domingo, 15 de janeiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Cinquenta.

   Como explicar algo que nem mesmo possamos entender. Como decifrar ou como saber ao menos quando ele começa. Quais são suas características e como evitá-lo. Quais as faces do amor e o que fazer, quando ele bater em nossas portas?

   Yasmin engoliu em seco, olhares e palavras que vinham dele e que a faziam perder o rumo. Perder o chão. Ele tinha o dom e o jeito certo para desconcertá-la, deixá-la ainda mais tímida frente a um elogio tão sincero, a uma declaração…

   - Yasmin, você é uma peça importante aqui, fora que é um emprego e se está aqui é porque precisa. Não se sacrifique por uma injustiça. (Lucas)
   - N-não quero ficar, é difícil… (Yasmin murmurou limpando os olhos)
   - Vamos fazer o seguinte, vai embora agora pra sua casa, refresca a cabeça e pensa com carinho. Nem precisa voltar hoje, mas volte amanhã. Vou estar te esperando, inclusive vai ser anunciado a sua dança, eu confio em você e sei que não vai me deixar na mão. (Lucas afirmou sorrindo e levantando-se)

   Ele sorriu mais uma vez e preparou-se para sair do camarim…

   - E-espera. (Yasmin sussurrou levantando-se do sofá)
   - Sim? (Lucas perguntou virando-se pra ela)

   Yasmin havia sentindo-se bastante amparada com as poucas, mas profundas palavras dele.
E o que mais queria, era agradecê-lo, mas no impulso, acabou abraçando-o.

   - Shokran, shokran h’abibe. (Yasmin sussurrou abraçando-o pela cintura, atitude que deixou Lucas sem ação)


   “Não sei por qual razão, sentimento ou o que for… Simplesmente senti vontade, e fiz o que estava querendo fazer. Se fui atrevida? Talvez, mas não interessa, não importa. Quis abraçá-lo e pronto, agüentarei as conseqüências, não tem problema. O que interessa é que em apenas um abraço, consegui suprir um pouco da carência que anda me afetando ultimamente.”

   Lucas respirou fundo ao mesmo tempo em que fechou os olhos. A essência de sândalo mesclada com a suavidade do aroma de rosas brancas, que vinham das longas madeixas dela, o enlouquecia. Um cheiro que já parecia fazer parte dela, era característico. Era único.

   
“Se eu quisesse descrever esse momento, com certeza iria gaguejar. Mal sinto minhas pernas, de verdade, estou com medo da onde isso tudo possa chegar…”


   - Está me agradecendo? (Lucas perguntou entre sussurros ao mesmo tempo em que tocava em uma mecha dos cabelos dela)
   - S-sim… (Yasmin murmurou com a cabeça encostada no peito dele)
   - Não precisa agradecer, você faz por merecer essa confiança e esse respeito. (Lucas)

   Yasmin sorriu e saiu do abraço com as bochechas coradas, havia caído em si de sua atitude. Mas ao mesmo tempo, não estava nem um pouco arrependida.

   - Agora tenho que ir, mas já sabe… Estarei te esperando. (Lucas disse sorrindo e beijando a bochecha direita dela, proporcionando ainda mais timidez nela)

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