domingo, 15 de janeiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Quarenta.

   “Odeio injustiças, odeio violência, odeio covardia. Irei alertá-lo sim, pois o crime que ela está tentando cometer é sanguinário, é do ser humano mais baixo que possa existir. É demoníaco. Ele foi um cordeirinho nas mãos dela, mas não merece que essa violência seja concretizada. E parece que Deus existe, todas as tentativas estão indo por água abaixo. E se depender de mim, ela não vai conseguir isso. Mas esse bebê tem que ficar com ele, e nisso ajudarei sem dúvidas. Que Deus tenha piedade dessa alma pobre e possa fazer com que esse anjinho nasça.”

   Pela manhã, como de costume, Yasmin acordou cedinho, olhou pra Anaíra e sorriu ao ver como a amiga estava esparramada e não iria acordar tão cedo. Levantou-se e foi até o banheiro feminino. Tomou banho e tratou de sua higiene dentária. Vestiu um delicado vestido de tecido fino no tom de branco que ia até os joelhos, e no pescoço, uma corrente de ouro branco que tinha como pingente uma letra árabe que significava Fé. Estava descalça e assim, foi molhar os pés na beira do mar.

   Respirou fundo quando a água salgada os molhou, era mágico sentir aquilo logo cedo. Era renovador. E foi nisso, que viu uma pequena garotinha correndo pela areia. Ela parecia estar muito feliz e gargalhava ao apontar um casal, que supostamente seriam seus pais. Yasmin sorriu, as crianças faziam parte de um desejo secreto. Ela recusava-se ao amor, mas ser mãe não.

   “Minha religião não permitiria eu sendo mãe solteira, acho que nesse caso nem minha família, por mais modernos que sejam. Mas, eu daria tudo pra poder gerar um bebê em meu ventre, um pedacinho de gente que seria meu sangue, meu pequeno amorzinho. Escutar a palavra mamãe sair de sua boca, vê-lo correr e brincar feliz, vê-lo crescer… Eu daria tudo pra ser mãe, mas talvez isso só faça parte de um sonho que não se realize nunca…”

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