sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Noventa e Dois.

   - M-medo… (Yasmin sussurrou num fio de voz e abaixou a cabeça)

   Lucas por segundos a analisou. Pegou em uma de suas mãos e com a outra livre, tocou no queixo dela fazendo-a olhar em seus olhos.

   - Medo do que? (Lucas)
   - De me decepcionar. (Yasmin)
   - Você acha que eu seria capaz de te decepcionar? (Lucas perguntou sério)
   - Nenhum ser humano é perfeito, todos nós erramos e não temos a noção da proporção de mágoas que deixamos nas pessoas. Não estou dizendo que você fará isso, mas temo pelo incerto. (Yasmin)
   - Nossa relação é incerta? (Lucas)
   - Ela começou incerta e é na estaca zero que traçamos a linha de algo. Já que se começa errado, é muito difícil conseguirmos endireitá-lo. (Yasmin)
   - Senti um tom pessimista e bem frio no que você acabou de falar. (Lucas)
   - Esse é o meu esconderijo. (Yasmin)
   - Posso ser verdadeiro e falar uma coisa? (Lucas)
   - Quero que sempre seja e pode falar sim. (Yasmin)
   - Você é uma incógnita. Tem um mistério dentro de você que ao mesmo tempo em que me fascina, me incomoda. Sério, eu jurava que se eu falasse sobre namoro você iria aceitar, mas olha como você fala. (Lucas)

   - Eu estaria mentindo se falasse o contrário. (Yasmin)
   - Me responde quem é você… (Lucas)
   - Eu não sou uma princesa e estou longe de ser, acho que nunca nem fui aspirante a isso. Não me encaixo no estereótipo “perfeito” de uma mulher islâmica e também não sou a nativa brasileira Certas atitudes minhas eu também não consigo entender, talvez sejam impulsos, mas é o que meu coração manda fazer. É difícil entender, mas se isso te incomoda, prova que não daríamos certo como namorados. (Yasmin)
   - Isso me incomoda, mas não ao ponto de não aceitar. E eu não procuro uma princesa, Yasmin. Eu procuro uma mulher que consiga me fazer feliz e que me ame de verdade. Não que se importe com dinheiro ou derivados, mas que esteja comigo pelo o que eu sou e acredite, também sou uma incógnita. (Lucas)
   - E sabe qual o meu maior medo de verdade? Você se deixar manipular mais uma vez e não ser homem suficiente pra tomar uma atitude. (Yasmin alfineto
u)

   No mesmo instante ele soltou a mão dela e Yasmin jurou ver um orgulho ferido em seus olhos. Já estava esperando um grito dele ou então que ele a largasse naquele quarto e não aparecesse nunca mais. Palavras eram como tapas na cara, ainda mais faladas pra homens.

   - E depois eu que posso te decepcionar? (Lucas perguntou em tom de ironia)
   - Pode jogar na minha cara tudo que você acha errado em mim, porque eu não vou te poupar de nada. (Yasmin)
   - Depois dessa, se eu tivesse vergonha na cara eu saía daquela porta e voltava pro Brasil pra nunca mais voltar. (Chris)
   - Não é não ter vergonha na cara, é enxergar que você tem que ouvir críticas e aceitá-las quando são do bem. Eu não quero um relacionamento de mentiras, entenda isso. (Yasmin)
   - Ok, não quer um relacionamento de mentiras, mas também não precisa ser um relacionamento de pauladas. Uma em cima da outra. (Lucas)
    - Você considera verdades como pauladas? Então, assim nomeie, mas não espere de mim uma coisa que jamais farei, que é passar a mão na sua cabeça. (Yasmin)
   - Cutuca bastante a ferida. (Lucas)
   - Cheguei onde eu queria. Você não é capaz de agüentar dois segundos o meu gênio. Achou que eu seria sempre a Odalisca cheia de sorrisos e carinhos? (Yasmin)
   - Só me explica uma coisa, por que essa revolta toda de repente? (Lucas perguntou rindo de nervoso)
   - Não é revolta, estou te testando. (Yasmin)
  - Ah claro, grande teste você jogar as coisas na minha cara, sendo que larguei meu casamento e vale lembrar que estava casado com uma mulher grávida de um filho meu, e tudo isso por causa de você. (Lucas rebateu)
   - Pense que foi por você. (Yasmin)
   - Aonde você quer chegar com todo esse papo? (Lucas perguntou levantando-se da cama e encostando-se à parede mais próxima da cama, cruzando os braços no peito)
   - Se você quer algo sério, acredite, é recíproco. Eu também quero… (Yasmin)
   - Pois não parece, já que de uma hora pra outra você resolveu me atacar. (Lucas)
   - Não estou te atacando, Lucas. Pelo contrário, estou fazendo algo que há muito tempo deveriam ter feito por você. Falar verdades na sua cara. (Yasmin)
   - Ta bom, já deu. Isso está me irritando profundamente e eu não quero estourar com você. (Lucas afirmou voltando pra cama e enfiando-se debaixo das cobertas)
   - Vai me ignorar? (Yasmin)

   Não obteve resposta e automaticamente os olhos encheram-se de lágrimas. Todo esse questionamento e as verdades ditas tête-à-tête eram como uma defesa pra ela manter-se protegida dentro daquele relacionamento. Óbvio que não falaria de um jeito tão grosseiro aquelas coisas, mas precisava manter certa pose pra que seu coração não fosse dilacerado. Estava entregue demais a Lucas e uma escorregada qualquer dele, causaria estragos terríveis em seu coração.

   - Lucas? (Yasmin)
   - Que? (Lucas perguntou sem vontade)
   - Vira pra mim. (Yasmin)

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