terça-feira, 3 de julho de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Setenta e Quatro.

   - Eu tenho quase certeza que o responsável por tudo isso seja o Marcelo, não seja hipócrita em tentar negar, sei que talvez você tenha medo de afirmar isso, e bem, sua palavra não teria tanto efeito, já que precisamos de provas concretas. (Letícia)

   Yasmin permaneceu calada, ela sabia de tudo, mas não afirmaria nada nem por temer Marcelo, mas por considerar que ele tinha filhos que precisavam de leite, coisa que adquiriam através do salário que ele ganhava ali.

   - O que pensa fazer? (Yasmin)
   - Uma armadilha talvez. (Letícia)
   - Como assim? (Yasmin)
   - Fazê-lo confessar sabe? Não vou ser radical ao ponto de embebedá-lo pra que ele fale tudo, mas pensei em algo que possa ter resultado positivo. (Letícia)
   - Como? (Yasmin)
   - Você não está envolvida nisso, mas ele te acusou. Andei vendo que em sua ficha e na dele existem observações sobre discussões sérias entre vocês dois, inclusive o Taylor me relatou algumas. Isso significa que você não o suporta, nem ele tampouco. Se ele fez isso te prejudicando, você pode tentar provocá-lo e confessar isso numa conversa a dois… (Letícia)
   - Eu o provocaria? (Yasmin)
   - Sim Yasmin! Não é justo ele te acusar e ficar impune de algo que ele que faz. E não tenha medo, porque eu estarei no mesmo lugar, vou me esconder e gravar toda a conversa. (Letícia)
   - Mas isso o fará perder o emprego. (Yasmin)

   - Ele merece. Por mentir e acusar as pessoas injustamente. (Letícia)
   - Mas ele tem filhos… (Yasmin)
   - Lamento por eles, mas ele está procurando isso. (Letícia)
   - Eu não sei… (Yasmin)
   - Pense, por favor, e me dê a resposta o quanto antes. (Letícia)

   A Lua já despontava no céu do Cairo. Tudo já estava organizado pro coquetel. Algo de muito luxo e ao mesmo tempo, discreto. Yasmin estava deslumbrante num vestido tomara-que-caia balonê preto, que ia um pouco acima do joelho. Tinha um tecido leve e elegante, acentuando ainda mais a cintura e marcando delicadamente e de maneira sensual os seios.
Usava um scarpin preto de um salto fino e alto. Os cabelos soltos e levemente enrolados, e uma rosa de renda preta como fivela. A maquilagem marcante nos olhos, o blush dourado nas bochechas e o gloss cor de boca que harmonizavam o belo rosto da odalisca. O perfume, claro… Sempre característico e marcante, deixando um delicioso rastro por onde ela passava.

   Marcelo a observava de longe, fascinado e com o jeito malicioso e macabro de sempre. No balcão da recepção ela rabiscava alguma coisa enquanto esperava o tempo passar. Mas sentiu um olhar lhe prender a atenção… Ele afrouxava a gravata e sorria observando-a, e quando a viu levantar o rosto, sorriu ainda mais. Por Deus, mais uma vez estavam frente a frente!

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