A Dança dos Sete Véus
Trezentos
“Certas vezes me pergunto se eu deveria ter me deixado levar por essa relação, pois depois de uma relação conturbada como foi a minha com a Bruna, talvez eu devesse ter agido precipitadamente ao me entregar dessa maneira. Mas coração é assim, não escolhe lugar, data, hora e nem a pessoa… É algo que acontece quando você menos espera, mas sempre quando você necessita. É algo que completa, que encaixa… Cientificamente falando, como o negativo e o positivo que une de maneira magnética as extremidades de um imã… Biologicamente falando, como o cordão umbilical que une o feto com a mãe… Geograficamente falando, como os continentes que mesmo separados por milhões de quilômetros, se fossem aproximados, se encaixariam perfeitamente, como um quebra-cabeça. Palavra chave… Quebra-cabeça. Talvez o amor seja assim, você vai unindo peça a peça, até que no final ele esteja completo. Pelo caminho encontramos peças que não se encaixam. Ou até mesmo, as perdemos, mas sempre se dá um jeito, mesmo que fique faltando algo, ele está ali formado, dando as caras e te fazendo sorrir por apenas formar algo que na maioria das vezes é abstrato. Simples, mas necessário. É isso que ela me faz, me completa!”
E foi nesse encaixe perfeito, que pensamentos foram aflorados em questão de segundos, como se agora não mais pudessem seguir adiante sozinhos. Era a dependência que dava seus primeiros passos entre os dois. O medo que atormentava a cabeça de ambos… Um oceano os separava, cultura e religiões diferentes, o preconceito… Um casamento que mesmo acabado, ainda tinha um fruto. Tantas coisas passavam pela mente, mas conseguiam ser esquecidas no momento por poderem sentir a pele alheia escorrendo de suor, devido ao prazer que os unia uma vez mais. Às sensações de proteção e o delicioso gosto de beijos que davam o toque inicial e o toque final a que se pode dizer prazer mútuo… Compartilhado. O ato de se entregar sem pensar. Yasmin parecia estar mais mole nos braços de Lucas, que teve que auxilia-la a sair do box, se enxugar e se vestir. A bebida talvez não tivesse sido a melhor opção. A pegou no colo de frente e sorriu quando ela deitou a cabeça na curvatura de seu pescoço. Como uma menininha, aliás, como sua menininha.
- Ta tudo bem, bebê? (Lucas perguntou e ela apenas afirmou com a cabeça e continuou com a cabeça apoiada no pescoço dele)
Ele a deitou na cama e percebeu que os olhos dela estavam repletos de lágrimas. Bem, o último estágio de embriaguez. O choro. Sorriu e acariciou a bochecha dela com carinho, e impediu que as lágrimas escorressem pela lateral de seu rosto.
- Por que esse choro? (Lucas)
- E-estou com vergonha… (Yasmin sussurrou com a voz embargada)
- Vergonha do que? (Lucas)
- De eu e-estar bêbada… Dando esse show todo, a-arrancando a roupa e me oferecendo. E-estou me sentindo u-uma vadia. (Yasmin sussurrou entre alguns soluços)
- Ei, não fale besteiras e não precisa ter vergonha de mim. Não é porque você quis transar comigo que isso lhe transforme em uma qualquer, pelo contrário. Nós estamos juntos e não há mal nenhum nisso. (Lucas)
- A-agora você vai ficar convencido e e-eu nem posso comparar c-com outros. (Yasmin brincou entre as lágrimas e sorriu ao terminar a frase)
Lucas sorriu e mais uma vez acariciou com carinho o rosto dela.
- Você já é tão importante, Yasmin. (Lucas)
Ela engoliu em seco e sem pensar muito...
- Eu to apaixonada por você! (Yasmin)
Por mais que não seja um eu te amo, o estar apaixonada soa tão bem aos ouvidos de uma pessoa que está completamente envolvida com a outra. Yasmin não estava preparada pra declarar algo mais relacionado ao amor, mas a paixão já gritava forte dentro de seu coração e ela nem queria pensar que mais uma vez ele iria embora dali, tudo bem que em poucos dias ela estaria de férias no Brasil, mas um minuto já estava parecendo uma eternidade. Algo clichê talvez, mas o que realmente se sente. E pra Lucas tudo era recíproco.
Na manhã seguinte, Yasmin cambaleou pelo quarto até chegar à varanda, onde Lucas estava sentado mexendo em seu notebook. Ela esfregou os olhos e fez um biquinho pra ele que sorriu e bateu as mãos nas coxas, chamando-a. Yasmin rapidamente se jogou no colo dele, deitando a cabeça em seu ombro esquerdo.
- Bom dia! (Lucas)
- Bom dia… (Yasmin sussurrou com a voz mais rouca que de costume)
- Uma ressaca por aí? (Lucas)
- Acho que um pouco pior. Parece que fui atropelada trinta vezes por um caminhão… (Yasmin)
- Descansa hoje o dia todo que vai melhorar isso, e a noite voltamos pro Cairo. (Lucas)
Yasmin apenas suspirou pausadamente. Voltar ao Cairo significava voltar à rotina e logo depois, vê-lo voltar ao Brasil.
linda! vc sabe q amo sua história. me faz viajar!
ResponderExcluircontinue assim e siga seus sonhos! ansiosa pra saber o que mais vai acontecer com eles! bjus linda!