segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Cento e Sessenta e Dois.

   Yasmin não havia dormido quase a noite toda. Estava acordada desde a madrugada, não conseguia desprender-se de seus pensamentos. Abriu seu armário por diversas vezes. Sempre com o mesmo propósito… Observar aquele véu que fora presente de sua mãe.

   
“Quando eu era bem pequena, minha vózinha que também não está mais aqui, sempre me dizia que quando sentimos vontade de fazer alguma coisa, devemos ir até o fim. Devemos seguir o rastro de nossa intuição e mergulhar-se na percepção de um sentimento. Mais sábios que os antigos, impossível. E sei que essa minha vontade, vai aflorar-se cada vez mais e espero em breve poder executá-la da maneira mais mágica, do jeito que sempre sonhei… Eu acredito!”


   Yasmin pegou o véu nas mãos e aspirou o cheiro agradável de sândalo. Era a essência que Yasmin mais gostava e estava presente por onde ela estivesse. O guardou em sua mochila, mas ainda não havia decidido se voltaria ao hotel…

   No hotel, Lucas acabara de saber sobre o estado de saúde de Bruna.

   - Por que não me disse antes? (Lucas perguntou nervoso e discando o número de Fátima)
   - Você estava dormindo, cansado, mesmo te acordando vi o quanto estava exausto. Fora que a tia não me explicou direito. (Helen)
   - Mesmo assim, é meu filho… (Lucas afirmou tenso)
   - Eu sei bebê, me dá seu telefone, está bastante nervoso pra falar com a tia. (Helen)

   Lucas entregou o celular pra prima e estralou os dedos em sinal de nervoso. Já tinha um afeto grande pelo bebê, era seu filho… Não queria perdê-lo. E também se preocupava com Bruna, pois por enquanto, ela era a pessoa que carregava seu filho no ventre.

   - Alô tia? (Helen)

   Lucas ficou observando a conversa da prima com Fátima, estava esbaforido tentando entender o que diziam.

   - E aí, o que houve? (Lucas perguntou aflito após Helen desligar o celular)

   “Sei que perdi a consideração que meu filho tinha por mim. Às vezes paro e penso se não fiz mal em pressioná-lo a fazer uma coisa que não tinha vontade, não o deixei andar com as próprias pernas. Eu fiz isso pensando que fosse o melhor, já não sei se é assim. Tenho um carinho grande pela Bruna, mas amo meu filho acima de tudo.”

   - O que houve doutor? (Jorge perguntou ao entrar no consultório do médico de Bruna, Fátima não o acompanhava)
   - Sente-se… (o médico indicou a cadeira acolchoada à frente de sua mesa)


   Jorge esfregou as duas mãos e olhou para o médico, sua expressão era séria.


   - Bem, a paciente teve uma hemorragia muito grande, por pouco iríamos precisar de transfusão de sangue. Isso foi originado por… (o médico afirmou sem completar seu diagnóstico)
   - Por? Pode dizer a verdade. (Jorge)
   - Ela ingeriu algum tipo de medicamento ou droga. Mandamos as amostras para análise em nosso laboratório. (o médico)
   - Droga? Medicamento? (Jorge perguntou incrédulo)
   - Sim. (o médico)

   Jorge ficou perplexo. Não teria pensando nisso jamais…

   - E o bebê? (Jorge)
   - Bem, foi difícil todo o processo de conter a hemorragia, fizemos de tudo pra não prejudicar o feto e felizmente conseguimos mantê-lo vivo. Não sabemos se haverá algum tipo de seqüela, na verdade é quase provável, mas conseguimos salvá-lo. (o médico)

   Jorge soltou um suspiro de alívio, mas teria que conversar seriamente com Bruna. Sem sombra de dúvidas.

   - Ela está melhor, e seu bebê está fora de perigo. (Helen afirmou sorrindo)

   Helen observou as lágrimas que juntaram nos olhos do primo. Mas percebeu o quanto ele se esforçou para segurá-las.

   - Graças a Deus. (Lucas sussurrou fechando os olhos e respirando fundo)

   “A coisa que mais me deprime, é ver o quanto meu primo necessita de amor… Me dói tanto vê-lo mal, sofrendo. Queria tanto que ele fosse de verdade feliz, e agradeço a Deus por esse bebê ter ficado vivo, talvez ele seja o renascimento da felicidade dentro do coração do meu bebê. Papai do Céu, seria muito pedir uma pitada de felicidade pra ele?”

Nenhum comentário:

Postar um comentário