domingo, 15 de janeiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Quarenta e Oito.

   - Disse a verdade, que você é uma prostituta. (Marcelo)

   A forte palavra de Marcelo provocou uma grande irritação em Lucas. Mas ele permaneceu quieto, queria ver a reação dela.

   - Eu juro que não escutei o que você disse. Juro. (Yasmin sussurrou fechando os olhos tentando conter o ódio que começava a surgir em seu peito)
   - Preciso repetir então, você faz parte do grupo de meninas que se prostitui, aliás, é uma das poucas. (Marcelo)
   - V-você é maluco. (Yasmin gaguejou)
   - Não, sou verdadeiro. (Marcelo)
   - C-como você pode ser tão mentiroso, t-tão… T-tão desgraçado? (Yasmin disse segurando-se ao máximo)
   - Não sou mentiroso, fora que nesses papéis deixam claro que seu nome está em diversos dias como hóspede, ou seja, pra encontrar com seus clientes. (Marcelo afirmou colocando na mesa os relatórios de hospedagem)

   Yasmin pegou os papéis e era visível como suas mãos estavam trêmulas. A garganta estava seca e ela não sabia o que dizer. Como seu nome havia surgido ali? Nunca nem sonhou em se hospedar no hotel, sabia o quanto era caro. E prostituição? Por Deus, ela nem havia tido uma relação sexual em sua vida. Parecia mentira, aquilo não era realidade. Era um sonho, aliás, um pesadelo.

   - E-eu não sei… (Yasmin sussurrou sem saber o que falar)
   - Viram? Quem cala consente. (Marcelo debochou)

   Foi nesse exato momento que Yasmin explodiu, levantou-se da cadeira a fim de encher a cara dele de tapas.

   - V-você é um louco, desgraçado. (Yasmin disse em meio ao ódio que sentia e tentando andar até ele, mas no caminho Lucas a segurou)

   - Se acalma. (Lucas disse impedindo-a de ir pra cima de Marcelo)
   - Ela é assim mesmo, se acha a toda poderosa, que pode bater em quem quiser. (Marcelo)
   - V-você é mentiroso, s-sempre me induziu a prostituição, m-mas eu sempre neguei. E-eu nunca quis e n-nunca fui pra cama com ninguém p-por causa de dinheiro, e-eu não sou prostituta e n-não preciso provar isso pra ninguém, m-minha consciência sabe d-disso. (Yasmin gaguejou tentando segurar o choro que estava entalado em sua garganta, Lucas continuava segurando-a)
   - Nunca te induzi a nada, você sempre fez isso, desde que entrou aqui. Tenho certeza que seu pai morreu de desgosto, por ter uma filha vagabunda. (Marcelo)
   - Hei, olha a maneira de falar, abaixe seu tom. (Taylor exclamou irritado)
   - Pare de falar dessa maneira, contenha suas palavras. (Lucas)
  - Não t-toque nunca mais no n-nome do meu pai, s-seu animal. (Yasmin sussurrou não conseguindo segurar as lágrimas que invadiam seus olhos)
   - Não quer que eu toque por que? Arrependimento? (Marcelo)

   Yasmin não conseguia responder nada. Voltou a sentar na cadeira e soltou um soluço, desabando em lágrimas. Lucas sentiu o coração apertar, odiava ver uma mulher chorando.

   - Sai daqui. (Lucas)
   - Não, essa reunião ainda não acabou, não falei nem metade do que ela merece escutar. (Marcelo)
   - Escute o que ele disse, sai. (Taylor)
   - N-não, quem vai sair d-daqui sou eu. E-eu não preciso disso, a pior coisa que p-poderia ter acontecido c-comigo já a-aconteceu. Eu n-não suporto mais a h-humilhação q-que ele me faz passar. E-eu quero ir embora daqui, a-agora. Já. (Yasmin afirmou chorando e saindo da sala desnorteada)

   Lucas respirou fundo, sentindo uma forte raiva o consumir por dentro. Queria enfiar um soco na cara de Marcelo.

   - Fica esperto, senão te jogo pra fora desse hotel. Vou atrás dela e se ela não quiser continuar trabalhando aqui, considere-se demitido! (Lucas exclamou irritado indo atrás de Yasmin)

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