A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Noventa e Oito
“Um dia ouvi um sábio ditado que falava: "Não há mal que não se acabe e não há bem que se perdure". É como se eu pudesse refletir que nada anda constantemente, nunca sabemos o que será do hoje, do amanhã. Mas sabemos que um dia acaba, tudo! E eu consigo sentir que a energia pesada ronda e se um fraquejar durante o caminho, o outro acaba fraquejando junto. Se eu tenho força, você também terá! Se eu não tenho, você também não terá! É um imã que encaixa o positivo e o negativo, mas que se solta caso os lados se modifiquem. O elo se desfaz e apenas a força de vontade e uma grande dose de amor podem conseguir reconstruí-lo. Eu temo…”
- Sabe, há um tempão que eu não bebia nada. Tequila então, nunca mais na minha vida. (Yasmin afirmou num tom um pouco mais alto e rindo ao terminar a frase)
- Não é bom parar então? (Lucas)
- Não. Deixa eu tomar? Sabe, de vez em quando é bom parar de ser a santa que não bebe, não se droga e não fo… (Yasmin antes de terminar a frase, caiu na gargalhada)
- Yasmin. (Lucas falou sorrindo)
- Apesar que eu não posso ser santa, porque santos fazem parte da igreja católica e eu sou muçulmana. Tudo bem que eu uso decote e que às vezes minha calcinha aparece quando eu uso mini saia, mas eu sou Odalisca ora. E Odaliscas são indecentes. Você sabe o que uma Odalisca faz não é? (Yasmin)
- Dançam? (Lucas)
- Não. As Odaliscas na verdade… (chamando-o perto e rindo) Elas são putas. (gargalhando)
Lucas não conseguiu segurar a risada, pois em dois minutos de bebida, Yasmin já havia mudado completamente o comportamento.
- Você já pegou alguma puta? E quando digo puta, não me refiro a sua ex, me refiro as que você tem que pagar pra comer. (Yasmin despejou falando um pouco enrolando e sempre gargalhando no final de cada frase)
- Min, eu não devia ter deixado você beber nem um gole de álcool, sério… (Lucas)
- Qual o problema de beber? (Yasmin)
- Faz um mal danado e ainda você fala coisas que não é muito parecido com as suas atitudes sóbrias. (Lucas)
- Eu me escondo embaixo dos véus, coisa linda. Quer dizer, eu me escondi, mas depois eu apareci pra você e ainda fiquei pelada. (Yasmin falou alto)
- Yasmin. (Lucas)
- Você não pode contar pra minha mãe que eu fiquei pelada, ela me mata. Capaz de ela me mandar pro tribunal islâmico e eu apanho e ainda viro Odalisca no literal da palavra. (Yasmin)
- Eu acho melhor nós irmos andando, assim você toma um banho gelado e eu peço um café forte pra você voltar ao normal. (Lucas afirmou levantando-se)
- Café não, pede uma vodka. Mas ir embora agora vai ser tão chato. (Yasmin)
- Não vai, prometo. (Lucas falou com paciência e a ajudou a levantar-se)
Yasmin acabou dando uma cambaleada e ria sozinha com cada tropeço que dava, apesar de Lucas lhe auxiliar. Lucas acabou optando por andarem pela areia, seria mais fácil pra achar o hotel e também, mais tranqüilo devido ao estado de Yasmin.
- Você se aproveitaria de uma mulher bêbada? (Yasmin perguntou depois de um silêncio repentino, a voz dela começava a ficar rouca e estava mais enrolada)
- Por que essa pergunta? (Lucas)
- Meu ex-namorado uma vez me embebedou, na verdade ele fez isso pra eu ficar bem fácil e… (Yasmin diminuiu o tom de voz e aproximou-se pra falar no ouvido dele) Ele queria me comer. (sussurrando e gargalhando)
Lucas pôs a mão na testa, sentindo duas coisas naquele momento. Vontade de matar esse tal ex-namorado e arrependendo-se amargamente por ter deixado Yasmin beber, pois ela parecia muito desbocada com algumas gotas de álcool no sangue.
- Mas ele não conseguiu. Eu não dei! E sabe por quê? Porque o papel de me comer, foi direcionado a você! (Yasmin exclamou gargalhando)
- Yasmin, olha a boca. (Lucas murmurou sem saber o que fazer)
- Pode confessar que quando você me viu pela primeira vez, ficou com vontade de me pegar de jeito. Eu sei que é assim. Você devia pensar “nossa que mulher gostosa, essa eu pego”. (Yasmin brincava com os tons de voz, fazendo com que o papo picante na verdade ficasse engraçado)
- Meu Deus do céu, alguém raptou a Yasmin Rosa ou é impressão minha? (Lucas)
- Ninguém raptou, eu to aqui. (Yasmin respondeu sorrindo)
- Só no corpo. (Lucas)
- No corpinho sexy, confesse. (Yasmin)
- Ok, confesso. No corpinho super sexy. (Lucas falou sorrindo e beijando-a na bochecha)
- Seu corpinho também é sexy, muito sexy. (Yasmin falou numa tentativa de assoviar, mas claro que tentativa fracassada)
Lucas continuou sorrindo e escutando tudo que ela estava liberando, mas claro que sabia que a ressaca seria das bravas.
- Quando eu te vi pela primeira vez, na hora pensei “esse aí é pra casar”. Mas eu descobri que você era casado, então teria que ser “esse aí é pra ver se divorciando”. (Yasmin)
- Baixinha, você vai acabar revelando todos os seus segredos. (Lucas)
- Não tenho segredos, eu sou super transparente. (Yasmin)
- São segredos da sua alma. (Lucas)
- Bebê, me bateu um sono agora. (Yasmin falou esquecendo o assunto anterior e bocejando em seguida)
- Você precisa curar essa bebedeira, senão amanhã nem levanta. (Lucas)
- Você deveria ter ficado bêbado também. (Yasmin)
- Sem condições, se eu começo a beber não paro e os dois bêbados não seria recomendável. (Lucas)
- Mas eu queria te ver bêbado. (Yasmin)
- Oportunidades não vão faltar. (Lucas)
E passavam alguns segundos e Yasmin voltava a tagarelar alguma coisa insana. Havia se transformado com poucos copos de bebida alcoólica, provando que era mesmo fraca pra isso, mas as coisas que ela estava soltando eram tão comprometedoras e engraçadas ao mesmo tempo que Lucas dava boas gargalhadas escutando.
- Posso prever uma coisa? (Yasmin)
- Que coisa? (Lucas)
- Você vai ser o cara mais bem sucedido do mundo, mas vai chorar. (Yasmin)
O tom de voz que Yasmin havia falado foi tão sério, que Lucas acabou sentindo um arrepio percorrer toda sua coluna. Yasmin às vezes o assustava, sendo com atitudes ou palavras que surgiam do nada, quando ele menos esperava.
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