sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Setenta e Seis.

   - Eu preciso voltar a trabalhar. (Yasmin falou sorrindo)
   - Eu sei. (Lucas brincou fazendo um biquinho)
   - Como vai ser? (Yasmin perguntou mexendo na gola da camisa dele)
   - Como vai ser o que? (Lucas)
   - Depois do evento. Você vai embora? (Yasmin)
   - Não. Vou ficar uns quatro dias. (Lucas)
   - Hum… (Yasmin)
  - Poucos dias, mas prometo que vamos aproveitar bastante. (Lucas afirmou sorrindo e abraçando-a novamente)

   Yasmin saiu primeiro do camarim, respirando fundo e olhando para os lados. Passagem limpa. Alguns minutos depois saiu Lucas, sorrindo feito uma criança que acaba de ganhar um presente, mas convenhamos que pra ele não houvesse presente melhor que aquela garota linda que acabara de lhe beijar.

   - Interessante! (Marcelo concluiu assim que os dois saíram do camarim)


   - Ai Meu Deus, que saudades do meu patrão lindo! (Letícia exclamou alto e pulando no colo do amigo)
   - Let, sua doida! (Lucas afirmou rindo e segurando-a no colo)
   - Saudades de você. (Letícia)
   - Eu também senti falta das suas trapalhadas. Agora me deixe ver o quanto está linda! (Lucas pediu ao soltá-la)

   Letícia fazendo graça deu uma voltinha e uma piscadinha sexy. Usava um vestido tomara que caia roxo de paetês até a cintura, embaixo ele continuava em preto. Usava um delicado scarpim preto, com um salto de 15 centímetros. E óbvio que a maquiagem acentuava expressivamente seus belos olhos. Também havia mudado os cabelos há pouco tempo, algo que havia deixado extremamente mais exuberante.


   - Vestida para matar? (Lucas brincou)
   - Pra exterminar. (Letícia falou rindo)
   - Percebe-se… (Lucas)
   - Você também, como sempre! Lucas, a Helen e eu já estamos de bem novamente. (Letícia)
   - Fico feliz por isso, afinal de contas vocês são super amigas. Mas espero que não pise na bola novamente, Matias. (Lucas falou apertando o nariz dela)
   - Pode deixar Moura. (Letícia brincou rindo)
   - Onde está o Taylor? (Lucas)
   - Acho que não desceu ainda, pois não o vi por aqui. E o tio Jorge? Cadê? Estou morrendo de saudades dele. (Letícia)
   - Está lá em cima falando com minha mãe no telefone. (Lucas)
   - E a sua esposa querida, como está? (Letícia)
   - Bem, da Bruna depois falo. (Lucas)
   - Por quê? (Letícia)
   - Saberá depois. (Lucas)
   - Quanto mistério. (Letícia)
   - Boba! Sabe que temos uma conversa pendente não? (Lucas)
  - Claro que sei, andei tirando conclusões interessantes sobre tudo, acho que vai ficar orgulhoso da sua amiga linda. (Letícia brincou rindo)
   - Espero mesmo. Amanhã conversamos sobre tudo isso. Vou dar uma andada pelo local, pra ver se tem algo interessante. (Lucas)
   - Vai lá! (Letícia)

   Lucas andou pelo auditório onde aconteceria a palestra de Turismo. Aliás, que já estava quase começando. Viu a movimentação dos convidados que após aquilo iriam desfrutar de um coquetel e de apresentações que eram a marca do hotel, a Dança do Ventre. Estava louco de curiosidade pra saber se Yasmin dançaria… Mas bem no seu íntimo não queria, afinal de contas eram muitos homens cobiçando a sua Odalisca.

   - Que surpresa vê-lo por aqui.

   Lucas sentiu asco ao escutar uma vez mais aquela voz, virou-se quase que por obrigação, pois o que menos queria é ser educado.

   - Oi Marcelo. (Lucas)
   - Não sabia que viria hoje. Como está? (Marcelo perguntou estendendo a mão pra Lucas)
   - Estou bem. Meu pai e eu viemos já que esse evento é de extrema importância pro hotel. (Lucas respondeu apertando a mãe dele)
   - Ah, que bom que o Senhor Jorge veio. É sempre bom recebermos os nossos superiores. (Marcelo)
   - Pois é. (Lucas)

   Lucas cruzou os braços em sinal de desconforto, odiava ser educado, quando a sua vontade era ignorar uma pessoa. Já não o suportava, ao ponto de sentir-se mal com sua presença. Claro que pesava muito o fato da implicância dele com Yasmin, ainda mais toda aquela história de prostituição. Mas dentro de si, Lucas sabia que ele não era uma boa pessoa, aliás, tinha certeza.

   - Bom, nos vemos por aí! (Lucas)

   Deu as costas, mas parou ao surpreender-se com uma pergunta.

   - E sua esposa, como está? (Marcelo)

   Ele virou-se um pouco incrédulo com a pergunta. Afinal, por qual motivo ele queria saber como Bruna estava? E corrigindo, sua ex-esposa. Mas isso não era o que mais incomodava na pergunta, o que era inadmissível era ele querer saber algo da vida de seu patrão. Sim, ele por ser filho do dono, podia se vangloriar disso.

   - Como disse? (Lucas)
  - Perguntei sobre sua esposa. Lembro quando ela veio aqui e me pareceu boa gente. (Marcelo)
  - Ah sim. Então te peço uma coisa… Limite-se a cuidar do que lhe é de obrigação profissional aqui dentro, não de coisas pessoais. Ainda mais se tratando da vida do cara que paga as suas contas. Ok, não sou o Jorge, mas sou o herdeiro. (Lucas disse calmo)
   - Pode deixar que farei isso. (Marcelo concluiu sem graça)
   - É sempre bom entrarmos em acordo. (Lucas)

   Deu as costas a Marcelo e soltou o ar com raiva, sua vontade era de acertar um soco de direita naquela cara de cínico que ele tinha.

   - Arrogante. (Marcelo sussurrou enraivecido)

   Lucas avistou o pai do lado contrário onde estava. Colocou as mãos nos bolsos da calça e seguiu até lá. Antes acabou encontrando com Yasmin pelo caminho e sorriu piscando pra ela, claro que recebendo em troca um sorriso lindo e tímido. Passou reto e chegou ao lado do pai.

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