu do apartamento. Ao escutar a porta se fechar, Yasmin sentou-se no sofá tocando seus lábios. O que havia sido aquele contato? Era o primeiro passo?

   Lucas respirava fundo no corredor. Sentia todo seu corpo formigar. O que havia feito? Fora que, nunca havia sido tão direto e decidido. Suspirou e esfregou o rosto com as mãos. Olhou para o zíper de sua calça e caiu na risada. Parecia um adolescente precoce, mas não conseguia segurar. Aquele beijo havia deixado-o em estado de puro nervosismo. Desceu rapidamente as escadas, antes que batesse novamente na porta dela. Quando ia sair, um estalo lhe fez lembrar de uma coisa…

   Egito não era Brasil!

   E ele não havia prestado atenção no caminho, mesmo sendo o que havia dirigido. Era impossível prestar atenção nas ruas do que naquela bela morena que estava no banco do passageiro. O único jeito era ter que voltar ao apartamento dela pra perguntar. Seria obrigado a isso!


   “Estou sem cara para voltar naquele apartamento, será que me precipitei? Enfim, fiz o que senti vontade e que desde que cheguei aqui me atormentava, ela exerce um poder sobre mim que é impressionante. Ela meche com todos os meus hormônios…”

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