sábado, 22 de setembro de 2012

A Dança dos Sete Véus
Duzentos e Noventa e Cinco

   - A traição é bem complicada. (Yasmin)
   - Eu sempre tomo na cabeça, literalmente falando. Não tenho sorte pra essas coisas. (Lucas)
   - Eu não vou trair você. (Yasmin)
   - Eu acredito, baixinha. (Lucas falou sorrindo)


   No Cairo, Letícia observava de longe as atitudes de Marcelo. Ora inquieto, ora calmo, ora tempestivo. Bipolar talvez? Ou um psicopata? Ela apesar da má fama de limitada a certas coisas, tinha um grande conhecimento sobre pessoas que tinham sérios problemas psicológicos. Sua irmã, Daniele, era formada em Psiquiatria e com a convivência, ela acabou pegando alguns conhecimentos. Em pouco tempo já havia percebido a forte obsessão que ele tinha por Yasmin. Na maneira como a olhava, nos ataques, na perseguição. Não era amor reprimido, era um amor fatal, se é que poderia ser considerado amor. Mas ele guardava dentro de si algo que pra Letícia era indecifrável, uma incógnita. E odiava quando não conseguia desvendar as coisas, apesar de já ter feito muito por esse caso. Foi pensando nisso que viu uma mulher de aparência jovem, mas com um rosto sofrido. Ela conversava com Marcelo e ele não parecia tão confortável com a presença dela. Letícia o viu puxá-la pelo braço e sair dali. Ela sem pensar duas vezes, levantou-se e seguiu o mesmo caminho por entre os corredores do hotel. Encostou com cuidado a cabeça na porta e escutou algo relacionado a um choro. Choro feminino. Segurou-se pra não arrombar a porta, na verdade não teria força pra isso, mas a vontade lhe fazia transformar-se em Hulk e quebrar tudo pela frente. Havia pegado uma raiva grande de Marcelo e ver que uma mulher chorava na presença dele, era motivo suficiente pra matá-lo, mesmo não sabendo o motivo do choro.

   Do lado de dentro.

   - Por que veio? (Marcelo perguntou com raiva)

   Sua esposa havia ido atrás dele, apesar de todas as humilhações que sofria, não tinha pra onde correr. Desde cedo se virava sozinha, mas os filhos pequenos a faziam pensar duas vezes pra cometer uma loucura. Não iria conseguir sustentá-los e conhecendo a índole de Marcelo, com certeza perderia a guarda deles. Algo não citado é a forma como ela se sustentava. Não era uma prostituta, mas trabalhava em um bordel como garçonete, lugar onde pra sua desgraça, falando claro, conheceu Marcelo. Ele sempre que podia jogava essas coisas na cara dela, como se ela tivesse feito parte do grupo das prostitutas.

   - E-eu… (ela tentava falar, mas não conseguia)
   - Vai embora daqui, sua presença não é agradável. Fora que existem pessoas aqui que freqüentavam o lugar onde você trabalhava e não é bom pra minha imagem ser casado com uma piranha. (Marcelo despejou sem dó)
   - NÃO SOU NADA DISSO. (ela gritou com raiva)

   E nesse momento, o forte estalo da mão dele foi de encontro ao rosto dela. Um tapa que a fez desequilibrar-se e quase ir ao chão. E pra sorte dela, apesar de tudo, a porta havia sido aberta naquele instante e Letícia havia visto tudo. E algo que ela não admitiria nunca, violência contra uma mulher e estando no ambiente de trabalho era motivo suficiente pra colocá-lo pra fora dali.

   Marcelo arregalou os olhos ao ver Letícia parada na porta.

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